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Aos 106 anos, eleitora que nasceu antes da Justiça Eleitoral vota neste domingo em SP

Carmelina Alves Nogueira, de 106 anos e moradora do Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo

G1 — Brasil · 2026-10-04T15:16:01.000Z

Carmelina Alves Nogueira, de 106 anos e moradora do Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo

Aos 106 anos, Carmelina Alves Nogueira, moradora do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo,fez questão de votar nas eleições deste domingo (4). Acompanhada da neta, a idosa chegou pela manhã ao colégio eleitoral localizado no mesmo bairro onde mora.

A história de Carmelina representa um grupo cada vez mais numeroso no eleitorado brasileiro. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o país tem atualmente 298.239 eleitores com 100 anos ou mais, faixa etária que corresponde a 0,19% do eleitorado total (veja mais abaixo).

Para a TV Globo, a idosa disse que o ato de votar tem um significado simples: “eu gosto [de votar] porque quero que meu candidato ganhe.”

Sobre o que espera de quem ocupa cargos públicos, Carmelina é direta: “[um candidato deve] ser uma pessoa honesta e fazer tudo o possível de governar direito. Escolham bem seus candidatos”, aconselha.

A neta que a acompanhou contou que a votação da avó foi tranquila e que ela teve prioridade por causa da idade. Segundo ela, como o título de eleitor da idosa é antigo, a família precisou confirmar o número da seção antes de entrar.

“Mas foi tranquilo. Todo mundo deixou ela passar na frente, né? Porque ela tem a super prioridade. [...] Aí as pessoas que estavam na frente acabaram cedendo o lugar para ela. Aí ela votou rapidinho", ressaltou.

Carmelina, de 106 anos, esperando para votar neste domingo (4).

Quem é Carmelina

Carmelina nasceu antes da criação do primeiro Código Eleitoral, instituído em 1932. Ao longo da vida, acompanhou mudanças no sistema de votação brasileiro, transformações políticas e diferentes gerações de eleitores.

Casada aos 16 anos, ela dedicou grande parte da vida à família. Morava no interior paulista quando o marido recebeu uma proposta de trabalho na antiga Estrada de Ferro Sorocabana. Foi assim que, por volta dos 30 anos, deixou a região de Tatuí e foi morar na capital paulista.

Teve 11 filhos, dos quais quatro estão vivos. A família já alcança cinco gerações.

Carmelina Alves vota em São Paulo

A mobilidade da eleitora segue preservada e a bengala, frequentemente recomendada pelos familiares, acabou ganhando uma função curiosa. Segundo a família, ela prefere levá-la para “passear” do que usá-la como apoio.

A longevidade de Carmelina também é celebrada todos os anos. Depois da festa de aniversário, ela mantém um ritual que virou marca registrada entre os parentes.

“Sempre depois da festa de aniversário, que ela faz questão de comemorar, ela se despede de todos dizendo até o ano que vem”, disse à TV Globo a neta Eliane Nokata.

Aniversário de 106 anos foi comemorado em março

Atualmente, o Brasil tem 298.239 eleitores com 100 anos ou mais, faixa etária que corresponde a 0,19% do eleitorado total.

No Brasil, o eleitorado total apto a votar soma 158.745.463 pessoas. Desse total, 22.203.912 estão no grupo para o qual o voto é facultativo, caso dos centenários.

Entre os estados, o Rio de Janeiro concentra o maior número de eleitores com mais de 100 anos: são 105.262 pessoas, o equivalente a 35% desse público. Na sequência aparecem São Paulo, com 79.874 eleitores centenários, e o Rio Grande do Sul, com 21.022.

O brasileiro centenário

Até maio do ano passado, as três pessoas mais longevas do mundo eram brasileiras, explica Mayana Zatz, professora titular de genética do Centro do Genoma da USP.

“A freira Inah, que faleceu com quase 117 anos, e dois homens, um deles, hoje com 114 anos, é o homem mais velho do mundo”, conta a especialista.

O grupo no Centro do Genoma está pesquisando centenários e já coletou amostras de 240 pessoas, sendo que 20 são chamadas de supercentenários, por terem mais de 110 anos.

“O que chama a atenção é que muitos desses centenários continuam lúcidos depois dos 100 anos. Eles mantêm a capacidade cognitiva que tinham quando mais jovens. Para entender melhor como funciona o cérebro desses centenários, estamos derivando no laboratório neurônios a partir do sangue.”

“Esses centenários têm genes de resistência, mas além da parte genética sabemos que o exercício físico é muito importante para manter o cérebro ativo. Já se demonstrou que o exercício físico aumenta a neurogênese, isto é a formação de novos neurônios. Temos centenários que são campeões de natação e todos eles têm um cérebro funcionando muito bem”, detalha Zatz.

A pesquisa ainda está recrutando centenários. Famílias que queiram participar do projeto podem entrar em contato pelo e-mail DNAlongevo@usp.br.

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