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Menino de 4 anos com QI 132 aceito em grupo de superdotados já faz equações: 'Evoluiu', diz mãe

Com QI 132, menino de 3 anos é aceito em comunidade internacional para superdotados

G1 — Brasil · 2026-10-03T11:00:00.000Z

Com QI 132, menino de 3 anos é aceito em comunidade internacional para superdotados

Quase um ano depois de ser aceito em uma comunidade internacional para superdotados, Gabriel Francisco Novaes, de 4 anos, continua surpreendendo com conhecimentos e questionamentos considerados incomuns para a faixa etária.

Ele teve a superdotação identificada em uma avaliação que apontou Quociente de Inteligência (QI) de 132, índice considerado acima da média. O menino já tem familiaridade com sete idiomas que, inclusive, diferem do alfabeto utilizado no português, como o grego e o russo.

A família, que mora em Tapiraí (SP), chegou a planejar uma mudança para Sorocaba (SP) para que Gabriel pudesse estudar em uma escola voltada a crianças superdotadas.

Ao g1, a mãe, Kelidy Novaes, conta que, no entanto, as condições financeiras fizeram com que a família buscasse uma bolsa de estudos, mas, até o momento, nenhuma instituição ofereceu o benefício.

"Ainda é um plano para nós. Agora, o que mais está segurando a gente é o meu trabalho. Eu estou no segundo de três anos de estágio probatório. O plano é sair daqui somente em 2028", comenta.

Entretanto, a mulher, que é professora do ensino fundamental, relata que Gabriel continua "do mesmo jeitinho". Para ela, o menino sempre surpreende com perguntas consideradas "estranhas" para a idade que tem.

"Ele sempre chega até nós com coisas novas e perguntas estranhas. Esses dias, ele me perguntou o porquê de Jesus ter morrido em uma cruz, o porquê de ninguém ter ajudado a carregá-la. Ele remói coisas assim o dia todo e eu tenho que dar uma resposta, senão ele não se contenta", diz.

Gabriel tem quatro anos e faz operações matemáticas complexas

Além das perguntas inusitadas, Gabriel também se tornou fã de figuras de linguagem, especialmente da ironia. Segundo a mãe, o menino gosta de fazer comentários irônicos e, em seguida, deixar claro que estava sendo irônico.

"Ele gosta de entender os sentidos, sobre o que as pessoas estão tentando dizer somente com as expressões faciais. Agora, ele aprendeu o que é ironia e age assim o tempo todo, mas, depois, ele conta que foi irônico", relata.

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Além das habilidades emocionais e de comunicação, o menino desenvolveu a capacidade de realizar cálculos matemáticos complexos para a idade, como potenciação e raiz quadrada.

Apesar disso, ele continua matriculado em uma escola pública, onde estuda com crianças da mesma faixa etária e convive com colegas que seguem o aprendizado esperado para a idade.

"Ele evoluiu bastante na creche e a professora diz que ele está muito melhor na questão da socialização. Nosso maior medo é ele parar de ser criança. A professora está tentando fazer o melhor por ele, mas, pela limitação da faixa etária e por ser uma escola pública, ela não tem como preparar raiz quadrada", conta.

Menino tem apenas quatro anos

Antes, ir à escola era visto pelo menino como uma obrigação cansativa. Com o apoio da professora, porém, a rotina escolar se tornou mais fácil. Para a mãe, a maior mudança percebida ao longo do último ano foi justamente na socialização do filho.

"Eu fiz a matrícula na pré-escola, ele conheceu a escolinha, mas não estava nada empolgado. A professora dele estava lá e ajudou bastante, junto ao psicólogo. Ele está evoluindo muito, brincando bastante. Eu fiquei feliz quando vi ele brincando com um carrinho", compartilha a mãe.

Gabriel é superdotado e foi aceito na Mensa

Aprendizados em casa

Como a escola não consegue oferecer atividades compatíveis com o nível de conhecimento de Gabriel, a mãe aproveita a experiência como professora do ensino fundamental para estimular novas habilidades em casa.

Entre as atividades estão exercícios de matemática, leitura de livros e jogos de raciocínio lógico.

"Faço contas a mais que ele pede, raciocínio lógico, jogos. Nós montamos a atividades e eu ensinei ele a pesquisar. Fomos até um lugar, colhemos diversas plantas que ele se interessou e começamos a fazer as pesquisas no Google por meio das imagens, para entender o nome científico", conta.

A família também costuma levar Gabriel a ambientes externos, onde ele pode explorar a curiosidade, desenvolver a criatividade e ampliar os conhecimentos.

"Levei ele à cachoeira para ele poder analisar o solo e a temperatura da água, e foi uma experiência interessante. Tento suprir partes emocionais, comprando jogos que mostram as emoções e tudo mais. Tenho que suprir o que, infelizmente, a escola não consegue oferecer", complementa.

