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Atentado à Parada LGBTQ+ de Berlim; SAIBA MAIS

Polícia alemã mata terrorista que atropelou multidão nas celebrações do orgulho LGBT em Berlim

G1 — Brasil · 2026-07-27T18:04:29.000Z

Polícia alemã mata terrorista que atropelou multidão nas celebrações do orgulho LGBT em Berlim

Por volta das 22h de sábado (25/07), uma van branca acelerou e atropelou uma multidão nas proximidades do Portão de Brandemburgo, em Berlim, onde milhares de pessoas participavam da Marcha do Orgulho LGBTQ+, matando uma mulher polonesa e ferindo outras 29, algumas delas em estado grave.

Pessoas se reúnem ao redor de flores, lembranças e velas deixadas por outras pessoas no Portão de Brandemburgo, após um incidente fatal em que um veículo colidiu com a multidão próximo à parada anual do Christopher Street Day Pride em Berlim na noite de sábado, deixando várias pessoas feridas e fazendo com que a parada fosse cancelada, em Berlim, Alemanha, 26 de julho de 2026. REUTERS/Christian Mang TPX IMAGENS DO DIA

O crime ocorreu enquanto os participantes do evento anual — conhecido na Alemanha como Christopher Street Day (CSD) — já se dispersavam perto do parque Tiergarten.

Segundo a polícia, a van seguia pela rua Ahornsteig, paralela à Lennéstrasse, e atropelou várias pessoas antes de bater em uma árvore. Após a colisão, o motorista abandonou o veículo e fugiu.

"Estou chocado e profundamente entristecido ao saber que a vítima do trágico ataque em Berlim era uma cidadã polonesa", escreveu no X o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Polônia, Maciej Wewior, nesta segunda-feira (27/07).

De acordo com o tabloide alemão Bild, a vítima tinha 65 anos e havia viajado para Berlim com a filha – que sobreviveu ao ataque – para participar da parada.

Quem era o suspeito?

O principal suspeito do ataque foi identificado pela polícia como Abdul B., um cidadão alemão de 21 anos filho de mãe de origem libanesa com antecedentes criminais e associado ao meio islamista em Berlim.

Segundo a polícia, ele foi morto na noite de domingo após partir em direção aos agentes empunhando uma arma branca. Ele foi socorrido em seguida, mas não resistiu aos ferimentos.

Um veículo de emergência no local de um conjunto de hortas comunitárias no subúrbio de Spandau, em Berlim, depois que um conhecido islamista, suspeito de atropelar uma van em uma multidão perto do desfile anual do Christopher Street Day Pride em Berlim no sábado à noite, foi baleado e morto em uma operação policial, em Berlim, Alemanha, 26 de julho de 2026. REUTERS/Annegret Hilse

Abdul B. chegou a ser preso preventivamente acusado de tentar se juntar aos combatentes do "Estado Islâmico" (EI) na Síria em 2025, mas acabou detido ainda no Líbano e levado de volta à Alemanha em novembro de 2025.

Em Berlim, ele foi condenado acusado de preparar um grave ato de violência que colocaria em risco a segurança do Estado. O Ministério Público pediu uma pena de dois anos e dez meses de prisão. Mas a sentença foi de um ano e dez meses de prisão com suspensão condicional da pena, porque o caso foi julgado com base na legislação mais branda para jovens infratores. Como a pena foi suspensa, o jovem foi libertado.

Desde meados de maio deste ano, o simpatizante do EI estava novamente em liberdade. O Ministério Público recorreu da decisão. Depois disso, o telefone do suspeito ainda foi interceptado por algum tempo, mas ele não estava sob vigilância permanente.

A Justiça havia determinado que ele comparecesse a um total de 26 sessões em um centro de desradicalização. Abdul B. já havia frequentado duas delas. Uma terceira sessão de aconselhamento estava marcada para esta segunda-feira.

Qual era a motivação do crime?

O crime foi classificado pelo ministro alemão do Interior, Alexander Dobrindt, como um "ataque terrorista islamista". O Procurador-Geral da Alemanha assumirá as investigações, conforme anunciou a ministra da Justiça, Stefanie Hubig. O Ministério Público Federal, como autoridade acusatória máxima, em Karlsruhe, já assumiu oficialmente os trâmites.

