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Ufac cria comissão para estudar cotas a pessoas transgênero na graduação: 'Reivindicação histórica'

Ufac cria comissão para estudar cotas para pessoas transgênero

G1 — Brasil · 2026-10-02T20:19:28.000Z

Ufac cria comissão para estudar cotas para pessoas transgênero

🏳️‍⚧️ A Universidade Federal do Acre (Ufac) criou uma comissão para estudar a implantação de cotas para pessoas transgênero nos cursos de graduação. A decisão foi aprovada pelo Conselho Universitário (Consu) na última quarta-feira (30) durante reunião no campus-sede, em Rio Branco.

O grupo terá 90 dias para apresentar uma proposta com as regras para a política de acesso e permanência desses estudantes na instituição. Após a conclusão, o texto será submetido à votação do Consu. Se aprovada, a política poderá entrar em vigor em 2027.

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Entre as possibilidades de distribuição de vagas em análise estão a oferta de vagas suplementares, que seriam acrescentadas ao total previsto para cada curso, e a reserva de vagas dentro das turmas já existentes. (Entenda mais abaixo)

Ao g1,a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade da Ufac, Letícia Mamed, explicou que a comissão vai estudar os modelos adotados por outras universidades e avaliar qual formato se adequa à realidade da instituição.

“A importância da comissão está justamente nisso: levantar os dados que temos, traçar um diagnóstico e planejar aquilo que melhor se adequa à realidade da Universidade Federal do Acre”, disse.

Ufac cria comissão para estudar cotas para pessoas transgênero na graduação

Jhenyfer de Souza / g1 Acre

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A criação do grupo atende a uma reivindicação antiga da comunidade acadêmica, conforme a pró-reitora.

"Essa é uma reivindicação histórica da nossa comunidade. Ela esteve presente, por exemplo, na pauta dos estudantes durante a greve dos professores, em 2024, e também na pauta política do movimento eleitoral da Ufac, no primeiro semestre deste ano. É um tema que vem sendo manifestado em diversas ocasiões no dia a dia da universidade", ressaltou.

Como devem funcionar as cotas?

🧾A comissão vai analisar dois modelos de acesso já adotados por outras instituições de ensino superior. Um deles prevê vagas suplementares, ou seja, acrescentadas ao total previsto para cada curso. No outro, parte das vagas já existentes é reservada para pessoas trans.

De acordo com Letícia Mamed, na Ufac, os cursos de graduação costumam ter turmas de 40 a 45 estudantes. Desta forma, a escolha do modelo dependerá dos estudos e do diagnóstico que a comissão vai elaborar.

“A importância da comissão está justamente em levantar os dados disponíveis, traçar um diagnóstico e planejar o que melhor se adequa à realidade da universidade [...] É necessário, obviamente, realizar estudos para definir isso”, ressaltou.

O grupo terá representantes dos setores acadêmicos e técnico-administrativos da universidade e deverá dialogar com instituições externas e organizações da sociedade civil que atuam com a população trans no Acre, como a Ouvidoria da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE-AC).

Ainda segundo Mamed, além de definir as regras de ingresso, a comissão também deverá discutir medidas para garantir que os estudantes permaneçam na universidade até a conclusão dos cursos.

“Não se trata apenas do acesso, mas da garantia de permanência, de que essas pessoas possam concluir seus cursos com qualidade e sejam devidamente incluídas na educação superior”, completou.

Ufac cria comissão para estudar cotas para pessoas transgênero na graduação

Cotas para pessoas trans na Ufac

Desde novembro de 2023, a Ufac conta com uma norma que prevê políticas de ações afirmativas para pessoas trans nos cursos de pós-graduação. A Resolução Consu nº 162 estabelece critérios para a reserva de vagas em seleções de especialização, mestrado e doutorado.

A regra também contempla pessoas pretas, quilombolas, indígenas e pessoas com deficiência. O texto prevê que os editais dos cursos de pós-graduação reservem, no mínimo, 25% do total de vagas para as modalidades de ações afirmativas previstas na resolução.

Para pessoas transgêneros, a norma exige autodeclaração no ato da inscrição. O documento também prevê medidas de apoio à permanência dos estudantes que ingressam pelas vagas reservadas.

A nova comissão vai estudar como ampliar essa política para a graduação e definir uma proposta que considere as particularidades da universidade. Depois da conclusão dos estudos, a minuta deverá seguir para análise dentro da instituição.

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