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Desafios, briga por títulos e Gabigol: Artur Jorge passa a limpo trabalho e projeta Cruzeiro até 2030

Artur Jorge: passeios por MG e os planos para o Cruzeiro em 2027

ge — Futebol · 2026-10-07T17:24:45.000Z

Artur Jorge: passeios por MG e os planos para o Cruzeiro em 2027

Um trabalho de seis meses, mas projetado para os próximos quatro anos. Esse é o objetivo do Cruzeiro com Artur Jorge, que conversou com a Globo em entrevista de mais de uma hora, na Toca da Raposa. O treinador falou sobre as dificuldades no primeiro ano, o projeto para 2027 e os próximos passos no contrato que vai até 2030.

Depois de fazer sucesso com o Botafogo, em 2024, Artur Jorge foi o nome escolhido por Pedro Lourenço para a vaga de Tite, em março deste ano. Menos de um mês depois, o Cruzeiro anunciou a ampliação do vínculo até 2030, tornando o treinador uma das figuras centrais no projeto do clube a médio e longo prazo.

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– A ideia da renovação tem muito a ver com aquilo que foi a empatia criada com o Pedrinho, que viu que nós poderíamos ter mais do que um projeto para um ou dois anos, de percebermos que podemos ganhar muito mais do que aquilo que seja só títulos.

"Digo isso sobre a potencialização de jogadores, a reorganização do futebol de base e a potenciação desportiva, a médio e curto prazo, para podermos preparar a equipe para decisões de Libertadores, de Copa (do Brasil) e de Campeonato (Brasileiro)"

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Já depois da renovação contratual, Artur Jorge conduziu o Cruzeiro da lanterna do Brasileiro à briga por vaga na Libertadores, tratada como principal objetivo para a reta final da temporada. Isso porque o time foi eliminado nas quartas de final da Copa do Brasil, para o Atlético-MG, e nas oitavas da Libertadores, pelo Flamengo.

Artur Jorge, que já admitiu arrependimento pela estratégia do jogo contra o carioca no Maracanã, aponta a queda no torneio continental como o momento mais complicado em seis meses na Toca da Raposa.

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"O mais difícil para mim foi a eliminação da Libertadores. É uma competição que que me diz muito particularmente, onde nós conseguimos ver onde estão os melhores, uma competição sempre muito difícil, pelo equilíbrio que existe entre as equipas que disputam nessa competição."

– Nós procuramos e sonhamos sempre chegar o mais longe possível. O fato de termos perdido para o Flamengo fora de casa, deixou em mim um peso grande porque era uma competição onde eu e meus jogadores queríamos ter a oportunidade de dar continuidade àquilo que é a nossa presença nessa competição.

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A reta final de temporada, com dez jogos restantes no Brasileirão, vai ditar sobre o planejamento de 2027, mas não apenas pela disputa ou não da Libertadores. Artur Jorge diz seguirá, até dezembro, avaliando todo o elenco na Toca da Raposa.

– Infelizmente, temos só dez jogos até o fim da temporada. Mas, com isso, percebermos que temos tempo para podermos pensar e fazer as coisas com calma e bem feitas. Uma coisa eu tenho a certeza absoluta e já disse aos meus jogadores:

"Nós vamos fazer a preparação na próxima temporada de dentro para fora. Muito daquilo que é a base do elenco da próxima temporada vai depender do trabalho dos jogadores deste ano."

Artur Jorge, técnico do Cruzeiro

O planejamento para a próxima temporada também envolve a possibilidade de retornos dos emprestados. Entre os nomes, aquele que chama mais atenção é Gabigol, não só pelo status do jogador, mas pela temporada no Santos, com 23 gols e dez assistências.

– Uma coisa que eu não farei é individualizar. Nós vamos falar sempre daquilo que é o coletivo, daquilo que temos aqui dentro, para podermos olhar para a frente e pensar naquilo que podemos trazer ou acrescentar.

"Temos o Gabriel, assim como temos outros jogadores que vamos acompanhando com muita atenção o seu desempenho e vamos perceber se qualquer um dos jogadores que nós temos emprestados faz sentido, se trazem mais–valia à equipe ou não para a próxima temporada."

Outras respostas de Artur Jorge

Como tem sido gerir a disputa por posição entre Cássio e Otávio?