Sede também do Tribunal Federal de Justiça e do Tribunal Constitucional Federal, a cidade de Karlsruhe geralmente assume as investigações em casos de crimes graves contra a segurança interna ou externa da Alemanha – a exemplo de terrorismo, traição à pátria e espionagem.

Há mais suspeitos?

Segundo a polícia, o veículo usado no atentado era particular, e não alugado. O automóvel, vazio e bastante danificado, foi apreendido nas proximidades do local do crime. A área ao redor foi amplamente isolada, e o Tiergarten foi vasculhado durante a noite com câmeras infravermelhas.

Ainda não se sabe se era Abdul B. quem conduzia o veículo, nem a quem pertence a van. Os investigadores acreditam que, após a "fase da condução" do automóvel, houve uma segunda fase do crime, na qual alguém pode ter saído do veículo e atacado pessoas com armas brancas.

Na coletiva de imprensa na tarde de domingo, Dobrindt afirmou que o agressor teria atacado transeuntes com um facão. De acordo com depoimentos de testemunhas, há versões divergentes sobre se houve um único ou mais agressores – o número exato, portanto, ainda não foi esclarecido.

O ataque poderia ter sido evitado?

De acordo com especialistas, atos terroristas como o que ocorreu na parada CSD em Berlim são muito difíceis de evitar.

"Acredito que um Estado, ou mesmo a União Europeia, isto é, uma comunidade de Estados, poderia adotar inúmeras medidas para garantir a segurança das pessoas", afirmou Felix Neumann, especialista em terrorismo da Fundação Konrad Adenauer.

No entanto, ele não acredita que seja possível garantir totalmente a segurança de todos: "Sempre haverá pessoas que, por qualquer motivo que seja, recorrerão à violência e, então, encontrarão alguma brecha".

Questionado sobre como o suspeito conseguiu invadir a área da parada LGBTQ+ com tanta facilidade, apesar das barreiras instaladas, o pesuisador Rafael Bossong, do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP), disse: "Depende da hora e do local. Neste caso, o Tiergarten é uma área ampla, a cerimônia estava chegando ao fim, então talvez as restrições de trânsito tivessem sido flexibilizadas", especulou.

Segundo Bossong, mais de 9 mil radicais islâmicos com aparentes tendências violentas vivem na Alemanha. Ele ressalta que, embora as autoridades estejam melhorando o monitoramento e neutralização de ameaças, o ataque em Berlim parece ter sido perpetrado por "uma figura secundária, com antecedentes criminais, mas sem afiliação clara [ao terrorismo islâmico] e sem indícios claros na internet de que estivesse se preparando para atacar".

Como o governo reagiu?

O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, apelou à população para não se deixar intimidar: "A violência não começa apenas com um atentado. A violência começa com a intolerância, com a exclusão, com a discriminação, com frases sem sentido e piadas de mau gosto”, afirmou Merz na noite de domingo.

O chanceler alemão Friedrich Merz fala ao lado de um altar coberto com bandeiras do arco-íris durante um serviço memorial na Igreja de St. Mary após um incidente fatal em que um veículo atropelou uma multidão perto do desfile anual da Parada do Orgulho Christopher Street Day em Berlim na noite de sábado, deixando várias pessoas feridas e fazendo com que o desfile fosse cancelado, em Berlim, Alemanha, 26 de julho de 2026. REUTERS/Christian Mang TPX IMAGENS DO DIA

Nesta segunda-feira, o chanceler federal disse que ainda era "muito cedo para dizer quais conclusões políticas nós vamos tirar desse ataque brutal, mas está claro que teremos que ir além de palavras". "Teremos que responder à pergunta sobre como um homem com esse perfil pôde chegar perto [da parada] desimpedido e cometer esse tipo de ataque."

Histórico de atropelamentos

A Alemanha registrou uma série de atropelamentos em massa com vítimas fatais nos últimos anos: em Munique (2025), Magdeburg(2024), Trier(2020), e Berlim(2016).

O tema foi amplamente debatido durante a campanha que precedeu as eleições parlamentares, no início de 2025.

Ao final de 2025, autoridades municipais se viram obrigadas a reforçar as medidas de segurança nas mais de 3 mil feiras de Natal no país, criando barreiras para impedir o tráfego de veículos.

Para Bossong, do SWP, grupos islamistas descobriram uma "estratégia bem-sucedida" nos ataques com atropelamentos em grandes eventos por toda a Europa.

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