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VÍDEO: grupo de araras-canindés é flagrado comendo 'chiclete cuiabano' em condomínio de MT

Grupo de araras é flagrado comendo 'chiclete cuiabano' em MT

G1 — Brasil · 2026-10-02T21:02:29.000Z

Grupo de araras é flagrado comendo 'chiclete cuiabano' em MT

Um casal de Cuiabá acostumado a ver araras-canindés voando pela cidade teve uma surpresa ao encontrar cerca de nove delas reunidas e comendo bocaiúva, conhecida como “chiclete cuiabano”, em um condomínio de luxo. Márcia Yamamoto, de 43 anos, e Rodrigo Nichioka, de 45, registraram a cena de dentro do carro.

No vídeo, as araras aparecem espalhadas pela rua e próximas umas das outras enquanto comem o fruto de uma palmeira. Em determinado momento, algumas passam na frente do carro onde o casal está. Mesmo com a aproximação, as aves continuam se alimentando e não parecem se incomodar com a presença dos dois (assista acima).

“Eu pensei: ‘Vou passar com calma, vou passar bem devagarzinho’, porque mesmo assim eu pensei que ela ia voar. Mas ficou lá, como se tivesse acostumado”, contou Rodrigo.

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A cena chamou a atenção justamente pela proximidade. Segundo o casal, eles já estão acostumados a ver araras em Cuiabá, principalmente voando ou em árvores, mas em mais de 40 anos morando na cidade, nunca tinham presenciado um grupo tão grande se alimentando no chão.

“Foi a primeira vez. Primeira e última, nunca mais. A gente passa lá direto já olhando para ver se elas vão estar lá, mas nunca mais”, contou Márcia.

Rodrigo trabalha há cerca de 20 anos no condomínio e passa pelas ruas com frequência. Segundo ele, as araras já aparecem na região, mas a quantidade registrada naquele dia chamou a atenção.

“Agora está aparecendo bastante arara, mas ali nunca tinha visto assim, com essa quantidade. Tem palmeiras lá que elas frequentam, mas dessa quantidade nunca tinha visto. A gente chegou, eu passei e falei: ‘Nossa, parece que tem um monte de arara naquela rua ali, amor. Vamos voltar’. Aí voltamos e realmente tinha um monte. Elas estavam comendo aquela bocaiúva, aquele chicletinho cuiabano”, contou Rodrigo.

Como a bocaiúva virou o 'chiclete cuiabano'

A bocaiúva, fruto de uma palmeira comum no Cerrado e no Pantanal, ganhou um nome que mistura um hábito de consumo local com a história de isolamento de Cuiabá.

Antes de o chiclete se tornar um produto comum em Cuiabá, a bocaiúva já era usada como uma espécie de substituto nas sessões de cinema. Segundo o Paulo Boute, nas décadas de 1950 e 1960, era comum que algumas pessoas levassem sacos do fruto para comer durante os filmes.

Depois de roer a parte amarela e fibrosa da bocaiúva, as sementes eram descartadas no chão do cinema. A prática, segundo Paulo, ajudou a popularizar o apelido de “chiclete cuiabano”.

“Você tem que pôr na boca e você tem que ir roendo. E nessa de roer dá a impressão que você está com um chiclete na boca.”

O nome também estaria relacionado ao isolamento histórico de Cuiabá. De acordo com o guia, a cidade ficou por mais de 250 anos com acesso difícil a outras regiões do país. Na época, produtos como o chiclete eram considerados artigos de luxo e chegavam à capital mato-grossense com dificuldade e a preços altos.

“Chiclete era um artigo de luxo. E nessa daí o pessoal falou: ‘A gente precisa de chiclete lá do Rio. A gente tem o nosso próprio chiclete cuiabano’.”

Assim, a bocaiúva, fruto de uma palmeira comum no Cerrado e no Pantanal, ganhou um nome que mistura um hábito de consumo local com a história de isolamento de Cuiabá.

A rotina das araras

As araras-canindé são aves sociais e costumam se alimentar e se deslocar em grupos. Segundo o agrônomo e guia de turismo do Pantanal Paulo Boute, esse comportamento é comum em diferentes regiões de Mato Grosso.

De acordo com Paulo, na região de Campo Novo do Parecis e Primavera do Leste, por exemplo, é possível encontrar bandos de araras em plantações de milho e girassol. Elas também costumam buscar áreas urbanas para passar a noite, principalmente em locais onde ficam protegidas de predadores.

“Elas buscam ficar a dormir na cidade, porque ali tem proteção. Não tem animal que vai predá-las durante o sono delas.”

Segundo o guia, pelo menos seis araras costumam dormir todas as noites em palmeiras próximas à casa dele. Apesar de ser comum encontrar as aves em grupos, a aproximação de pessoas e veículos durante a alimentação não é um comportamento tão habitual.

Araras-canindés comendo bocaiúva em Cuiabá

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