O pai, segundo Kelidy, também tem um papel muito importante no desenvolvimento do filho. Ele é o principal responsável pelas "brincadeiras de criança" nos tempos livres.

"Ele ensina o Gabriel a virar estrelinha, jogar futebol, soltar pipa, andar de bicicleta. Tudo que é 'bagunça' envolve o pai. Ele tinha muito medo de altura e o pai fez ele perder isso. Eu faço o cognitivo, e o pai faz as brincadeiras de criança", finaliza a mãe.

Família pretende se mudar para Sorocaba (SP) após o laudo

'Ele entende as diferenças'

Outro ponto positivo apontado por Kelidy é que Gabriel conseguiu fazer amizades na escola. Dentro de casa, a mãe reforça que, apesar de ter um conhecimento diferenciado, ele deve sempre respeitar os amigos.

"A professora tem colocado alunos para brincar com ele, justamente para ele poder aprender o tempo de espera e de aprender a conversar. Ele tem estado muito feliz com isso. Ele entende as diferenças e melhorou muito. Por mais que ele saiba fazer coisas que as outras crianças não, eu não vejo ele desmerecendo os outros", aponta.

Gabriel costuma até ajudar os alunos com aprendizados novos. Recentemente, ele ajudou uma colega a escrever o próprio nome, algo que a menina não sabia fazer até então.

"Ele perguntou se ela sabia escrever o nome dela, e ela respondeu que não sabia. O Gabriel pediu para que ela se sentasse ao lado, enquanto ele fazia pontilhados do nome da menina para ela escrever por cima. Ele também fez isso com as palavras 'pai' e 'mãe'. Ele sempre foi muito fofo."

Gabriel tem uma irmã mais velha

Relembre a história

Gabriel foi aceito na Mensa International, sociedade que reúne pessoas com alto desempenho intelectual e é considerada a mais antiga organização do gênero no mundo.

Na época, a mãe do menino contou ao g1 quando começou a perceber que ele apresentava conhecimentos incomuns para a idade.

"Eu sou professora, então, sempre quis ensinar as coisas a ele. Quando o Gabriel tinha um ano, imprimi o alfabeto para colar na parede, mas quando coloquei, ele já estava falando as letras em português e inglês. Confesso que fiquei espantada, afinal, onde é que ele aprendeu isso? O número nove, por exemplo, ele só falava 'nine'. Ele aprendeu a pronúncia em inglês primeiro."

A mãe explica que, depois dessa situação, o menino passou a surpreender ainda mais a família. Em um dos momentos, ele foi flagrado pela família assistindo e cantarolando um vídeo que, na legenda, era um idioma desconhecido pelos parentes.

"Tirei um print do vídeo, joguei na inteligência artificial e acusou que ele estava cantando em russo. Depois disso, veio o inglês, português, grego, armênio, russo e a Língua Brasileira de Sinais (Libras)", diz.

Quando a família a investigar a possibilidade de Gabriel ser superdotado, descobriram que o menino possuía uma idade mental de aproximadamente seis anos, ou seja, o dobro da idade que ele tinha na época.

"Ele também se comunica com palavras formais e consideradas incomuns até nas relações interpessoais envolvendo adultos, com uma dicção muito além do esperado para uma criança de apenas três anos", conta Kelidy.

Gabriel tem familiaridade com sete idiomas diferentes

Como identificar a superdotação?

De acordo com a Mensa Brasil, existe uma série de características em crianças que podem identificar uma superdotação.

Elas foram definidas pela Secretaria da Educação Especial do Ministério da Educação (MEC) em 2006 e, entre elas, está o alto repertório de vocabulário para a idade. Confira a lista:

Alto grau de curiosidade;

Vocabulário avançado para a sua idade;

Liderança e autoconfiança;

Grande interesse por um assunto e especial dedicação a ele;

Facilidade de aprendizagem;

Excelente desempenho em uma ou mais disciplinas em comparação a seus pares;

Habilidade para adaptar ou modificar ideias;

Facilidade em fazer observações perspicazes;

Persistência ao buscar um objetivo;

Comportamento que requer pouca orientação do professor.

Segundo a comunidade, o conceito de superdotação é considerado polêmico e é instável, ou seja, pode mudar com o passar do tempo. De qualquer forma, é necessária uma série de testes e consultas com profissionais especializados para averiguar a situação de uma forma correta e mais aprofundada.

" A avaliação deve incluir, além dos testes de inteligência, também uma anamnese completa e detalhada, incluindo perguntas sobre os pais, as condições da gravidez da criança, o parto e o seu desenvolvimento até a data da avaliação, bem como o profissional deve fazer uso de outros testes neuropsicológicos, de acordo com as características, queixas, sintomas e comportamentos relatados pelos pais, pela escola e observados pelo profissional, em consultório", completa.

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