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Prisão de vereador e presidente da Câmara de Sumaré é prorrogada por mais 30 dias
G1 — Campinas e Região · 2026-10-07T15:24:41.000Z
Prisão de vereador e presidente da Câmara de Sumaré é prorrogada por mais 30 dias
Hélio Silva (Cidadania), presidente da Câmara Municipal de Sumaré (SP), recebeu 1.981 votos na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026 enquanto estava preso por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas. Com o resultado, ele ficou como suplente do partido.
O vereador, de 55 anos, está preso desde 9 de setembro, quando foi alvo da Operação Archimagus, da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Campinas.
Segundo a investigação, Hélio era conhecido como “Mister M” e teria financiado a compra, o armazenamento e a distribuição de drogas. A defesa nega as acusações e afirmou, à época da prisão, que o vereador confiava no esclarecimento dos fatos pela Justiça (leia a nota completa abaixo).
Mesmo preso, Hélio permaneceu candidato. Cinco dias após a prisão, a coordenação da campanha informou que as atividades eleitorais continuariam nas redes sociais e nas ruas de Sumaré, da região de Campinas (SP) e de outras cidades do estado.
Segundo a equipe, a decisão atendia à vontade do próprio candidato e da família. A coordenação afirmou acreditar na inocência de Hélio e disse confiar que os fatos seriam esclarecidos pelas autoridades e pela Justiça.
Perfil do vereador agradeceu pelos votos
Hélio Silva (Cidadania) foi preso em setembro por suspeita de tráfico de drogas
Depois da votação, uma publicação no perfil do vereador agradeceu à família, aos amigos e aos apoiadores.
“O resultado das urnas não apaga tudo o que construímos juntos. Ficam cada abraço, cada palavra de apoio e cada gesto de confiança”, diz a publicação.
A mensagem também afirma que o grupo permanece “firme na fé” e que “a luta continua”.
Nesta terça-feira (6), dois dias após a eleição, a Justiça prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária de Hélio. O novo prazo começa a contar após o término do período decretado anteriormente.
Prisão não impede diplomação
Segundo o presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB Campinas, Valdemir Moreira dos Reis Júnior, a prisão não impede que Hélio seja diplomado como suplente.
“Ele ainda não está condenado. Dessa forma, a prisão não causa qualquer impacto na diplomação”, afirmou.
A situação seria diferente caso Hélio fosse convocado para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados enquanto permanecesse preso, segundo o advogado.
“Caso ele seja chamado a assumir, ele não poderá tomar posse em razão da prisão. Dessa forma ele terá que declinar da possibilidade, visto que está preso e a Câmara convocará o próximo suplente”, explicou.
Reis Júnior afirmou ainda que, em caso de condenação com trânsito em julgado e perda ou suspensão dos direitos políticos, Hélio não poderia tomar posse.
Nova operação mira sítio em Minas Gerais
Nesta quarta-feira (7), três dias depois da eleição, a Ficco deflagrou a Operação Grimório, que aprofunda as investigações sobre o grupo.
Policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão em um sítio em Jacutinga (MG), identificado a partir de documentos apreendidos durante a investigação.
Segundo a Polícia Federal, o imóvel seria usado para armazenar drogas destinadas ao abastecimento de pontos de venda em Sumaré.
A ação teve apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, por meio do núcleo de Campinas, e do Canil da Polícia Militar de Minas Gerais.
O que a investigação aponta
Operação contra tráfico de drogas prende presidente da Câmara de Sumaré
Áudios anexados ao processo e atribuídos pela Polícia Federal ao filho do vereador mencionam uma “biqueira” ligada ao parlamentar. A EPTV, afiliada da TV Globo, teve acesso às gravações.
Em um dos áudios, o filho de Hélio cobra uma dívida e afirma que a outra pessoa teria procurado terceiros em um ponto de venda de drogas.
“Você foi atrás de irmão lá onde é a biqueira do meu pai, falar que eu ia pegar a chave do seu carro, certo, mano? [...] Você foi lá na biqueira do meu pai [...] pra falar sobre o meu dinheiro?”
A Polícia Federal também identificou, entre janeiro e agosto deste ano, episódios em que Hélio teria recebido sacolas com volumes que aparentavam ser dinheiro.
Segundo a investigação, as sacolas teriam sido colocadas depois em um veículo oficial da Câmara Municipal. Os investigadores apuram se dinheiro de origem ilegal foi usado para financiar atividades político-eleitorais.
Armas, dinheiro e maconha
Operação contra tráfico de drogas prende presidente da Câmara de Sumaré
Na operação que prendeu Hélio, em setembro, os agentes apreenderam na casa do vereador:
uma pistola calibre .380;
R$ 18.215 em dinheiro;
sete cordões de ouro;
Em outros endereços, foram apreendidos R$ 6,7 mil em dinheiro, um celular e 892 gramas de maconha.
A Polícia Federal também apura o uso de imóveis ligados ao vereador como endereço de empresas. Segundo a investigação, não havia atividade empresarial compatível com os locais.
Na Operação Archimagus, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão em Campinas, Sumaré e Vinhedo (SP), além de Jacutinga (MG).
A reportagem procurou novamente a defesa de Hélio e a Câmara Municipal de Sumaré nesta quarta-feira (7), mas não obteve resposta até a última atualização.
O que diz a defesa
Leia, abaixo, a nota publicada pela defesa à época da prisão do parlamentar:
“A defesa técnica do Vereador Hélio Pereira da Silva, por meio de seu advogado constituído EDILSON CASAGRANDE OAB/SP 268038, vem a público esclarecer que ele está tranquilo e confia na Justiça, mantendo a serenidade de quem tem convicção de que a verdade será devidamente esclarecida.
O Vereador Hélio Pereira da Silva sempre pautou sua atuação pública pela probidade e pela moralidade administrativa, e nega veementemente as acusações que lhe são imputadas.
A defesa técnica atuará exclusivamente nos autos do processo, pelos meios legais cabíveis, reiterando seu respeito às instituições e sua confiança no correto esclarecimento dos fatos no bojo do devido processo legal.
Sumaré, 10 de setembro de 2026.”
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