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Bauru não elege deputados e fica sem representação direta na Alesp e na Câmara

Bauru não elege parlamentares próprios e fica sem representação direta na Alesp e Câmara

G1 — Brasil · 2026-10-07T10:32:35.000Z

Bauru não elege parlamentares próprios e fica sem representação direta na Alesp e Câmara

Maior município da região centro-oeste paulista, com quase 400 mil habitantes e mais de 277 mil eleitores aptos a votar, Bauru (SP) não elegeu nenhum representante para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nem para a Câmara dos Deputados nas eleições de 2026.

Este é o segundo pleito seguido em que a cidade não consegue eleger um representante para a Câmara dos Deputados. A última vez em que Bauru garantiu uma vaga direta no Congresso Nacional foi em 2018, com a eleição do ex-prefeito Rodrigo Agostinho (PSB), que disputou novamente o cargo e não foi eleito.

Bauru não elege parlamentares próprios e fica sem representação direta na Alesp e na Câmara dos Deputados

Diferentemente de Bauru, outros municípios da região garantiram representantes nos legislativos estadual e federal:

Marília (172.714 eleitores): elegeu a deputada estadual Dani Alonso (PL) e o deputado federal Capitão Augusto (PL).

Botucatu (110.798 eleitores): elegeu o deputado estadual Mário Pardini (PSD) e o deputado federal João Cury (MDB).

Ourinhos (76.480 eleitores): elegeu o deputado estadual Ricardo Madalena (PL), que tem base eleitoral em Santa Cruz do Rio Pardo.

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Impactos econômicos e políticos

Em entrevista à TV TEM, a cientista política Teresa Kerbauy explicou como a ausência de parlamentares locais pode dificultar a articulação política em favor de demandas da cidade e da região.

Cientista política Teresa Kerbauy em entrevista à TV TEM

Deputados estaduais e federais podem atuar politicamente junto ao Governo do Estado, aos ministérios e à União para buscar recursos e emendas parlamentares destinados a investimentos nos municípios.

De acordo com a especialista, um dos primeiros obstáculos para as candidaturas locais envolve as regras do sistema proporcional de votação e a necessidade de que partidos ou federações alcancem votos suficientes para conquistar cadeiras.

"Muitas vezes, o partido ao qual o candidato está vinculado não consegue alcançar o quociente", explica a professora.

Além disso, mudanças nas regras eleitorais alteraram a dinâmica das disputas para os cargos legislativos.

"A partir da reforma eleitoral de 2017, foram proibidas as coligações para as eleições do Legislativo. Isso aumentou o número de votos necessários, porque o partido passa a concorrer apenas com os seus candidatos individualmente. Antes, com a coligação, havia a chance de um 'puxador de votos' levar outra candidatura", pontua Teresa.

Falta de liderança e pulverização dos votos

Apesar de abrigar o maior colégio eleitoral da região, Bauru não concentra votos suficientes em um único nome ou grupo político para garantir, de forma recorrente, a eleição de um representante próprio para o Legislativo estadual ou federal.

A professora enfatiza que a falta de um nome agregador dificulta a disputa pelas 94 vagas da Alesp e pelas 70 cadeiras destinadas a São Paulo na Câmara Federal.

"Bauru sozinho não consegue eleger um deputado, apesar de serem 94 vagas na Assembleia Legislativa e 70 na Câmara Federal. O número de eleitores locais não tem sido suficiente porque a cidade não tem um líder agregador, uma figura suficientemente forte para se eleger apenas com a base regional", avalia.

A pulverização das intenções de voto no próprio município também influenciou o resultado.

Candidatos locais como Eduardo Borgo (Novo), Rodrigo Agostinho (PSB) e Dr. Raul (Cidadania), para a Câmara Federal, além de Estela Almagro (PT), Junior Lokadora (Podemos) e Júnior Rodrigues (PSD), para a Alesp, obtiveram votações expressivas em Bauru, mas não conseguiram, com o desempenho de suas respectivas legendas, garantir uma cadeira no resultado estadual.

Por outro lado, candidatos com base eleitoral em outras regiões do estado conseguiram captar volumes significativos de votos entre os eleitores bauruenses. Para a Câmara Federal, Lucas Pavanato (PL) e Erika Hilton (PSOL) tiveram votação expressiva no município e foram eleitos.

Votos para Câmara dos Deputados em Bauru (SP)

Já para a Alesp, Eduarda Campopiano (PL) e Dani Alonso (PL) garantiram suas vagas na Assembleia.

Votos para a Alesp em Bauru (SP)

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