ITATIBA1
Seca no interior do Amapá isola comunidades e compromete renda de pescadores
G1 — Brasil · 2026-10-07T13:18:17.000Z
Seca no interior do Amapá isola comunidades e compromete renda de pescadores
Pelo menos oito comunidades rurais e a sede de Tartarugalzinho, no interior do Amapá, enfrentam um período crítico de seca provocado pela forte estiagem. Entre os impactos estão o isolamento de moradores, a morte de peixes e a dificuldade de acesso à água potável devido à seca dos poços.
Na sexta-feira (2), a prefeitura decretou situação de emergência pelo quarto ano consecutivo. A medida busca garantir apoio dos governos estadual e federal, com recursos e estrutura para atender as áreas mais afetadas pela estiagem. O objetivo é reduzir os impactos da seca no município.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp
Os principais prejudicados são pescadores, agricultores familiares e produtores rurais. Além dos danos ambientais, a estiagem afeta a economia local, que depende da produção para abastecer outros municípios do Estado.
Imagens registradas por moradores mostram peixes mortos boiando em áreas que antes eram rios e que agora se transformaram em pequenas poças de água.
Morte de vários peixes foram registradas na cidade
Prefeitura de Tartarugalzinho/Divulgação
Outro cenário que chama atenção é a formação de extensas áreas de lama. Locais que antes eram ocupados por rios usados como vias de transporte hoje revelam os efeitos da seca severa.
As comunidades enfrentam dois problemas principais: a mobilidade e a economia. Sem condições de navegação, os moradores não conseguem escoar a pouca produção que ainda resta.
Seca afeta também a locomoção ds moradores
Prefeitura de Tartarugalzinho/Divulgação
Segundo Ana Paula Foro, presidente da Colônia de Pescadores Z-12 de Tartarugalzinho, a pesca é a única fonte de renda de muitas famílias da região.
Ela relata que muitos peixes estão morrendo por causa da água mais quente. Além disso, os moradores convivem com o forte mau cheiro provocado pelos animais mortos.
"Os pescadores não estão conseguindo sustentar suas famílias. Eles pescam o peixe e vendem para os atravessadores que transportam o produto para Macapá, Oiapoque e Porto Grande. Com a estiagem intensa e o excesso de lama, eles têm dificuldade para sair da comunidade e chegar aos locais de pesca", disse Foro.
Entre as áreas mais afetadas estão as comunidades de Lago Novo, Terra Firme, Ponta do Socorro, Andiroba, Nova Vida, Aporema, Tartarugal Grande, Duas Bocas e Bom Jesus, além da sede de Tartarugalzinho e da cidade de Itaubal.
"Na comunidade de Lago Novo é ainda pior por causa da influência da maré. Quando a água baixa, o lago fica reduzido a uma poça. Como as famílias dependem da pesca, elas ficam sem condições de capturar peixe para vender", afirmou.
Segundo a Defesa Civil Municipal, nos anos anteriores os efeitos mais severos da estiagem eram registrados entre o fim de outubro e o início de novembro. Neste ano, porém, a seca começou a se intensificar mais cedo.
"A situação aqui está muito crítica. Nós já chegamos ao ápice da estiagem, nós já estamos com todo o município afetado pela estiagem, já estamos com escassez de recursos hídricos sem precedentes. Isso está comprometendo a pesca, a agricultura, a piscicultura e os poços já estão todos secos", disse o coronel da Defesa Civil Roberto da Costa.
Barco adaptado garante voto de idosa de 88 anos em arquipélago isolado do Amapá
Idoso desaparece em área de mata no interior do Amapá após sair para caçar com cães
Pelo menos oito comunidades riberinhas enfrentam problemas de isolamento
Prefeitura de Tartarugalzinho/Divulgação
De acordo com a prefeitura, uma força-tarefa foi criada para atender as áreas mais afetadas pela seca. A ação conta com apoio da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e da Secretaria Municipal de Assistência Social.
Há quatro anos a prefeitura decreta situação de emergência por causa da estiagem. Um dos principais cursos d'água da região, o rio Tartarugalzinho apresenta trechos com pouca água e grandes faixas de areia expostas. Escadas que antes davam acesso ao rio agora estão completamente à mostra, evidenciando a queda no nível da água.
Leito do rio Tartarugalzinho em 2025
Prefeitura de Tartarugalzinho/Divulgação
Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá