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A construção original, erguida na década de 1830, foi feita de taipa e tinha só um andar
G1 — Brasil · 2026-10-07T10:14:42.000Z
A construção original, erguida na década de 1830, foi feita de taipa e tinha só um andar
Há cerca de 100 anos, Itapetininga (SP) recebeu seu primeiro prédio público na Praça Marechal Deodoro, na região central. A construção original, erguida na década de 1830, em meados do século XIX, tinha apenas o pavimento térreo e foi feita de taipa.
Ao longo da história, o imóvel já abrigou uma cadeia pública, o fórum, a Câmara Municipal e até a sede da Prefeitura de Itapetininga. Atualmente, o espaço é conhecido como Centro Cultural e Histórico Brazílio Ayres de Aguirre.
O Centro Cultural e Histórico de Itapetininga foi construído em cerca de 1830
O prédio foi tombado em 2018 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).
Seis anos depois, durante uma vistoria técnica feita em janeiro de 2024, o órgão constatou que o imóvel estava fechado por determinação judicial, devido à falta de acessibilidade e a problemas de estabilidade estrutural.
Desde então, o prédio, localizado entre a Rua Doutor Júlio Prestes e a Praça Marechal Deodoro, permanece fechado e aguarda os reparos necessários.
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⌛Linha do tempo
Assim que Itapetininga foi elevada a Comarca, em 1852, foi necessária uma sede para abrigar o Poder Judiciário. Por causa disso, o prédio recebeu um segundo andar.
Além de Fórum, ele também abrigou a Câmara dos Vereadores. Em 1877 foi realizada uma nova ampliação do espaço.
Depois, o imóvel abrigou a Câmara Municipal até 1986 e a Prefeitura até 1989. Em 1991, o espaço foi inaugurado como Centro Cultural e Histórico de Itapetininga, tornando-se uma opção gratuita de cultura e entretenimento para os moradores.
Linha do tempo da construção do Centro Cultural e Histórico em Itapetininga
🏘️ Tipologia de casas portuguesas
Para trazer outras curiosidades e detalhes sobre o prédio centenário, o g1 conversou com o arquiteto e urbanista Igor Matheus Santana Chaves, de Itapetininga, que comentou sobre o tipo de construção da época.
“Trata-se de uma construção da primeira metade do século XIX, ligada à tipologia das casas de Câmara e Cadeia de matriz portuguesa, que reuniam funções administrativas, políticas e de segurança pública”, disse o especialista em planejamento urbano.
De acordo com Igor, foi por esse motivo que o prédio recebeu o reconhecimento como patrimônio e, em seguida, foi tombado.
“O conselho estadual o reconheceu como uma representação material de uma política portuguesa em solo brasileiro, sendo ainda acrescida pela importância que Itapetininga assumiu no contexto do Caminho das Tropas. Olha que presente que temos e não percebemos”, destacou.
No documento do tombamento elaborado em 2018, Igor diz que foram observadas técnicas mistas de terra para a construção do prédio.
“É bastante interessante para explicar que há técnicas construtivas históricas que precisam ser compreendidas e preservadas durante qualquer intervenção”, apontou.
🖌️ Restauração, adequação e preservação
Detalhes da construção com mais de 100 anos e tombada patrimônio histórico em Itapetininga
Mas como funciona o processo de restauração e adequação de um prédio histórico? Segundo o arquiteto e urbanista Igor Matheus Santana Chaves, o primeiro passo é compreender as características do imóvel, além de avaliar as possibilidades de intervenção e o que precisa ser preservado.
No caso da construção em Itapetininga, qualquer intervenção deve ser encaminhada ao conselho responsável e respeitar as características tipológicas, materiais, construtivas, espaciais e arquitetônicas do imóvel. No entanto, para Igor, isso não significa que o prédio não possa ser adaptado a novos usos.
“É um processo de tomada de decisões. Primeiro, se conhece e diagnostica o edifício, depois se define seu uso e suas necessidades, projeta-se a intervenção, submetem-se às soluções aos órgãos responsáveis e, posteriormente, é necessário acompanhar e manter o bem”, explicou.
Ao pensar em um prédio histórico e nas obras necessárias para restaurá-lo ou adaptá-lo, é comum imaginar que o processo será necessariamente demorado. No entanto, segundo o urbanista, o tempo de execução pode ser menor do que se imagina, dependendo das características e da complexidade da intervenção.
“É claro que uma intervenção em patrimônio histórico exige diagnóstico, projeto, aprovação, contratação e acompanhamento técnico, então não é algo que se resolva de um dia para o outro. Mas também não é razoável transformar essa complexidade em justificativa para uma espera indefinida”, analisa Igor.
O Centro Cultural e Histórico de Itapetininga foi tombado como patrimônio em 2018
Para o profissional, as decisões que envolvem construções históricas de uma cidade também devem ter a participação comunidade.
“Preservar patrimônio não é apenas conservar paredes antigas. É permitir que a sociedade reconheça aquele espaço como parte de sua história e continue atribuindo sentido a ele”, disse.
🏙️ Curiosidade diminuiu
O g1 conversou com a proprietária de uma banca localizada em frente ao prédio histórico
Maria José de Campos/Arquivo pessoal
Há mais de 30 anos, a proprietária de uma banca de jornais e revistas em frente ao prédio acompanha as transformações do imóvel e de outros espaços no entorno da praça.
Maria José de Campos, de 60 anos, contou que, com o passar do tempo, a curiosidade de quem passa pela banca em relação ao prédio diminuiu. Para ela, é triste ver a construção fechada.
“É um patrimônio histórico largado e abandonado. Eu me pergunto: ‘como pode estar desse jeito?’. É um descaso, uma judiação. Lá estava toda a história de Itapetininga’, lamentou.
Ela compartilhou ao g1 que tem um grande interesse por história, principalmente a da cidade onde nasceu e cresceu. Apesar do tempo fechado, a moradora diz ainda manter a esperença de que o espaço volte a funcionar.
“É um patrimônio que faz parte da história da cidade. Não dá nem para entrar lá dentro mais. A esperança é que apareça alguém e faça a reforma dele. Espero que alguém faça alguma coisa e abra as portas”, concluiu.
A construção história está localizada na região central de Itapetininga
Falta de orçamento
O g1 questionou a Prefeitura de Itapetininga sobre o período em que o prédio está fechado. Em nota, a administração municipal, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, informou que o projeto de reestruturação do espaço está finalizado.
Segundo a prefeitura, no entanto, ainda não há orçamento disponível para executar a obra, e o município busca recursos para viabilizá-la. A administração não informou qual é o custo estimado do projeto de restauração.
O governo estadual, por sua vez, informou que, até o momento, não há registro de pedidos formais de intervenção no imóvel protocolados junto ao Condephaat.
"Na vistoria técnica em 2024, o Conselho verificou que o fechamento decorre de ordem judicial por falta de acessibilidade e constatou a estabilidade da estrutura, orientando a equipe municipal sobre a elaboração dos projetos e a captação de recursos via ProAC. Até o momento, não constam pedidos formais de intervenção protocolados no Condephaat", diz a nota.
Prefeitura Municipal de Itapetininga diz que não tem orçamento para iniciar as obras do Centro Cultural e Histórico
Diogo Del Cistia/g1
*Colaborou sob a supervisão de Larissa Pandori
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