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Dívida pública global deve superar 100% do PIB antes de 2030, alerta FMI

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G1 — Economia · 2026-10-07T12:23:23.000Z

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A dívida pública global deve superar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) antes de 2030, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), órgão que monitora a economia mundial. Hoje, a dívida pública global já equivale a cerca de 95% de tudo o que o mundo produz em um ano.

O alerta foi feito nesta quarta-feira (7) pela diretora-gerente do fundo, Kristalina Georgieva, que também citou os preços elevados da energia e a inflação persistente como riscos para o crescimento da economia mundial.

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Segundo ela, a guerra no Oriente Médio provocou um choque negativo na oferta de energia, enquanto a atividade econômica segue pressionada por uma demanda ainda forte.

🔎 O que é dívida pública? É o dinheiro que governos tomam emprestado para financiar gastos quando a arrecadação não é suficiente. Quanto maior a dívida, maior pode ser o gasto com juros, reduzindo o espaço para investimentos e outras despesas públicas

As novas previsões do FMI, que serão divulgadas durante as Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial, na próxima semana, devem mostrar revisões para baixo nas projeções de crescimento de economias atingidas diretamente pela guerra, entre elas a Ucrânia e países do Golfo.

A previsão mais recente do fundo, divulgada em julho, apontava crescimento de 3% para a economia mundial em 2026 e de 3,4% em 2027.

Energia cara pode manter pressão sobre a inflação

Georgieva afirmou que o petróleo permanece próximo de US$ 100 por barril e que a capacidade de refino prejudicada tem elevado as margens cobradas sobre produtos derivados, como o diesel.

A situação pode ficar ainda mais pressionada com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, período em que aumenta a demanda por energia.

🔎 Por que energia mais cara afeta a inflação? Petróleo mais caro encarece combustíveis como gasolina e diesel, usados no transporte de pessoas e mercadorias. Com fretes mais caros, aumenta o custo para levar alimentos e outros produtos até o consumidor, pressionando os preços.

O fornecimento de gás natural também continua restrito devido aos riscos para o transporte de gás natural liquefeito (GNL) pelo Estreito de Ormuz, segundo a diretora-gerente.

“Mesmo que a guerra no Golfo termine em breve, o problema dos altos preços da energia provavelmente persistirá por algum tempo”, afirmou Georgieva.

Ela também disse que os contratos futuros de petróleo Brent indicam preços elevados até 2027

Os preços mais altos de energia, por sua vez, pressionam a inflação, os juros e os rendimentos dos títulos públicos.

Dívida pública é outra preocupação

Além da energia, o aumento da dívida pública está entre os principais riscos para a economia mundial, segundo Georgieva.

O FMI afirma que a dívida pública global está no maior nível desde a Segunda Guerra Mundial e deve ultrapassar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial antes de 2030.

As economias avançadas, lideradas pelos Estados Unidos, estão entre os países com os maiores níveis de endividamento em relação ao tamanho de suas economias.

Para Georgieva, os governos não podem mais depender apenas de um crescimento econômico maior para melhorar suas contas públicas.

Ela defendeu que países altamente endividados adotem planos de médio prazo para reduzir seus déficits, acompanhados, quando necessário, de medidas fiscais imediatas.

Inflação continua acima das metas

A diretora-gerente do FMI afirmou ainda que as pressões inflacionárias continuam depois de cinco anos e meio de inflação acima das metas estabelecidas pelos bancos centrais.

Além dos preços de energia e alimentos, ela citou tarifas comerciais, aumento dos gastos com defesa e o custo mais alto do serviço da dívida entre os fatores que mantêm a inflação pressionada.

Diante desse cenário, Georgieva afirmou que pode ser necessário manter uma política monetária “prudentemente restritiva” em muitos países.

Ela também defendeu a independência dos bancos centrais e disse que as autoridades monetárias não devem intervir para facilitar o financiamento dos governos.

“Minha mensagem é: por favor, não façam isso”, afirmou Georgieva, ao criticar o que chamou de “cowboys monetários”, em referência a bancos centrais que poderiam agir para aliviar a pressão sobre as contas públicas.

*Com informações da Reuters

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