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Sorocaba tem baixa oferta de cursos de doutorado com resultado pior que as principais regiões do estado

Sorocaba tem baixa oferta de cursos de doutorado com resultado pior que outras regiões

G1 — Brasil · 2026-07-27T10:16:06.000Z

Sorocaba tem baixa oferta de cursos de doutorado com resultado pior que outras regiões

Sorocaba (SP) é a quarta maior região administrativa do estado de São Paulo em população, mas enfrenta um cenário preocupante quando o assunto é ensino superior em nível de doutorado. Com 2,7 milhões de habitantes, a Região Metropolitana conta com apenas 10 cursos de doutorado, todos concentrados no município de Sorocaba.

Os dados estão em um estudo do doutor e pesquisador Carlos Henrique Costa da Silva, da Universidade Federal de São Carlos (UFScar), com informações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação (MEC).

Conforme a pesquisa, 97,9% das cidades da região não oferecem programas de doutorado. Os dados mostram ainda que Sorocaba tem o pior indicador entre as regiões que possuem doutorado: 0,36 cursos por 100 mil habitantes. Em comparação, a Grande São Paulo concentra 355 cursos.

Vista aérea da cidade de Sorocaba

Witter Veloso/TV TEM

A análise dos cursos de doutorado por região administrativa do estado revela uma concentração significativa na Grande São Paulo, que lidera com 355 programas, seguida por Campinas, com 112. Regiões como Central, Ribeirão Preto e Vale do Paraíba também apresentam números expressivos, variando entre 34 e 47 cursos.

Em contraste, ainda segundo o estudo, Sorocaba aparece com apenas 10 doutorados, o mesmo número de Presidente Prudente e Baixada Santista, ficando atrás de centros menores como Bauru, que possui 29. A disparidade evidencia uma distribuição desigual da oferta acadêmica, que reforça a centralização em polos já consolidados.

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Nas regiões periféricas, a situação é ainda mais crítica. Araçatuba e Marília contam com apenas 8 cursos cada, enquanto Franca tem 5 e, Barretos, apenas 2. Itapeva e Registro sequer oferecem doutorados, o que mostra que a interiorização da pós-graduação stricto sensu ainda é limitada.

No total, o estado soma 697 cursos de doutorado distribuídos em apenas 38 municípios, o que indica que grande parte das cidades paulistas permanece sem acesso a esse nível de formação acadêmica, ampliando as desigualdades regionais no ensino superior.

Quando se observa a proporção de cursos de doutorado por 100 mil habitantes, a desigualdade fica ainda mais evidente. A região Central (São Carlos e Araraquara) lidera com 4,51 cursos, seguida por Ribeirão Preto (3,01) e Bauru (2,57), o que mostra uma densidade acadêmica elevada em relação à população. Já a Grande São Paulo, apesar de concentrar o maior número absoluto de programas, apresenta apenas 1,67 cursos por 100 mil habitantes, reflexo da sua população massiva. Campinas e Vale do Paraíba também mantêm indicadores razoáveis, ambos acima de 1,5.

Sorocaba, por outro lado, ocupa a última posição entre as regiões que oferecem doutorado, com apenas 0,36 cursos por 100 mil habitantes. O índice é inferior até mesmo ao de Barretos (0,45) e Franca (0,67), regiões com menor população e menor relevância econômica.

Importância no desenvolvimento

Doutor e pesquisador Carlos Henrique Costa da Silva, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

O dado, conforme o estudo, reforça o contraste entre o peso demográfico e industrial da região sorocabana e sua baixa oferta acadêmica, o que evidencia a necessidade de investimentos para equilibrar o acesso à formação de alto nível e reduzir as disparidades regionais no estado.

O pesquisador lembra que a criação dos cursos de doutorado foi a etapa mais recente e avançada do processo de consolidação acadêmica.

"O doutorado exige maior maturidade institucional do que o mestrado, pois depende de produção científica regular, inserção nacional ou internacional, capacidade de orientação, infraestrutura de pesquisa e estabilidade do corpo docente."

Silva também destaca a importância dos cursos de doutorado para o desenvolvimento da região.

"A presença dos doutorados revela a importância regional das reverberações das pesquisas que ultrapassa o número de vagas oferecidas, pois neste nível: há a formação avançada de profissionais sem necessidade de deslocamento para São Paulo, Campinas ou outros polos; fortalecem grupos e laboratórios de pesquisa locais; ampliam a captação de recursos das agências de fomento; favorecem a cooperação entre universidade, empresas, escolas e governos; formam docentes para o ensino superior; produzem conhecimentos relacionados aos problemas ambientais, industriais, educacionais, econômicos e territoriais da região."

O pesquisador explica parte da origem da situação: em Sorocaba, as instituições particulares tiveram tratamento prioritário ao longo de décadas.

"A forma como as primeiras faculdades foram criadas produziu consequências duradouras. Como Medicina, Filosofia e Direito foram organizadas por iniciativas municipais, confessionais ou comunitárias, o governo estadual passou a considerar que a demanda local estava, ao menos parcialmente, atendida. Esse processo diferenciou Sorocaba de cidades que obtiveram institutos estaduais isolados nas décadas de 1950 e 1960", afirma.

Ele exemplifica: "Como em Araraquara, Assis, Bauru, Botucatu, Marília, Presidente Prudente e Rio Claro já havia faculdades e institutos estaduais isolados, foram integrados à Universidade Estadual Paulista, constituída em 1976. Como Sorocaba não possuía instituição estadual equivalente para ser integrada à nova universidade, ficou fora da primeira configuração territorial da Unesp."

O pesquisador comenta sobre a criação das universidades na cidade e destaca o início da Faculdade de Engenharia, hoje Centro Universitário Facens.

"A reivindicação estava diretamente relacionada ao perfil industrial de Sorocaba. Os empresários necessitavam de profissionais para modernizar fábricas, implantar processos produtivos, operar novas tecnologias e acompanhar a diversificação do parque industrial. As famílias, por sua vez, defendiam a possibilidade de formação local, evitando os custos associados ao deslocamento dos estudantes para São Paulo, Campinas, São José dos Campos e outras cidades."

Ufscar campus Sorocaba

Google Street View/Reprodução

Vista aérea da cidade de Sorocaba (SP)

Prefeitura de Sorocaba/Divulgação

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