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Pamela Mota Oliveira, fundadora da Made in Amazon
G1 — Brasil · 2026-10-05T14:18:26.000Z
Pamela Mota Oliveira, fundadora da Made in Amazon
Neste 5 de outubro, Dia do Empreendedor, a trajetória da fundadora da Made in Amazon, a empresária Pamela Mota Oliveira, tem o que comemorar. No mês de setembro, ela conquistou o 2º lugar no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, etapa regional, categoria Pequenos Negócios, uma das principais premiações do empreendedorismo feminino do país.
O reconhecimento destaca um modelo de negócio que aposta em um setor em expansão e confirma que manter a floresta em pé pode gerar bons investimentos. Dados de 2026 do WRI Brasil apontam que a bioeconomia já gera um PIB de R$ 12 bilhões somente na Amazônia Legal, com estimativa de chegar a R$ 38,6 bilhões em 2050 e gerar mais de 800 mil novos empregos, substituindo atividades historicamente associadas ao desmatamento. É nesse cenário que empreendimentos como a Made in Amazon ganham espaço.
Da feira ao clique
Como em muitas histórias de empreendedorismo, a ideia partiu de uma demanda observada na prática, em feiras e exposições pelo país. “A ideia surgiu a partir de várias viagens ao lado do meu esposo Orsine Oliveira Júnior, onde percebemos o desejo das pessoas em ter produtos e artesanatos da Amazônia. A dificuldade dos artesãos em ter como vender esses produtos de uma maneira mais acessível nos fez enxergar essa modalidade de negócio, uma vez que dessa forma podemos chegar a qualquer lugar do mundo”, conta Pamela.
Hoje a Made in Amazon conecta artesãos, ribeirinhos e produtores amazonenses a consumidores de todo o Brasil e do exterior. Para a fundadora, o que está à venda vai além do produto em si: “Vendemos a arte que emana da floresta, traduzida pelas mãos daqueles que sabem muito sobre ancestralidade, identidade e regionalismo. Queremos sempre contar a história desses produtos, porque o que vale mesmo é saber a origem, o insumo e como ele é feito.”
Reconhecimento que confirma uma visão
O prêmio do Sebrae reforça a ideia de que negócio e floresta em pé podem caminhar juntos. “Precisamos ser vistos como produtores de valores, aqui incluo valores reais em preservação da floresta através do reaproveitamento de insumos como subsistência e o reconhecimento da floresta em pé como um ativo econômico. Mas a maior transformação vai ser quando o mundo perceber que o maior produto da Amazônia não é a matéria-prima, mas o valor que nasce do conhecimento de quem vive na floresta”, resume Pamela.
Pamela Mota Oliveira na entrega do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios
Uma rede que já reúne mais de dez fornecedores
Atualmente, a Made in Amazon trabalha com mais de dez fornecedores, cada um à frente de sua própria equipe de artesãos, em municípios como Manaus, Parintins, Careiro Castanho, Novo Airão, Maués e Apuí. O primeiro ano de operação, segundo a fundadora, foi de consolidação, com crescimento mês a mês e ponto alto no lançamento da coleção Raízes.
“Esse nosso primeiro ano foi marcado por um trabalho de consolidação que veio crescendo todos os meses. A nossa coleção Raízes foi pensada com muito carinho e foi um sucesso”, afirma.
Marchetaria e centros de mesa: a floresta como matéria-prima
Entre as técnicas trabalhadas pela marca, como marchetaria, trançados, bordados, velas e centros de mesa, Pamela destaca duas como as que mais expressam o compromisso com a floresta em pé: “Acredito que sejam a marchetaria e os centros de mesa. Eles extraem fortemente o que é da floresta, desde a madeira recolhida nos rios até os caroços e miçangas de frutos da Amazônia”, explica.
Antes de chegar à casa do consumidor, cada peça da curadoria passa pelas mãos dos artesãos, responsáveis por transformar matérias-primas da região em objetos com identidade e história.
Essa relação direta com a matéria-prima também aparece na forma como a marca enxerga seus parceiros. “Todos eles carregam um pouco dessa tradição, seja na culinária, seja numa técnica. E quando colocam isso junto com a arte, temos resultados lindos e cheios de significado. O resultado é uma coleção que reúne conhecimento, matéria-prima e talento: peças feitas para serem vistas, tocadas e vividas no dia a dia”, diz Pamela.
Colar com pingente em marchetaria
Bioeconomia como caminho de desenvolvimento
Para a fundadora, a Made in Amazon se insere em um projeto maior de posicionamento do Amazonas na economia baseada na floresta. “Queremos contribuir para um modelo de desenvolvimento que mantenha a floresta viva, fortaleça as comunidades locais e posicione o Amazonas como referência mundial em inovação baseada na sua biodiversidade e riqueza”, afirma.
A empresária explica que o trabalho de bastidores está sincronizado com a proposta da plataforma. “Um exemplo: diferentes madeiras são cuidadosamente cortadas e encaixadas. As cores naturais da floresta se encontram para formar desenhos únicos, revelando detalhes que só o trabalho manual consegue alcançar. Nos trançados, outro exemplo, as fibras ganham forma em movimentos precisos. Cada trama cria relevo, profundidade e uma conexão direta com saberes transmitidos ao longo das gerações”, pontua.
Próximos passos: expansão além do Amazonas
Para os próximos doze meses, a marca planeja ampliar sua presença para além das fronteiras do estado. “Queremos fortalecer ainda mais nossa presença levando nossa identidade cultural; ampliar nossa rede de artesãos para fora do Amazonas, para outros estados da região amazônica, além de investir ainda mais em rastreabilidade e na comunicação do impacto gerado por cada produto”, projeta Pamela.
Ao falar sobre o que move o negócio, a fundadora resume o propósito da marca: “Queremos fortalecer a ideia de que a floresta em pé gera valor, oportunidades e futuro, transformando a riqueza da Amazônia em desenvolvimento sustentável para quem vive dela.”
Sobre a Made in Amazon
Plataforma de e-commerce fundada por Pamela Mota Oliveira que conecta consumidores a produtos autorais inspirados no patrimônio cultural e natural da Amazônia. Reúne peças feitas com técnicas manuais tradicionais como marchetaria, trançados, bordados, velas e centros de mesa, valorizando a produção artesanal amazonense e fomentando a bioeconomia regional.
A venda é feita por loja própria online, sem intermediários, com a narrativa e o processo criativo de cada peça apresentados diretamente ao público. Entre os destaques está a coleção Raízes Parintins, inspirada no Festival Folclórico de Parintins.
Em 17 de julho de 2026, a marca completou um ano, data que coincide com o Dia de Proteção às Florestas (Dia do Curupira), reforçando o vínculo entre a marca e a preservação da floresta.
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Centro de mesa feito com insumos da floresta