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Donald Trump fala com jornalistas na Casa Branca
G1 — Economia · 2026-10-07T19:18:31.000Z
Donald Trump fala com jornalistas na Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (7) que dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) "gostariam de ver o país ir mal".
A declaração foi dada após ser questionado por um repórter sobre as taxas de financiamento imobiliário, que seguem elevadas nos EUA.
As taxas das hipotecas costumam ser influenciadas pelo nível dos juros na economia americana. Na semana passada, a taxa dos financiamentos imobiliários de 30 anos atingiu o maior patamar em quase três anos.
Trump fez elogios ao presidente do Fed, Kevin Warsh, indicado por ele para comandar o banco central americano, mas afirmou que os demais integrantes do conselho da instituição "gostariam de ver o país ir mal, na minha opinião, porque acho que os juros deveriam cair".
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Ao lado de Trump no Salão Oval, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, atribuiu a inflação elevada ao que chamou de "choque de energia".
"Assim que estivermos do outro lado desse conflito com o Irã, o mercado de energia estará bem abastecido e caminharemos em direção à meta do Fed. As taxas de hipoteca e os rendimentos dos Treasuries de 10 anos voltarão a cair", afirmou.
Sob Warsh, Fed elevou juros pela 1ª vez em mais de 3 anos
No mês passado, o banco central dos EUA elevou a taxa de juros do país em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Foi a primeira alta desde julho de 2023.
O movimento interrompeu uma sequência de cinco reuniões consecutivas com juros inalterados. A medida foi influenciada, entre outros fatores, pela disparada do preço do petróleo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, o que reforçou as preocupações do Fed com a inflação.
Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou que a atividade econômica dos EUA seguia se expandindo em ritmo sólido e que "os gastos domésticos têm se mostrado resilientes", apesar do cenário de incerteza elevada causada por "acontecimentos geopolíticos".
Segundo o comitê, a decisão de elevar a taxa básica de juros dos EUA considera o duplo mandato do Fed: controlar a inflação e promover o máximo emprego. Enquanto isso, novas projeções apontaram que a maioria dos integrantes do Fed esperava pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto em 2026.
Trajetória da taxa básica de juros dos EUA
Em coletiva de imprensa, Kevin Warsh foi perguntado sobre os pedidos de Donald Trump por juros mais baixos. O republicano já chegou a chamar Powell, ex-presidente do Fed, de "mula", "cabeça oca" e "estúpido" por não cortar as taxas.
Warsh deu uma resposta curta: “Nós cuidamos da nossa área. Independência é uma via de mão dupla.”
O presidente do Fed também afirmou que a inflação não apresentou melhora significativa. “O fato é que a inflação está alta demais e está assim há tempo demais”, afirmou.
Em agosto, o CPI, índice de preços ao consumidor dos EUA, ficou em 3,4% no acumulado em 12 meses — acima da meta de 2% do Fed.
“Os dados de inflação deste verão [entre junho e setembro, nos EUA] não me dizem que as tendências subjacentes melhoraram de forma significativa”, acrescentou.
🔎 A inflação subjacente é uma medida que busca mostrar a tendência mais persistente dos preços, deixando de lado componentes que costumam oscilar muito, como alimentos e energia.
Segundo Warsh, a decisão de elevar os juros foi respaldada pelo fato de que “categorias demais” de preços registravam taxas de inflação superiores a 3% tanto em um período de seis meses quanto de 12 meses.
“Precisamos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando claramente para nosso objetivo e em uma velocidade suficiente. Hoje, o Fomc decidiu que esse padrão não foi atendido", afirmou, na ocasião.
O presidente do Fed também declarou que os dirigentes do BC americano concordam que a economia do país "parece estar se fortalecendo".
* Com informações da agência de notícias Reuters