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'Está curto e é proibido entrar assim', disse segurança sobre advogada que foi pedida para ‘abaixar a saia’ ao entrar no TJ

Advogada denuncia pedido para ‘abaixar a saia’ para entrar no Tribunal de Justiça de Goiás

G1 — Brasil · 2026-10-03T16:34:06.000Z

Advogada denuncia pedido para ‘abaixar a saia’ para entrar no Tribunal de Justiça de Goiás

Uma frase dita por uma segurança na entrada do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), em Goiânia, causou repercussão. A advogada Anabel Pitaluga contou ao g1 que foi fazer uma sustentação oral na 5ª Câmara Cível quando foi repreendida. O pedido para que ela “abaixasse a saia” foi feito a uma colega que a acompanhava, pois Anabel estava ao telefone naquele momento.

“Pede para ela abaixar a saia, porque está curto e é proibido entrar assim”, teria dito a segurança.

O caso aconteceu na tarde de terça-feira (29). Após ser repreendida, a advogada relatou ter se sentido constrangida.

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O nome da segurança não foi divulgado. Em nota, o TJ-GO informou que tomou conhecimento do relato e que o Gabinete Militar, responsável pelo controle de acesso, apura as circunstâncias do caso. O tribunal disse ainda que as equipes de recepção e segurança receberão nova orientação sobre a norma (leia a íntegra ao fim do texto).

A OAB-GO informou que acompanha o caso, prestou apoio integral à advogada e mantém diálogo institucional com a direção do TJ-GO para o aprimoramento dos procedimentos e protocolos de portaria (leia a íntegra ao fim do texto).

Advogada denuncia pedido para ‘abaixar a saia’ para entrar no Tribunal de Justiça, em Goiás

Segundo Anabel, ela usava um conjunto verde quando a segurança pediu que ela “abaixasse a saia” (veja acima). “Era uma saia de, no máximo, dois dedos acima do joelho, confeccionada em um tecido mais firme, que praticamente não se movimenta para cima ou para baixo”, disse.

A advogada contou que já havia chegado atrasada e resolvia uma questão profissional pelo telefone. Quem a acompanhava era a advogada do mesmo escritório, Gabriela Fernandes.

Após passar pela recepção, Anabel se identificou e recebeu um adesivo da OAB, que foi colocado em sua blusa, antes de seguir em direção à catraca. Nesse momento, as duas foram abordadas pela segurança.

“A Gabriela olhou para ela, claramente surpresa. Eu também fiquei sem entender o que estava acontecendo. E a segurança repetiu: ‘Pede para ela abaixar a saia, está curta.’”, relembrou.

Anabel disse que olhou para a própria roupa e segurou a barra da saia. “Naquele momento, fiquei muito constrangida e, ao mesmo tempo, indignada, porque eu não considerava, e continuo não considerando, que aquela roupa ofendesse o decoro exigido no ambiente forense”, destacou.

Inicialmente, ela afirmou que não parou para refletir sobre o que havia acontecido, pois precisava se concentrar no trabalho que havia ido fazer. “Eu precisava me recompor, porque estava ali para exercer o meu trabalho e defender a minha cliente”, pontuou.

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Advogada Anabel Pitaluga

Após finalizar os compromissos do dia, a advogada decidiu fazer o desabafo nas redes sociais e se surpreendeu com a repercussão.

“O que tem me surpreendido muito desde então é a quantidade de manifestações que recebi, tanto de apoio quanto de críticas. E algumas críticas vieram, inclusive, de mulheres e de mulheres advogadas”, afirmou Anabel.

De acordo com Anabel, se existe uma exigência de vestimenta para a advocacia, os profissionais precisam saber exatamente qual é a norma, qual é o critério e quem tem competência para estabelecê-lo. “A regulamentação da vestimenta profissional da advocacia está inserida na competência da OAB, e não pode ficar submetida ao julgamento subjetivo de quem estiver responsável pelo controle de acesso ao Tribunal”, ressaltou.

Leia a nota do TJ-GO

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) tomou conhecimento do relato da advogada abordada quando se dirigia a uma sessão de julgamento para fazer sustentação oral. O Gabinete Militar, responsável pelo controle de acesso, apura as circunstâncias do fato. As equipes de recepção e segurança receberão nova orientação sobre a Norma. O Tribunal está à disposição da advogada e da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Goiás (OAB-GO), para tratar do caso.

Leia a nota da OAB-GO

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) acompanha com atenção o episódio ocorrido na entrada do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) com a advogada Anabel Pitaluga, quando ela se dirigia a uma sessão de julgamento para a realização de sustentação oral.

A instituição reitera que o livre acesso dos profissionais da advocacia às dependências judiciais é garantia basilar do exercício profissional e da ampla defesa, cabendo exclusivamente à OAB, por força de lei federal (Lei nº 8.906/1994, art. 58, XI), disciplinar sobre a indumentária da classe.

Sob a perspectiva de gênero, a Ordem destaca as diretrizes protetivas previstas no art. 7º-A do Estatuto da Advocacia e no Provimento nº 228/2024 do Conselho Federal, que visam assegurar um ambiente isento de barreiras ou constrangimentos à mulher advogada.

Nesse sentido, a forma de abordagem dispensada aos advogados e advogadas nas dependências forenses é objeto de especial atenção e acompanhamento por parte da Seccional. Ao prestar integral apoio e solidariedade à colega, a OAB-GO informa que mantém diálogo institucional com a direção do TJGO com vista ao aprimoramento dos procedimentos e protocolos de portaria, de modo a compatibilizar as rotinas de segurança com o pleno respeito à dignidade e às prerrogativas da advocacia.

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