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Com acordo extrajudicial, GPA garante que lojas continuem funcionando
G1 — Economia · 2026-10-07T16:30:11.000Z
Com acordo extrajudicial, GPA garante que lojas continuem funcionando
A Justiça de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA), anunciou a companhia nesta quarta-feira (7).
O acordo, que prevê a reorganização de R$ 4,568 bilhões em dívidas, teve adesão de credores que representam 57,49% do valor total das dívidas, percentual acima do mínimo exigido pela legislação.
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A Justiça havia autorizado, em março, o processamento do pedido de recuperação extrajudicial apresentado pelo GPA. Agora, com a homologação, o plano foi oficialmente validado pela Justiça e passa a produzir efeitos nos termos definidos no acordo com os credores.
O GPA entrou com o pedido em março deste ano, no mesmo dia em que anunciou um acordo com seus principais credores para renegociar as dívidas.
🔎 O que é recuperação extrajudicial? É um mecanismo usado por empresas para renegociar dívidas diretamente com seus credores, sem passar pelo processo de recuperação judicial. O objetivo é obter condições mais favoráveis de pagamento, como prazos maiores, e reorganizar as finanças da companhia.
Embora o acordo seja negociado fora da Justiça, ele precisa ser submetido à homologação judicial para produzir os efeitos previstos em lei. Durante o processo, a empresa continua operando normalmente.
No caso do GPA, foram renegociados cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas, sem a necessidade de entrar em recuperação judicial, processo mais amplo e complexo, que tramita na Justiça e segue regras específicas para a negociação com os credores.
O plano de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA) prevê a renegociação de R$ 4,568 bilhões em dívidas e foi homologado pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
Na prática, o acordo reorganiza as dívidas da companhia para dar mais prazo para o pagamento e melhorar a situação financeira do grupo. O plano não inclui impostos, dívidas trabalhistas nem os pagamentos do dia a dia da empresa, como fornecedores, serviços e aluguéis. Com isso, as operações das lojas não são afetadas pela renegociação.
O plano recebeu o apoio de credores que representam 57,49% do valor das dívidas incluídas na recuperação, acima do mínimo exigido pela lei.
Como as dívidas serão pagas
Os credores puderam escolher entre três formas de receber:
A maioria, 88,40%, escolheu a Opção A, que não prevê desconto sobre o valor original da dívida, mas exige que os credores participem de um aporte de novos recursos para a companhia. O plano prevê R$ 200 milhões em dinheiro novo. Nessa modalidade, parte da dívida será transformada em títulos que pagam juros e outra parte em títulos que poderão ser convertidos em ações do GPA entre 2027 e 2031.
Outros 8,34% dos credores escolheram a Opção B, que prevê um prazo maior para o pagamento da dívida, com vencimento em 2036 e remuneração atrelada ao CDI.
Já os 3,26% restantes foram incluídos na Opção C, modalidade destinada aos credores que não escolheram as demais alternativas. Nesse caso, há um desconto de 70% sobre o valor da dívida, com início dos pagamentos apenas em 2032 e quitação prevista para 2036.
O que muda para o GPA
De acordo com o plano homologado pela Justiça, o principal efeito do acordo é dar mais tempo para a companhia pagar suas dívidas. Com a reestruturação, o prazo médio para o pagamento da dívida que não será convertida em ações passa de 2,1 anos para 6,4 anos.
Além disso, a dívida terá juros equivalentes à taxa CDI, usada como referência no mercado financeiro, mais 0,5 ponto percentual ao ano.
Com isso, o GPA troca parte dos pagamentos que teria de fazer nos próximos anos por uma dívida com prazo mais longo, reduzindo a pressão sobre o caixa da empresa no curto prazo.
*Reportagem em atualização
Loja do Pão de Açúcar (GPA) no Rio de Janeiro.