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Dados da plataforma INSPIRE, do Infinis, mostram que 43,4% dos alunos no AP sofrem bullying.
G1 — Brasil · 2026-10-02T20:56:09.000Z
Dados da plataforma INSPIRE, do Infinis, mostram que 43,4% dos alunos no AP sofrem bullying.
Dados reunidos na plataforma INSPIRE — iniciativa desenvolvida pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) —, revelam um cenário crítico no Amapá: 43,4% dos estudantes amapaenses de 13 a 17 anos relatam ter sido vítimas de bullying (foram zoados, intimidados, humilhados ou esculachados por colegas na escola).
O estado registra a segunda maior taxa de vitimização de toda a Região Norte, ficando bem acima da média nacional brasileira, que é de 40,0%.
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Na comparação regional disponibilizada na plataforma INSPIRE, o Amazonas lidera com 43,7%, seguido pelo Amapá (43,4%), Roraima (42,6%), Acre (41,4%), Tocantins (41,0%), Rondônia (38,4%) e Pará (37,2%).
A plataforma foi criada pelo Infinis com base em diretrizes internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Unicef para agrupar indicadores estratégicos e auxiliar gestores públicos no planejamento de ações contra a violência infantojuvenil.
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Lançamento da plataforma Inspire, em São Paulo
🔎 Pesquisa do Infinis/Quaest
percepção de insegurança e violência entre alunos
Em outro levantamento, realizado por meio de uma pesquisa de opinião encomendada pelo Infinis ao Instituto Quaest (em parceria com a Fundação José Luiz Setúbal), foi avaliada a percepção da população brasileira sobre a segurança no ambiente escolar.
Na Região Norte:
73% dos moradores consideram as escolas pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes.
Entre os entrevistados que veem o ambiente escolar como inseguro, 79% atribuem o problema à violência entre os próprios estudantes — o maior percentual do país, à frente do Centro-Oeste (77%), Nordeste (71%), Sudeste (70%) e Sul (61%).
Para a diretora executiva do Infinis, Márcia Kalvon, o avanço da violência para dentro das salas de aula compromete o aprendizado.
"A escola precisa ser um espaço seguro para o desenvolvimento e a criação de vínculos. A pesquisa aponta caminhos para reverter esse quadro, como o fortalecimento da capacidade de famílias e educadores de reconhecer e enfrentar situações de violência", destacou
📳Internet e cyberbullying
O estudo também avaliou as ameaças no ambiente virtual. Na Região Norte, 82% da população avalia que crianças e jovens estão expostos a crimes virtuais, e 31% relatam conhecer vítimas de cyberbullying ou constrangimento online. Em todo o país, 89% dos entrevistados veem o público infantojuvenil como vulnerável na rede.
Segundo a executiva, a aplicação prática do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital é urgente para proteger os jovens da região.
"O ECA Digital trouxe responsabilização e diretrizes inovadoras. O desafio atual é garantir que a lei saia do papel e passe a fazer parte da vida cotidiana das famílias", ressaltou.
O levantamento revelou ainda uma queda na supervisão familiar com o avanço da idade. Enquanto 94% dos pais acompanham o uso da internet por crianças de até 5 anos, o índice cai para 68% na faixa de 15 a 17 anos.
Para Márcia, a transição exige diálogo: "É preciso orientar os pais para que conversem com os jovens sobre os riscos virtuais sem invadir a privacidade deles".
Estudo sobre insegurança nas escolas
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Como gestores podem usar os dados
A plataforma INSPIRE, lançada durante fórum em São Paulo, é uma ferramenta baseada em diretrizes de organismos internacionais. A plataforma foi criada para auxiliar gestores públicos, incluindo estaduais e municipais do Amapá, no planejamento de ações contra a violência infantojuvenil.
A Diretora Márcia reforçou que o planejamento na Região Norte precisa considerar os povos originários e as comunidades tradicionais.
"Não é possível planejar intervenções no Norte sem considerar aspectos culturais, territoriais, as comunidades ribeirinhas e o combate ao racismo. A ação pública precisa respeitar as especificidades regionais e locais para não gerar novas formas de violência", afirmou a executiva.
Baixa confiança e integração
Segundo a pesquisa Quaest, apenas 30% dos brasileiros afirmam confiar muito nas escolas para proteger os jovens. Para reaproximar as instituições de ensino da comunidade, a diretora defende a integração entre Educação, Saúde e Assistência Social.
"A violência é um fenômeno complexo. Precisamos unir a escola, as famílias, os Conselhos Tutelares e todo o sistema de garantia de direitos em uma rede de proteção eficiente", concluiu.
Sobre a pesquisa
A pesquisa "Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes no Brasil" ouviu 2.202 pessoas com 18 anos ou mais em 128 municípios brasileiros, entre 29 de maio e 7 de junho de 2026. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
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