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Quando se fala em endometriose, é comum associar a doença apenas ao útero e aos ovários.
G1 — Brasil · 2026-10-07T13:22:34.000Z
Quando se fala em endometriose, é comum associar a doença apenas ao útero e aos ovários.
E a surpresa vem, quando se descobre que ela progrediu para o intestino, para a bexiga ou para os ligamentos da pelve. Essa forma mais avançada tem nome: endometriose profunda, definida quando as lesões ultrapassam cinco milímetros de profundidade no tecido atingido. Estudos internacionais mostram que a forma profunda da endometriose atinge de 15% a 20% das mulheres diagnosticadas.
Quais órgãos costumam ser afetados
O intestino é o órgão mais comumente atingido fora do aparelho reprodutor. As lesões se instalam principalmente no reto e no cólon sigmoide, e explicam sintomas como dor ao evacuar, inchaço abdominal importante antes da menstruação (o chamado endobelly) e, em alguns casos, sangramento nas fezes.
O sistema urinário também pode ser alvo: cerca de 84% das lesões urinárias acometem a bexiga, provocando dor e peso ao urinar, enquanto cerca de 15% atingem os ureteres — os canais que levam a urina dos rins até a bexiga. Esse segundo caso costuma passar despercebido, já que pode obstruir o canal urinário e comprometer o funcionamento do rim sem dar sintomas claros antes disso.
Já os ligamentos que sustentam o útero, chamados uterossacrais, estão entre os pontos mais comumente afetados pela endometriose profunda. Quando comprometidos, costumam causar dor intensa durante a relação sexual e dor pélvica que persiste fora do período menstrual.
Cirurgias minimamente invasivas (videolaparoscopia e robótica) são técnicas utilizadas por Tiago Castilho no tratamento cirúrgico da endometriose profunda.
Por que a cirurgia precisa ser diferente nesses casos
Segundo Tiago Castilho, cirurgião oncológico com atuação em cirurgia ginecológica e cirurgia de endometriose profunda, operar uma endometriose que atinge vários órgãos ao mesmo tempo é bem diferente de um procedimento ginecológico comum. Quando a doença chega ao intestino, à bexiga ou a vasos sanguíneos importantes, a cirurgia exige planejamento detalhado e uma técnica de alta precisão: remover o tecido doente sem comprometer o funcionamento desses órgãos.
Se algum foco profundo passa despercebido e fica para trás, o risco dos sintomas voltarem aumenta. Sendo assim, a paciente pode precisar de uma nova cirurgia no futuro. Por isso, o objetivo é sempre remover toda a lesão visível já na primeira intervenção, preservando ao máximo a anatomia e a função de cada órgão. Isso costuma envolver três frentes combinadas:
Tecnologia minimamente invasiva: a videocirurgia e a cirurgia robótica oferecem visão ampliada em alta definição (3D), o que permite dissecar com delicadeza e preservar os nervos responsáveis pelas funções urinária, intestinal e sexual;
Mapeamento pélvico avançado: exames como o ultrassom transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética mostram, antes da cirurgia, exatamente onde estão as lesões e qual a profundidade de cada uma;
Planejamento multidisciplinar: o procedimento é desenhado para tratar todas as áreas comprometidas em uma única intervenção, em vez de abordar cada órgão isoladamente.
Para entender melhor por que esse tipo de cirurgia é considerado de alta complexidade, vale a pena ler o artigo sobre o tema.
"Na endometriose profunda com acometimento de múltiplos órgãos, o grande desafio é remover 100% da doença e, ao mesmo tempo, preservar a função do intestino, da bexiga e da integridade nervosa da pelve. Isso exige preparo cirúrgico rigoroso, domínio anatômico e o uso de tecnologia minimamente invasiva de alta precisão", explica Castilho.
Investigação e cuidado especializado
Quando a doença avança para vários órgãos, planejamento e experiência cirúrgica fazem toda a diferença no resultado.
Há mais de 10 anos, o doutor Tiago Castilho atende e opera mulheres com endometriose, com atuação voltada especialmente para os casos pélvicos de maior complexidade. Sua experiência em técnicas minimamente invasivas inclui videocirurgia e cirurgia robótica. Nos casos cirúrgicos, o Cuidado 360º complementa esse trabalho organizando também a preparação e a recuperação da paciente.
Tiago Castilho é Cirurgião Oncológico com atuação em Cirurgia Ginecológica e Cirurgia de Endometriose Profunda, mestre e doutor na área, com mais de 10 anos de experiência no tratamento cirúrgico da doença. CRM-PR 22590 | RQE 2911 | RQE 844.