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Ex-Botafogo e Corinthians abre baú de histórias com Seedorf e Adriano Imperador e planeja ser executivo

Vitor Júnior comenta experiências no futebol croata ao lado de Modric

ge — Futebol · 2026-10-07T18:39:50.000Z

Vitor Júnior comenta experiências no futebol croata ao lado de Modric

Ao longo de seus mais de 20 anos como jogador profissional, Vitor Júnior coleciona resenhas de peso com grandes nomes do futebol. Aos 39 anos, guarda com carinho histórias que viveu e as amizades que cultiva até hoje. Na reta final da carreira, o meia ainda tem dúvidas sobre os próximos meses, mas já se prepara para cumprir nova função fora de campo.

Alguns lances de Vitor Júnior e Modric atuando pelo Dinamo Zagreb

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Vitor Júnior tem um currículo extenso. Passou por 28 clubes na carreira em nove países diferentes, dentre eles uma experiência ao lado de Modric na Croácia. A última foi no Inter de Santa Maria, no Gauchão deste ano. Da lista dos grandes do Brasil, defendeu Inter, Corinthians, Botafogo, Cruzeiro, Santos, Sport e Coritiba, entre outros.

Além de experiencia, colecionou histórias com personagens icônicos como Adriano Imperador, D'Alessandro e Seedorf e teve um gol comparado ao de Maradona em 1986. O meia abriu o baú para revelar as memórias em entrevista ao ge.

O "efeito Seedorf" no Botafogo

No Botafogo, em 2012, Vitor Júnior teve a oportunidade de dividir o vestiário com um dos maiores meio-campistas da história do futebol: Clarence Seedorf. O holandês desembarcou no Rio de Janeiro naquela temporada e, como a maioria das pessoas que trabalharam com ele faz questão de reforçar, trouxe a personalidade forte junto.

Vitória negociou com o meia Vítor Júnior

O nível de exigência de Seedorf era tamanho que ele chegou a sugerir mudanças até no hino do clube carioca. Apesar do temperamento firme, Vitor conta que o holandês era generoso nas dicas aos atletas mais jovens. A parceria de campo começou com muita confiança.

– A gente ia jogar contra o Bahia e ele foi no vestiário falar comigo. Ele me disse uma coisa que ficou muito marcada: 'Não deixa de fazer o que tu faz, vai para cima!'. Ganhamos aquele jogo. Depois, na estreia dele, contra o Grêmio, ele me abordou de novo e disse: 'Não precisa buscar a bola no meu pé, pode ficar aberto na ponta que ela vai chegar'. E chegava mesmo – reconheceu.

O nível de profissionalismo do holandês também rendia momentos curiosos na concentração, como da vez em que o atacante Elkeson foi acordado na madrugada para estudar posicionamento. O exemplo era Inzaghi, ex-companheiro do meia no Milan.

– O Elkeson e eu dividíamos quarto na concentração. Em uma oportunidade, o Seedorf pediu para concentrar com o Elkeson. Nós tínhamos o costume de acordar mais tarde nos dias de jogos. Certo dia, cheguei para o almoço e o Elkeson estava com uma cara de sono. Aí perguntei: 'O que foi, Elke?'. E ele respondeu: 'Cara, estou acordado desde as 8h porque o Seedorf me chamou para mostrar vídeos de movimentação do Inzaghi – relembrou Vitor Júnior.

Vitor Júnior treinando pelo Botafogo

Cezar Loureiro / O Globo

Clima quente e provocação a D'Alessandro

Outra história marcante de 2012 aconteceu quando Vitor Júnior enfrentou o Internacional no Beira-Rio. Um reencontro especial para ele, que fez toda a formação na base do clube, desde os 9 anos.

No calor da partida, Vitor Júnior teve um desentendimento com dois dos principais líderes do Inter na época: o volante Guiñazu e o meia D'Alessandro. O imbróglio com o camisa 10 foi o mais tenso e terminou com uma frase provocativa de Vitor Júnior que tirou o argentino do sério.

– O D'Ale é um ídolo da torcida do Inter e também um ídolo meu. Vencemos aquele jogo por 2 a 1 e eu joguei muito bem. Em dado momento, fiz aquele lance clássico do Ronaldinho, de passar para um lado e olhar para o outro. O D'Ale ficou furioso, porque defendia as cores do Inter como ninguém. Ele me pegou pelo pescoço e disse: 'Para de graça, moleque!'. E eu respondi na hora:

O que tu quer, gringo? Aqui em Porto Alegre quem manda sou eu!"

Internacional apresenta Vitor Júnior

Poucos meses após o episódio, já em 2013, Vitor Júnior acertou o retorno ao Inter. Ao chegar na concentração, em Caxias do Sul, o primeiro atleta que encontrou no saguão do hotel foi justamente o capitão.

