ITATIBA1
O presidente do Conselho da Justiça Federal (CJF), ministro Luis Felipe Salomão, determinou nesta terça-feira (6) o cumprimento imediato de medidas para ampliar o controle sobre a expedição de precatórios e requisições de pequeno valor (RPVs).
G1 — Política · 2026-10-06T15:28:36.000Z
O presidente do Conselho da Justiça Federal (CJF), ministro Luis Felipe Salomão, determinou nesta terça-feira (6) o cumprimento imediato de medidas para ampliar o controle sobre a expedição de precatórios e requisições de pequeno valor (RPVs).
Entre outros pontos, a medida exige que o direito ao crédito e o valor devido estejam definidos em decisão contra a qual não caibam recursos, ou seja, com trânsito em julgado.
🔎 Precatório: é a requisição de pagamento de uma dívida pública reconhecida pela Justiça. Em linguagem simples: alguém processa o poder público, ganha definitivamente e passa a ter um crédito a receber. O Judiciário formaliza essa cobrança por meio do precatório.
🔎 RPV (Requisição de Pequeno Valor): pertence à mesma lógica, mas é a modalidade destinada aos créditos de menor valor.
Agora no g1
Luis Felipe Salomão, que é presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), também assinou nova norma que altera resolução do CJF sobre o tema e que será submetida à análise dos demais integrantes do conselho na próxima semana, mas as medidas urgentes já devem ser cumpridas.
As regras impedem a emissão de requisições antes do encerramento das discussões judiciais sobre o crédito e proíbem o uso de bloqueios ou restrições de saque para contornar essa exigência.
Conforme a decisão de Salomão, fica permitida a possibilidade de pagamento de parcela de precatório que seja autônoma e sobre a qual não haja controvérsia na justiça.
A mudança o reforço nas regras ocorrem em meio às discussões e a investigações sobre suspeitas envolvendo precatórios relacionados ao extinto Banco Master.
Em manifestações recentes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes apontou que parte expressiva dos créditos problemáticos do extinto banco estava concentrada em processos da Justiça Federal da 1ª Região.
Gilmar defendeu a apuração de circunstâncias e a investigação de eventuais condutas de magistrados e advogados envolvidos nas supostas irregularidades.
Na ocasião, Gilmar Mendes destacou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) havia cancelado 16 precatórios do setor sucroalcooleiro, de usinas ligadas à produção de açúcar e etanol, expedidos pelo TRF-1, determinando a imediata devolução de R$ 4,7 bilhões aos cofres do Tesouro Nacional.
O ministro Luís Felipe Salomão, presidente do STJ
Além de proibir a emissão em cumprimentos provisórios de sentença, o ministro Salomão recomenda que os magistrados adotem cautelas na análise da cessão de créditos, operação em que o credor original transfere a terceiros o direito de receber o montante judicial.
Entre as recomendações, estão:
absoluta transparência das condições econômicas da operação, como o percentual de deságio (desconto) aplicado e o valor efetivamente pago;
garantia de informação adequada ao cedente sobre as consequências do negócio;
confirmação de que o titular do direito manifestou vontade livre e informada, coibindo desequilíbrio de informação com adquirentes profissionais e fundos de investimento.
As providências adotadas pelo CJF foram formalmente comunicadas ao ministro Gilmar Mendes, em resposta ao ofício no qual o ministro do STF manifestou preocupação com o sistema de pagamentos judiciais.
Os documentos também foram encaminhados ao corregedor-geral da Justiça Federal, ministro Mauro Campbell Marques, para a instauração e adoção das providências cabíveis no âmbito disciplinar.