– Da mesma forma que agimos com todas as outras posições. Com a mesma honestidade e seriedade, para poder ser justo com cada um deles. Aquilo que eu escolho para o meu 11 inicial ou para aquilo que é a minha lista de relacionados, depende sempre dos jogadores, do trabalho, daquilo que eles fazem. Não adianta nós estarmos especulando sobre a posição. Às vezes o que é que muda? Muda quando nós estamos falando de ter cinco zagueiros trabalhando lindamente, eu não vou jogar com os 5. Aí entra a decisão. Agora, o que nós queremos ter aqui dentro são 25 jogadores trabalhando muito bem para que nós possamos levar 23 ou 22 e, a partir daí, fazer com que as coisas possam fazer sentido. Neste momento, queremos saber que os jogadores que estão na equipe trabalhem muito para conseguir manter esse lugar e, quem não está jogando, trabalhe muito para conseguir recuperar ou buscar o lugar.

Otávio na seleção brasileira

Rafael Ribeiro/ CBF

Como é ver o crescimento do Otávio, que saiu de terceiro goleiro a convocado para a Seleção?

– Nós temos que dar mérito ao Otávio. Obviamente que não podemos fugir à responsabilidade de termos tido a coragem de apostar num jovem jogador de 20 anos, que teve testes de fogo altíssimos em momentos cruciais da nossa temporada. Nós não podemos fugir àquilo que é nosso papel de ter coragem para apostar e, mais do que apostar, dar continuidade. E a posição do goleiro é uma posição que precisa muito da estabilidade. Eu tenho essa convicção e tive essa convicção com a minha a minha comissão técnica e com o meu treinador de goleiros. Quando nós quando fizemos aposta no

"Otávio, de forma nenhuma, iria sair do time nos cinco primeiros jogos. Acontecesse o que acontecesse, porque essa aposta tem que ser uma aposta para nós podermos valorizar e sustentar um jogador. Não é nunca para conseguir deixar abaixo aquilo que é o potencial do jogador.

– Por isso, ele precisaria da nossa confiança para jogar como jogou, como manteve. Felizmente, não tivemos nenhum episódio em que ele tivesse responsabilidades (negativas). Pelo contrário, tivemos um goleiro que teve responsabilidades até salvando alguns jogos para nós.

Qual foi o trabalho para contornar a situação do pênalti entre Kaio Jorge e Matheus Pereira?

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"Eu acho isso curioso, porque nós temos sempre uma visão muito diferente daquilo que é o mundo exterior. E digo isto porque para nós, internamente, eu não percebo qual foi o caso, não houve caso nenhum."

– Eu já disse isto: ter dois jogadores que fazem parte da lista de marcadores ou de batedores de pênaltis do clube, quererem bater num jogo importante e poderem assumir essa responsabilidade, para mim é só isso. Os jogadores não argumentaram, não discutiram, há uma determinação sobre aquilo que é quem é o batedor de pênaltis. Naquele momento, se o primeiro que eu tenho nessa lista não está confortável no jogo, seja por ter alguma condicionante física ou até mesmo em termos emocionais, não é o jogo em que ele possa estar mais forte. Dessa forma, nós temos que perceber que há ali uma hierarquia que se respeita. Cada um deles sabe qual é o papel e o momento que tem que ocupar. Agora, acho interessante que isso seja tema, ou seja assunto, porque às vezes nós conseguimos perceber que aquilo que nós fazemos e que trabalhamos todos os dias acaba por não ser tão importante quando há algum episódio que para nós não existe, mas para fora pode parecer um episódio maior quanto aquela imprensa possa querer fazer. Não é mais do que isso para mim e, portanto, não há outra outra narrativa diferente do que esta.

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Qual o maior trabalho por trás do crescimento de Arroyo?

– A principal ajuda tem a ver com o encontro do contexto e a posição certa para o jogador. Nós temos que ter esse trabalho também. Quando falo de posição, não falo de posicioná-lo no lado direito no momento do ataque. Estou falando de como é que a equipe se pode ter movimentos e dinâmicas para tirar partido dos jogadores que gostam desses momentos. E, claro, tem o mérito do jogador que depois cresce o potencial dentro disso, depois tem a confiança que é dada sobre a parte mental, porque o jogador também é um ser humano. O Arroyo tem 20 anos, é um menino que precisou de um processo de adaptação aqui ao Brasil. Nós o colocamos no lado oposto onde ele tinha jogado os oito primeiros jogos de campeonato. A partir dali, temos que lhe apresentar o que é que ele pode fazer, não só em termos de comportamentos, de movimentos, aquilo que são as áreas e os espaços que ele pode mais ocupar para ganhar. Se for rigoroso naquilo que são as suas ações e fazê-lo perceber que há muita coisa para além daquilo que é o trabalho foram campo – que ele também tem feito – para que ele possa estar no nível de exigência que tem que ser a máxima sempre conosco.

