ITATIBA1

Quais desafios Marcos Rogério (PL) terá nos próximos quatro anos como governador de Rondônia

Marcos Rogério é eleito governador de Rondônia

G1 — Brasil · 2026-10-05T15:56:02.000Z

Marcos Rogério é eleito governador de Rondônia

Marcos Rogério (PL) foi eleito governador de Rondônia e deverá comandar o estado pelos próximos quatro anos, a partir de 2027. Durante o mandato, ele deverá enfrentar desafios como melhorar a saúde pública, reduzir os índices de violência e ampliar a infraestrutura para impulsionar a economia e a mobilidade no estado.

Nas duas primeiras pesquisas Quaest contratadas pela Rede Amazônica, realizadas em agosto e setembro, os eleitores apontaram esses como os principais problemas do estado. As questões também aparecem em um guia elaborado pelo Tribunal de Contas de Rondônia (TCE-RO), que apresenta os principais desafios econômicos e fiscais do estado para o próximo quadriênio.

Confira os principais desafios:

Fazer o prometido caber no orçamento

Durante a campanha, o TCE-RO reuniu todos os candidatos e apresentou o raio-x das contas do estado usando como base o relatório de gestão. O documento alerta que mais de 90% dos recursos estaduais, equivalente a R$ 15,05 bilhões, já estão comprometidos com despesas correntes, como o pagamento de pessoal e ao custeio da estrutura pública. Apenas 8% foram destinados a investimentos.

Para 2027, a margem para criação de novas despesas obrigatórias foi apontada como praticamente inexistente sem compensações ou cortes. Ou eja, o candidato terá pouco espaço fiscal para aumentar as despesas e garantir as promessas de campanha.

Além disso, o plano de governo do novo governador estabelece formalmente os seguintes compromissos com os contribuintes:

Não criar novos impostos;

Não elevar alíquotas estaduais;

Não aumentar a carga tributária.

Os eleitores classificam a saúde como o maior problema de Rondônia, segundo a Quaest. Para resolver essa questão, governos anteriores prometeram a construção de um novo hospital de urgência e emergência na capital, para desafogar os atendimento no João Paulo II, que atende os pacientes de todo o estado. Essa nova unidade nunca foi entregue.

O Tribunal de Contas realizou avaliações técnicas da infraestrutura hospitalar estadual de Rondônia e constatou que importantes hospitais operam no limite do desgaste, gerando riscos assistenciais, custos elevados e impacto direto na vida das pessoas.

Na prática, Marcos Rogério terá que enfrentar questões como:

filas e demora para consultas e exames;

estrutura dos hospitais estaduais;

falta ou distribuição inadequada de profissionais;

atendimento no interior;

transporte de pacientes;

regulação de vagas.

Segurança pública e violência de gênero

Rondônia foi um dos sete estados brasileiros que registraram aumento nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Enquanto o Brasil reduziu esse tipo de crime, o estado teve alta de 7,5% em relação a 2024.

Além disso, o estado é o segundo que mais mata mulher no estado, também de acordo com o anuário. O estado registrou uma taxa de 2,9 feminicídios para cada 100 mil mulheres, a segunda maior do país. Nos anos anteriores, esteve em primeiro lugar nesse cenário.

Em contrapartida, apenas oito delegacias de atendimento especializado à mulher existem no estado. Nenhuma delas funciona 24 horas por dia. Em Porto Velho, capital de Rondônia, não tem uma delegacia com sede própria para atendimento à mulher. Vítimas de violência doméstica e de outros crimes de gênero precisam buscar ajuda na Unidade Integrada de Segurança Pública (Unisp), na Zona Leste da capital.

Além disso, o estado é uma das principais portas de entrada do mercúrio ilegal na Amazônia. O metal atravessa a fronteira entre as cidades-gêmeas de Guajará-Mirim, no Brasil, e Guayaramerín, na Bolívia. Em solo brasileiro, é distribuído clandestinamente para uso no garimpo ilegal. Rotas semelhantes são usadas para tráfico de drogas e venda de produtos oriundos de roubo e furto.

Por outro lado, Rondônia tem apenas 28,1% do número de policiais civis que a lei determina como necessário, o que coloca o estado com o maior déficit do país, segundo o Raio-X das Forças de Segurança divulgado em agosto desse ano.

📊O déficit de efetivo não é exclusivo da Polícia Civil, embora nela seja mais acentuado. A Polícia Penal opera com apenas 35,8% do efetivo previsto. Já a Polícia Militar possui uma ocupação maior, de 57,4%, mas ainda carece de quase metade das vagas que deveriam ser preenchidas.

Infraestrutura rodoviária e logística

O guia do TCE-RO apresenta Rondônia com cerca de 76% de sua malha rodoviária sem pavimentação e apenas 24% pavimentada. Problemas como esse fazem com que o transporte consuma 15,24% do PIB estadual.

O documento também aponta a baixa capacidade de investimento do Departamento Estadual de Estradas de Rodagens e Transportes. Em 2023, o órgão aplicou apenas R$ 1,03 em obras para cada R$ 1,00 gasto com sua manutenção administrativa.

Por cerca de 10 anos, Porto Velho sempre esteve nas piores colocações dentre as 100 maiores cidades do país quando se trata de saneamento básico. Os dados são Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria GO Associados. E os problemas de saneamento se espalham por todo o estado.

A Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd) é uma empresa estadual que presta serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em municípios do estado. Mas a estatal enfrenta problemas. Em 2024, a própria Caerd informou que tinha uma dívida de R$ 1,6 bilhão com o fisco federal.

Em julho, o governo de Rondônia publicou o aviso de licitação internacional para transferir para uma empresa privada a responsabilidade pelos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário no estado por meio de um contrato de concessão com valor estimado em R$ 8,47 bilhões. Em setembro, o leilão foi cancelado porque nenhuma empresa apresentou proposta comercial dentro do prazo estabelecido para a entrega dos envelopes na B3, em São Paulo.

A regularização fundiária é um problema complexo que envolve terras públicas, ocupações antigas, conflitos pela posse da terra e preservação ambiental. Uma das demandas é garantir segurança jurídica a produtores e moradores que ocupam essas áreas há décadas, mas há diversos fatores que precisam ser considerados:

se a área é pública ou privada;

quem é o ocupante legítimo;

se existem sobreposições;

se a área está dentro de unidade de conservação;

se há restrições ambientais;

se existe conflito de posse;

se há comunidades tradicionais envolvidas.

Marcos Rogério (PL) em coletiva após ser eleito governador de Rondônia

Leia no Itatiba1 →