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Fim de contrato obriga Campinas a buscar novo abrigo para 374 cães mantidos em Mairinque

Animais em abrigo do DPBEA em Mairinque (SP)

G1 — Campinas e Região · 2026-10-02T09:52:34.000Z

Animais em abrigo do DPBEA em Mairinque (SP)

Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas

A Prefeitura de Campinas (SP) busca um novo local para abrigar 374 cães mantidos atualmente em Mairinque (SP). A empresa responsável pelos animais decidiu não renovar o contrato com o município, de R$ 2,7 milhões por ano.

Os cães estão sob responsabilidade da Clínica Veterinária Ricardo Ltda., contratada para abrigar, alimentar e prestar os cuidados necessários aos animais do Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal (DPBEA).

O acordo é renovado anualmente e teve a última renovação em janeiro de 2026. Segundo a prefeitura, a clínica comunicou em 12 de agosto que não tinha interesse em permanecer por mais um período. Nenhuma outra justificativa formal foi apresentada.

⏳ O contrato termina em 19 de janeiro de 2027. Até lá, os animais podem permanecer sob os cuidados da empresa.

O g1 procurou a Clínica Veterinária Ricardo Ltda. para saber por que decidiu não renovar o acordo e como será feita a permanência e a transferência dos animais. Até a última atualização desta reportagem, a empresa não havia respondido.

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Contrato começou em 2023

A contratação da clínica foi feita por meio de um pregão eletrônico aberto pela prefeitura em 2023. A empresa venceu a licitação com uma diária de R$ 18,50 por animal, e o contrato inicial previa R$ 2,6 milhões para 12 meses.

O edital previa o atendimento de aproximadamente 400 cães e gatos e determinava que o abrigo ficasse a até 150 quilômetros do DPBEA, em Campinas, para evitar trajetos que causassem cansaço ou sofrimento aos animais.

O documento também permitia que funcionários do departamento fiscalizassem as instalações da contratada.

A própria licitação já apontava a falta de espaço no DPBEA como justificativa para contratar uma estrutura externa. Segundo o edital, a capacidade do departamento era reduzida, entre outros motivos, pela necessidade de manter alguns cães sozinhos, como animais agressivos ou com dificuldade de convivência.

O contrato também estabelecia que, ao fim da prestação do serviço, caberia à Prefeitura de Campinas recolher os animais.

Clínica foi alvo de operação da PF

A Clínica Veterinária Ricardo Ltda. foi alvo, em maio, da Operação Castratio, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraude em contratos de castração e esterilização de animais ligados à Secretaria de Agricultura do Rio de Janeiro.

Segundo informações divulgadas à época, a investigação envolve contratos que somam mais de R$ 200 milhões. Mandados foram cumpridos em cidades do Rio de Janeiro e também em Mairinque e São Roque (SP).

Na ocasião, a empresa afirmou que sempre teve a atuação pautada pela “honestidade, transparência e legalidade”, disse estar à disposição dos órgãos de controle e afirmou confiar que a apuração demonstraria a regularidade das atividades e contratações.

Questionada pelo g1, a Secretaria do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade (Seclimas) informou que não tinha conhecimento da investigação envolvendo a empresa.

A pasta disse ainda que a Clínica Veterinária Ricardo presta atualmente dois serviços à Prefeitura de Campinas: o Samu Animal e o alojamento de cães e gatos em Mairinque.

Segundo a Seclimas, não foram identificadas irregularidades no contrato nem na execução dos serviços prestados ao município. A prefeitura afirmou que a fiscalização segue sendo feita conforme as condições previstas no acordo e que a investigação da PF não alterou a relação contratual com a empresa.

A administração municipal também disse que não tem informação que relacione a Operação Castratio à decisão da clínica de não renovar o contrato. Segundo a prefeitura, a desistência partiu da própria empresa e foi comunicada formalmente em agosto.

O g1 também procurou a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para saber se a empresa continua sendo investigada, se houve novidades na apuração desde maio e se existe algum indício de irregularidade ou diligência relacionada ao contrato com a Prefeitura de Campinas.

A PGR informou que não localizou procedimentos públicos sobre o tema, mas ressaltou que, em caso de sigilo, as informações não ficam visíveis nem podem ser rastreadas em seus sistemas.

Já a Polícia Federal informou que não divulga informações sobre eventuais investigações em andamento.

Falta de espaço preocupa

Abrigo do DPBEA em Mairinque (SP)

Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas

A necessidade de encontrar um destino para os animais já vinha sendo discutida pelo Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (CMPDA). A ata de uma reunião realizada em agosto foi publicada no Diário Oficial nesta terça-feira (29).

No encontro, representantes do DPBEA disseram que a capacidade para abrigar os cães era a principal preocupação diante da volta dos animais.

Na época, o departamento calculava que, mesmo após reformas e ampliações, a estrutura municipal poderia chegar a cerca de 272 vagas. Considerando os animais que já estavam em Campinas e os mantidos em Mairinque, a estimativa apontava para um déficit de aproximadamente 180 vagas.

Os números registrados na ata eram estimativas feitas em agosto. Agora, a prefeitura informou que 374 cães permanecem em Mairinque.

O documento também aponta que o município fazia um inventário dos animais e preparava um plano para a transferência. Entre as medidas previstas estavam identificar quantos cães poderiam ser ressocializados, quais precisavam de cuidados especiais e ampliar as ações para incentivar adoções.

Segundo a ata, os gatos que também eram mantidos em Mairinque já haviam retornado a Campinas ao longo deste ano.

Prefeitura avalia alternativas

Abrigo do DPBEA em Mairinque (SP)

Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas

Ao g1, a prefeitura informou que estuda medidas para garantir abrigo, alimentação, manejo e atendimento veterinário aos animais após o encerramento do acordo.

ampliar a estrutura existente;

firmar parcerias com entidades;

aumentar o número de eventos de adoção;

abrir uma licitação para contratar outra unidade para abrigo e atendimento.

A administração municipal informou ainda que a PUC-Campinas integra a rede de atendimento veterinário aos animais do DPBEA.

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