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Primeiro motoclube feminino do Amapá transforma pilotagem em símbolo de independência

Escudo do grupo Salto e Graxa, o primeiro motoclube feminino do Amapá

G1 — Brasil · 2026-07-27T19:58:31.000Z

Escudo do grupo Salto e Graxa, o primeiro motoclube feminino do Amapá

Maria Clara Prudêncio/g1

No Dia do Motociclista, celebrado nesta segunda-feira (27), o g1 conta a história do Salto e Graxa, primeiro motoclube feminino do Amapá. Criado em 2018, o grupo foi fundado para mostrar que mulheres também ocupam as estradas, dominam técnicas de pilotagem e encontram na motocicleta independência e liberdade.

A ideia surgiu quando Any Cambraia, de 40 anos, integrava um motoclube masculino e acompanhava o marido nas atividades. Ela decidiu começar a pilotar e, na época, era a única mulher do grupo que conduzia a própria moto.

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"Eu era a única que pilotava, a maioria ia para apoiar o marido e ficavam na garupa. Então pensei que se eu gostava de moto, deveriam existir outras mulheres iguais a mim. Eu só precisava encontrá-las".

Any passou a procurar outras motociclistas, convidou esposas que também tinham moto e reuniu as primeiras participantes. Quando chegaram a cerca de dez mulheres, decidiram fundar oficialmente o motoclube.

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Antes da formalização, as integrantes estudaram a cultura do motoclubismo e estruturaram o grupo com estatuto, hierarquia, regras de convivência e foco em viagens.

"Nosso nome é bem literal. O salto representa nossa feminilidade. Já a graxa lembra que, se a moto quebrar na estrada, a gente coloca a mão na massa e resolve", explica Any.

Compromisso, valores e disciplina

Entrar no Salto e Graxa exige mais do que paixão por motos. A candidata precisa ter Carteira Nacional de Habilitação (CNH), moto própria e passar por um processo de integração que pode durar meses.

Primeiro, participa de passeios e entrevistas. Depois, entra na fase chamada "aspira", que dura cerca de dois meses. Nesse período, aprende técnicas de pilotagem, formação de comboio e sinalização. Em seguida, passa para a fase "próspera", quando assume responsabilidades e representa o grupo em eventos.

As etapas seguintes são "meio escudo" e "escudada", quando a integrante recebe o colete completo e o símbolo do motoclube.

Para a arquiteta Dandara Pinheiro, de 30 anos, que ocupa a posição de meio escudo, o motoclube transformou a forma como pilota.

"Eu tinha muito medo e andava a quase 20 quilômetros por hora. Apesar de ter moto, só ganhei confiança quando entrei no clube. Os treinamentos, pilotar em grupo e ter uma rede de apoio fizeram toda a diferença", conta.

Além das técnicas de pilotagem, as integrantes recebem treinamento em frenagem, defesa pessoal, primeiros socorros e prevenção de acidentes com animais peçonhentos.

"Elas chegam como um diamante bruto, nosso trabalho é lapidar. Todas aprendem as técnicas para que o grupo viaje com o mesmo nível de segurança. A gente treina porque, se alguém se machucar, correr perigo ou a moto quebrar, ninguém vai sentar e esperar um homem ou um milagre", diz Any.

Muito além de um hobby

Para as integrantes do clube, pilotar vai além do lazer. Algumas definem a moto como forma de aliviar a rotina. Outras enxergam nela um estilo de vida baseado em amizade, apoio e confiança.

"Entrei no motoclube como uma válvula de escape. Eu precisava fugir de problemas pessoais e não encontrei nada que me ajudasse da mesma forma", conta a integrante Sangelys Pinheiro, de 29 anos.

Segundo Any, o Salto e Graxa se mantém ativo desde 2018 porque encontrou, nas estradas, algo maior do que um hobby. Os laços criados entre as integrantes são o principal combustível do grupo.

"Pilotar é sentir o vento no rosto, limpar a cabeça e viver a estrada. É sobre liberdade, mas também sobre o nosso orgulho em dividir o escudo e nossa honra em pilotar juntas. O Salto e Graxa virou um lugar de apoio, acolhimento e amizade", explica.

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