Arroyo disputou três amistosos pelo Equador na Data Fifa

O elenco do Cruzeiro vai ser muito modificado para 2027?

– Vai depender não só do seu desempenho individual, mas também daquilo que é o desempenho coletivo. Para nós percebermos duas coisas, se o jogador tem individualmente capacidade para poder fazer face à exigência que nós vamos ter e queremos ter em 2027. E também se nós somos capazes de, coletivamente, ter um grupo que tenha a empatia necessária para criar aquilo que é pra mim fundamental, que é um grupo de trabalho muito forte, muito unido, muito determinado a lutar por grandes objetivos. Isso vai ajudar a que nós possamos naturalmente reforçar a equipe, mas ter como princípio e como base aquilo que hoje é este elenco do Cruzeiro, mexendo nas peças que nós vamos achar necessárias. Digo, muitas vezes, que mais depende deles do que de mim.

"Depende daquilo que eles façam, daquilo que eles possam entregar à equipe, daqueles que possam trazer para o Cruzeiro, para que nós possamos perceber se precisamos de 2, de 4, de 6, de 8 jogadores para que o próximo ano possa ser ainda mais forte em termos de elenco"

Qual o desafio de um contrato tão longo?

– O desafio maior tem a ver com a abrangência daquilo que é a minha função. Eu não tenho só como obrigação me preocupar com a equipe principal. Quando alargamos o número de anos, alargamos também a responsabilidade para que nós possamos ter um papel mais direto ou indireto naquilo que é toda a reformulação do próprio futebol profissional e agregar a base, sobretudo sub 20 e sub-17, que são os patamares imediatamente abaixo ao futebol profissional. Precisamos de uma visão mais alargada daquilo que é o clube dentro daquilo que são as ciências paralelas que trabalham conosco. Como como é que nós agregamos isso? Como é que nós montamos isto de forma a que todas elas possam conviver sabiamente para e com o objetivo único de poder engrandecer o futebol do Cruzeiro?

"O número de anos abre a responsabilidade, mas também a abrangência e o olhar que se pretende que o treinador, o líder de um projeto possa ter para toda uma estrutura de futebol."

, Pedro Lourenço, presidente do Cruzeiro, e Artur Jorge acertaram a permanência do treinador no clube até o fim de 2030

O que você quer mudar no time para 2027?

– O meu projeto tem muito trabalho pela frente para conseguirmos a classificação direta para a Libertadores. A partir daí nós temos que ter uma maior consistência. Essa poderá ser a grande diferença: a consistência de resultados e de exibições.

"Nós não podemos ter oito jogos com 24 pontos para disputar e ter feito quatro. Jogar 20 pontos fora é um suicídio no campeonato. Isso nos obriga a um trabalho desesperante para conseguirmos chegar lá"

Quais são as metas a partir do próximo ano?

– Dos 45 pontos que nós hoje temos (no Brasileiro), sabemos que 41 foram correndo atrás do prejuízo. Quero maior consistência, do primeiro ao último jogo, e quero também afirmação de uma equipe de coragem para que cada uma das copas seja para nós uma meta. Sempre sabendo que pode não ser possível atingir, mas temos que lutar por elas de uma forma muito convicta, porque tudo aquilo que é copa depende do contexto. E o contexto pode ser a qualidade do adversário, pode ser o próprio contexto do jogo, como tivemos frente ao Atlético, que ficamos com menos um jogador quando estávamos a vencer por 1 a 0 na casa do rival. Pode ser aquilo que é o momento onde se possa coincidir decisões importantes para a equipe e onde dentro da proximidade de tempo e da janela de tempo possa dificultar a nossa ação.

"Queremos estar preparados para dar resposta em cada uma das três competições que temos pela frente para que não se note tanto uma alternância dos jogadores e que possa existir uma grande competitividade interna. Esse é, para mim, um fator fundamental para que possamos ter um Cruzeiro próximo das conquistas."

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