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Justiça prorroga por 30 dias prisão de Hélio Silva, presidente da Câmara de Sumaré
G1 — Campinas e Região · 2026-10-07T12:54:42.000Z
Justiça prorroga por 30 dias prisão de Hélio Silva, presidente da Câmara de Sumaré
A Justiça prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária do presidente da Câmara Municipal de Sumaré (SP), Hélio Silva (Cidadania). Ele é investigado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas na região.
A decisão foi assinada na terça-feira (6) pelo juiz Luiz Antonio Cunha. O novo prazo começa a contar quando terminarem os 30 dias da prisão temporária decretada anteriormente.
O juiz também prorrogou por 30 dias a prisão temporária de Maikon Baptista da Costa, outro investigado no caso. A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal e teve parecer favorável do Ministério Público.
Hélio, de 55 anos, foi preso em 9 de setembro durante a Operação Archimagus, da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Campinas. Segundo a investigação, ele era conhecido como “Mister M” e teria financiado a compra, o armazenamento e a distribuição de drogas.
Áudios mencionam 'biqueira do meu pai''
Hélio Silva, vereador de Sumaré (SP)
Câmara de Sumaré
Áudios anexados ao processo e atribuídos pela investigação ao filho de Hélio mencionam uma “biqueira” ligada ao vereador. A EPTV, afiliada da TV Globo, teve acesso às gravações.
Em um dos áudios, o filho do parlamentar cobra uma dívida de outra pessoa e diz que ela teria procurado terceiros no ponto de venda de drogas.
“Você foi atrás de irmão lá onde é a biqueira do meu pai, falar que eu ia pegar a chave do seu carro, certo, mano? [...] Você foi lá na biqueira do meu pai [...] pra falar sobre o meu dinheiro?”.
A reportagem procurou a Câmara Municipal de Sumaré e a defesa de Hélio nesta quarta-feira (7), mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Sacolas com dinheiro e carro oficial
A Polícia Federal identificou, entre janeiro e agosto deste ano, episódios em que Hélio teria recebido sacolas com volumes que aparentavam ser dinheiro.
Segundo a investigação, as sacolas teriam sido colocadas depois em um veículo oficial da Câmara Municipal.
Os investigadores também apuram se dinheiro de origem ilegal foi usado para financiar atividades político-eleitorais.
Hélio foi candidato a deputado federal nas eleições deste ano. Mesmo preso, recebeu 1.981 votos e ficou como suplente do Cidadania.
Imóveis e empresas são investigados
Operação contra tráfico de drogas prendeu presidente da Câmara de Sumaré
A Polícia Federal também apura o uso de imóveis ligados a Hélio como endereço de empresas. Segundo a investigação, não havia atividade empresarial compatível com os locais.
Em um dos imóveis, os agentes encontraram o espaço onde o vereador mantinha armas de fogo.
Na operação de 9 de setembro, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e 10 de busca e apreensão em Campinas, Sumaré e Vinhedo (SP), além de Jacutinga (MG).
Um sítio também foi alvo das buscas. A suspeita é de que o imóvel tenha sido usado para armazenar drogas.
Na casa de Hélio, os agentes apreenderam:
uma pistola calibre .380;
R$ 18.215 em dinheiro;
sete cordões de ouro;
Em outros endereços, foram apreendidos R$ 6,7 mil em dinheiro, um celular e 892 gramas de maconha.
A Operação Archimagus foi realizada pela Ficco de Campinas. A força reúne integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, e agentes das polícias Federal, Rodoviária Federal, Militar e Civil de São Paulo, além de guardas municipais de Paulínia.
Quando Hélio foi preso, a Câmara de Sumaré afirmou que a investigação tinha “caráter pessoal” e que, até aquele momento, não havia informação que relacionasse o caso às atividades institucionais do Legislativo.
A Câmara também afirmou que acompanharia o caso e ressaltou que o vereador está “amparado pelo princípio constitucional da presunção de inocência”.
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