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É #FAKE que distribuição de panfletos do PT em Santa Catarina ocorreu porque partido deu ordem aos Correios

Publicações omitem que entrega de material eleitoral pelos Correios ocorre de maneira legalizada

G1 — Brasil · 2026-10-07T18:06:21.000Z

Publicações omitem que entrega de material eleitoral pelos Correios ocorre de maneira legalizada

Circulam nas redes sociais publicações afirmando que o PT obrigou funcionários dos Correios a entregarem panfletos do candidato ao Senado pelo partido em Santa Catarina, Décio Lima. É #FAKE.

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Selo Fake (Horizontal)

🔴 Como são os posts?

Vídeos que viralizaram no X e no Instagram desde o início de setembro mostram um homem questionando uma funcionária dos Correios sobre a entrega de panfletos de Décio Lima, candidato do PT ao Senado por Santa Catarina. Na votação deste domingo (4), o petista não se elegeu: as duas vagas no estado ficaram com Carol De Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL).

Na gravação, o autor das imagens se aproxima de entregadora dos Correios, que aparece segurando panfletos do PT enquanto está em pé em uma calçada, perto de um carro oficial da companhia .

Questionada sobre uma suposta obrigatoriedade de distribuir especificamente material do partido, a mulher responde: "Olha, como é que é: todo mundo é obrigado a entregar aqui. [...] todo mundo dos Correios [é] obrigado a entregar".

Veja dois exemplos de legendas de posts que compartilharam a cena: "Isso é um absurdo: os Correios trabalhando para o PT. Isso tem que ser investigado"; e"Eles pensam que são donos das estatais. Funcionária dos Correios diz que todos são obrigados a entregar panfletos do PT".

Apesar de ser real --- e não produto de inteligência artificial (IA) --, o vídeo não registra uma atividade ilegal. Procurada pelo Fato ou Fake, a assessoria de imprensa dos Correios desmentiu a alegação do homem e explicou, por e-mail: "A entrega de material de campanha eleitoral por seus carteiros ocorre de forma regular e em conformidade com a legislação brasileira. O material é enviado por meio do serviço de Mala Direta, disponibilizado a todos os candidatos, partidos políticos, comitês eleitorais e demais pessoas físicas ou jurídicas que atendam aos requisitos estabelecidos para utilização do serviço postal. Ou seja, as alegações são mentirosas".

A nota informa que Mala Direta está previsto na Lei nº 6.538/1978, sobre serviços postais no país: "No caso específico das campanhas eleitorais, os objetos postais devem ser obrigatoriamente identificados no momento da postagem. Conforme normas da Justiça Eleitoral, as correspondências são remetidas com identificação do candidato ou partido responsável, incluindo o respectivo CNPJ, a expressão 'Eleições' e a indicação legal prevista para esse tipo de distribuição".

⚠️Por que é #FAKE?

Com relação ao comentário da funcionária que afirmou no vídeo ter sido "obrigada a entregar o material", a estatal informou: "Ela se referiu ao fato de a Mala Direta ser um serviço possibilitado aos Correios, e não que a empresa esteja entregando materiais de algum partido político específico. Carteiras e carteiros dos Correios passam por ciclos de preparação e instrução técnica para realizar a entrega desses materiais. [...] esses profissionais trabalham estritamente no cumprimento de suas atribuições profissionais, realizando a entrega de objetos regularmente aceitos pela empresa, independentemente de seu conteúdo político-partidário ou da preferência eleitoral dos remetentes".

Na resposta ao Fato ou Fake, a companhia distinguiu dois tipos de Mala Direta:

Mala Direta - Não Endereçada: "Postagem sem endereço específico; ideal para o público-alvo de uma cidade, bairro ou rua. Direcionada a pessoas jurídicas, pessoas físicas, profissionais liberais e candidatos a cargos políticos".

Mala Direta - Endereçada: "Postagem com endereço. Ideal para o público identificado por meio de um mailing. Pode ser feita para a modalidade varejo, visando um menor volume de objetos, ou para grandes postagens, com a possibilidade de gerenciamento e controle das informações relacionadas à carga, direcionada a pessoas jurídicas".

No desmentido, a empresa ainda afirmou: "Os Correios reforçam que carteiras e carteiros atuam estritamente no cumprimento de suas atribuições profissionais, realizando a entrega de objetos postais regularmente aceitos pela empresa, independentemente de seu conteúdo político-partidário ou da preferência eleitoral dos remetentes".

Procurada pelo Fato ou Fake, a assessoria de imprensa Décio Lima (PT) respondeu: "Sim, confirmamos o uso de Mala Direta. Inclusive, dá para perceber pelo selo no material que ela aparece distribuindo". Veja imagem abaixo:

Selo dos correios no canto superior do panfleto

Incidentes envolvendo a entrega de materiais políticos por carteiros foram registrados também na Paraíba.

Em 29 de setembro, Tony Sérgio, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos da Paraíba (Sintect-PB), relatou ao g1 ter recebido denúncias de carteiros sobre ameaças, insultos e até violência física durante a entrega de correspondências e materiais de mala direta relacionados ao período eleitoral.

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