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Gêmeas morreram com oito dias de diferença
G1 — Brasil · 2026-10-07T11:56:45.000Z
Gêmeas morreram com oito dias de diferença
Há dois anos, em outubro de 2024, irmãs gêmeas de 6 anos morreram em um intervalo de oito dias em Igrejinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A mãe foi apontada como suspeita e foi presa após a segunda morte. Gisele Beatriz Dias, de 44 anos, é ré pelos crimes e segue presa.
Um laudo psiquiátrico judicial concluiu que Gisele tinha condições mentais de responder criminalmente pelos fatos dos quais é acusada envolvendo a morte das filhas, Manuela e Antônia Pereira. O Ministério Público sustenta que ela teria matado as filhas por sufocamento.
A morte da primeira vítima, Manuela, completa dois anos nesta quarta-feira (7). Antônia morreu no dia 15 de outubro de 2024.
Gisele foi denunciada pelo Ministério Público do Estado (MPRS) e virou ré na Justiça, que determinou em julho de 2025 que ela fosse a júri. Meses depois, porém, o processo foi suspenso após a defesa pedir que ela tivesse a sanidade mental avaliada.
O g1 obteve acesso ao documento, juntado ao processo em 1º de outubro. A psiquiatra designada pelo Departamento de Perícias Judiciais do Tribunal de Justiça do RS resumiu:
"Não foram identificados elementos técnico-psiquiátricos capazes de demonstrar que, à época dos fatos, eventual transtorno mental tivesse abolido ou reduzido significativamente a capacidade da pericianda de compreender o caráter ilícito de suas condutas."
O documento registra histórico de transtorno depressivo e abuso de medicamentos.
Com a conclusão do exame, está aberto o prazo para que o Ministério Público e a defesa se manifestem sobre o laudo.
A decisão final, no entanto, cabe ao juiz. Se a imputabilidade for reconhecida, o processo criminal, que estava suspenso para a realização da perícia, deverá ser retomado. Na sequência, será preparado o julgamento pelo Tribunal do Júri de Igrejinha.
🔍 Inimputável é a pessoa que, no momento do crime, não tem capacidade de entender o caráter ilícito do ato ou de se determinar conforme essa compreensão, devido a doença mental, desenvolvimento mental incompleto ou retardado, ou por ser menor de 18 anos. Nesses casos, a pessoa não recebe pena, mas é submetida a medida de segurança, como tratamento psiquiátrico.
Gisele já havia sido pronunciada em 4 de julho de 2025. A decisão significa que o juiz considerou haver prova da materialidade dos crimes e indícios suficientes de autoria para que a acusação fosse submetida ao Tribunal do Júri. A pronúncia não representa uma condenação.
A defesa recorreu, e o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul determinou a realização do exame de insanidade mental. Para cumprir a determinação, em novembro do ano passado, a Justiça instaurou o incidente e suspendeu o processo criminal até a conclusão da avaliação, feita agora.
Quase um ano depois da suspensão, no último dia 25 de setembro, saiu o laudo do Departamento Médico Judiciário que concluiu que ela era imputável.
Com a decisão sobre o incidente e o cumprimento das próximas etapas processuais, a Justiça poderá avançar na organização do julgamento. A data do júri ainda depende desses trâmites.
O que diz a defesa
O advogado José Paulo Schneider afirmou que a defesa recebe com tranquilidade o resultado do laudo, mas ressaltou que a perícia não determina se a acusada cometeu os crimes.
"A defesa técnica recebe com tranquilidade o resultado do laudo que atestou a imputabilidade penal da acusada. Importante pontuar que o laudo não é prova do cometimento ou não do crime. Ele apenas atesta a imputabilidade penal da acusada, sem adentrar ao mérito dos fatos."
O advogado também afirmou que Gisele nega a autoria dos fatos desde o início do processo e que sua inocência, segundo a defesa, será demonstrada no julgamento pelo Tribunal do Júri.
Relembre o caso
Instituto-Geral de Perícias não identificou veneno no caso das gêmeas mortas no RS
Manuela foi encontrada desacordada em casa, onde estava com a mãe, em 7 de outubro de 2024. Ela foi levada ao hospital, mas já chegou morta. A suspeita inicial era de infarto. Oito dias depois, em 15 de outubro, Antônia Pereira foi encontrada também desacordada em sua cama.
O Corpo de Bombeiros atestou o óbito no local. Após o segundo caso, a mãe foi presa. Os indícios aumentaram após um médico relatar que ela disse ter "ideias perversas" em relação às filhas durante internação psiquiátrica para tratar depressão profunda, semanas antes das mortes.
O depoimento do profissional de saúde levou a polícia a pedir a prisão temporária da mãe, que foi detida enquanto prestava depoimento em 15 de outubro. Além do médico, o depoimento da filha mais velha de Gisele, irmã das gêmeas, também reforçou as suspeitas. Ela afirmou que a mãe seria "plenamente capaz" de matar as irmãs.
Segundo o Ministério Público, as gêmeas foram "vítimas de sufocamento"
'A única coisa que eu dei para elas foi amor', disse pai de gêmeas
Veja a cronologia do caso
As perícias realizadas nos corpos das gêmeas não identificaram veneno nos restos mortais e a causa da morte não pôde ser determinada pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP).
Foram testadas mais de cem substâncias químicas no sangue e restos mortais das vítimas, como rins, pulmões e cérebro. Os exames buscaram medicamentos sedativos, pesticidas e venenos, como arsênio, mas todos deram negativo. O Ministério Público sustenta que as gêmeas foram "vítimas de sufocamento".
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