Mas a rusga ficou no passado, e a reviravolta definitiva na relação dos dois veio no Gauchão daquele ano. Em um Gre-Nal, D'Alessandro teve um gesto de generosidade que ficou marcado na memória de Vitor.

– Construímos uma relação muito legal. D'Ale era o titular absoluto e, na época, só podíamos fazer apenas três substituições. O acordo com o clube era de quem entrava em campo recebia a premiação (bicho) integral, enquanto quem ficava no banco recebia metade. Faltando poucos minutos para acabar o jogo, ele pediu para sair sabendo que eu era o reserva imediato, só para que eu pudesse receber a premiação inteira – relembrou o meia.

Adriano Imperador e Vitor Júnior em samba no Capão Redondo

Parceria com Adriano Imperador

Durante sua passagem pelo Corinthians em 2012, Vitor Júnior cultivou uma amizade que dura até hoje com Adriano Imperador. A relação é tão próxima que o ex-atacante da seleção brasileira e da Inter de Milão o trata como um membro da família, e vice-versa.

– Temos uma amizade muito bonita. Sempre que estou no Rio de Janeiro, a gente se encontra. Ele trata a minha mãe e o meu pai com um carinho imenso, como se fossem da própria família dele. Como jogador dispensava comentários, mas como pessoa ele consegue ser ainda melhor – afirmou.

A cumplicidade extracampo, no entanto, também rendeu algumas dores de cabeça na época. A ponto de influenciar na carreira do meia.

– Uma vez fomos juntos ao Capão Redondo, acabou dando uma grande repercussão negativa e eu acabei sendo afastado do Corinthians. Mas, no fim das contas, ganhei a amizade dele para a vida e sou extremamente grato por isso – completou.

Vitor Junior Corinthians

Daniel Augusto Jr / Agência Corinthians

O gol de Maradona

Em 2011, o meia-atacante vivia ótima fase defendendo o Atlético-GO. Titular absoluto e destaque do time, ajudou a conduzir o Dragão à histórica classificação para a Copa Sul-Americana.

Na 19ª rodada do Brasileiro, contra o Avaí, na Ressacada, Vitor Júnior fez um gol antológico: arrancou do meio-campo e passou por três marcadores e pelo goleiro antes de empurrar para as redes. O lance, à época, foi comparado ao histórico gol de Maradona contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986. Apesar do impacto, o meia garante que lances assim eram comuns em seu repertório.

– Na verdade, eu tenho outros gols bem parecidos com aquele. Eu tinha essa característica de ir 'arrastando'. Naquela época eu estava muito bem fisicamente, parecia que eu estava jogando contra meninos bem mais novos. Lembro que quando fiz o gol, foi algo tão natural que eu nem tinha dimensão da grandeza e da repercussão que tomaria – disse.

Os gols de Avaí 2 x 2 Atlético-GO pela 29ª do Brasileirão 2011

A pintura mudou completamente os rumos de sua carreira na janela de transferências seguinte. Imediatamente depois do gol, o Atlético-GO recebeu propostas oficiais pelo meia. Corinthians, Cruzeiro e Fluminense se apresentaram para contratá-lo.

– Depois daquele gol, muita coisa mudou. Assim que desembarcamos em Goiânia, o o presidente do Atlético-GO me chamou e disse que tinha três propostas oficiais na mesa: Corinthians, Cruzeiro e Fluminense. Eu já vinha fazendo um ótimo campeonato, mas aquele gol foi a chancela que faltava para as coisas acontecerem – afirmou o atleta.

Além da Raposa e do Tricolor carioca, Vitor Júnior despertou, na época, o interesse do Palmeiras. Mas assinou contrato com o Corinthians para o ano de 2012.

O futuro pós-carreira

Na última temporada, Vitor Júnior disputou o Campeonato Gaúcho pelo Internacional de Santa Maria, onde havia sido o destaque da campanha de acesso em 2025. Atualmente sem clube, o atleta de 39 anos se encontra em um momento de reflexão sobre os próximos passos.

– Essa fase de transição do atleta é muito difícil. Eu sempre ouvi de amigos do meio que o jogador de futebol morre duas vezes: a primeira quando decide parar de jogar, e a segunda na morte natural. Por isso, já venho me preparando e fiz alguns cursos de gestão para atuar como executivo de futebol – desabafou o Vitor.

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Apesar dos planos para os bastidores, Vitor Júnior ainda se sente bem e evita colocar prazos para o fim da carreira.

– A gente nunca está 100% preparado, porque passei a vida inteira dentro das quatro linhas. Fisicamente me sinto muito bem. Ainda não defini totalmente o futuro. O telefone tem tocado, mas algumas propostas que surgiram não eram interessantes no momento – concluiu.

*Produção de Ayslan Roy, estagiário, sob supervisão de Eduardo Moura

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