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Nobel da Paz 2026: quem são os favoritos a receber o prêmio

Nomes cotados para receber o Nobel da Paz

G1 — Mundo · 2026-10-08T03:00:00.000Z

Nomes cotados para receber o Nobel da Paz

EPA; AP; Andy Wong/AP; Denis Balibouse/Reuters; Yves Herman/Reuters; Reprodução: Wikimedia Commons

O vencedor do Prêmio Nobel da Paz 2026 será anunciado nesta sexta-feira (9), em Oslo, na Noruega. A edição deste ano deve premiar alguém ou alguma instituição que reforce os valores do multilateralismo e novas formas de cooperação, diante da crescente tendência de fragmentação internacional, segundo especialistas.

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Entre as instituições mais cotadas para a premiação, os destaques vão para o Tribunal Penal Internacional (TPI), a Corte Internacional de Justiça (CIJ) e a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

As pessoas físicas mais cotadas incluem o papa Leão XIV, a relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, e o jornalista e ativista pró-democracia chinês Jimmy Lai.

Nobel de Química vai para Henri Kagan e Kenso Soai pela descoberta sobre como moléculas 'escolhem' um lado

Nobel de Medicina vai para Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel pela descoberta da optogenética

Nobel de Física vai para Francis Halzen por detectar neutrinos a partir da Antártida

O comitê recebeu 287 candidatos ao prêmio deste ano, e pouco mais de um quarto deles são organizações. O órgão organizador mantém as indicações em sigilo por 50 anos.

Outros nomes, como o do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o do premiê do Canadá, Mark Carney, também figuram nas especulações. Nesta quarta (7), o americano disse que deveria receber o prêmio, mas admitiu ter dúvidas sobre suas chances.

Trump defende sua candidatura por, supostamente, ter "encerrado oito conflitos". Os líderes do Camboja, de Israel e do Paquistão disseram ter indicado o presidente americano, mas não há como verificar as declarações.

O republicano, porém, não só não conseguiu encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia - uma promessa de campanha - como também iniciou um novo conflito: a guerra no Oriente Médio.

Além disso, governos e grupos envolvidos em conflitos também contestam o papel diplomático que Trump atribui a si próprio. Em alguns casos, os confrontos que ele alega ter encerrado voltaram a ocorrer, como na República Democrática do Congo e na fronteira entre Camboja e Tailândia.

Já Carney ganhou projeção internacional ao defender as posições do Canadá em disputas com Trump, especialmente em relação às tarifas americanas.

Os vencedores recebem a medalha do Prêmio Nobel e uma parte de 12 milhões de coroas suecas (R$ 6,2 milhões)

Beata Zawrzel/Getty Images

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Quem são os favoritos deste ano?

Além dos líderes dos EUA e do Canadá, para esta edição, analistas apostam em candidatos ligados à cooperação internacional, à defesa dos direitos humanos e à proteção de civis em áreas de conflito. Também aparecem entre as apostas instituições internacionais, organizações humanitárias e grupos que atuam na defesa da liberdade de imprensa e dos direitos das crianças.

O cenário de guerras e crises humanitárias também colocou na lista redes de voluntários e equipes de emergência que prestam ajuda diretamente às populações afetadas.

Entre as pessoas, os destaques vão para:

Papa Leão XIV;

Jornalista e militante pró-democracia chinês Jimmy Lai;

Economista chinês Ilham Tohti;

Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados;

Premiê canadense Mark Carney;

Militante pelo direitos das crianças Mykola Kuleba.

As apostas institucionais mais citadas são:

O Tribunal Penal Internacional (TPI);

Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês);

A Corte Internacional de Justiça (CIJ);

Salas de Resposta de Emergência do Sudão, rede sudanesa de grupos comunitários que fornece ajuda durante a guerra civil;

Save the Children (Salve as crianças), organização não governamental de ajuda a crianças em meio ao conflito no Sudão .

Conheça os principais indicados:

Papa Leão XIV

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O papa Leão XIV aparece entre os nomes citados por especialistas por sua defesa do diálogo e das negociações para encerrar conflitos. Em setembro, durante uma viagem à França, ele pediu que Rússia e Ucrânia retomassem as negociações e afirmou que os envolvidos precisariam aceitar concessões para alcançar a paz.

Também criticou o aumento das referências a armas nucleares e pediu que os governos priorizem soluções diplomáticas. Em relação a Gaza, o Vaticano mantém críticas à crise humanitária e defende o fim da violência contra civis.

Jimmy Lai é detido nesta segunda-feira (10), em Hong Kong

O empresário e jornalista de Hong Kong se tornou símbolo da defesa da liberdade de imprensa e do movimento pró-democracia no território. Fundador do jornal Apple Daily, fechado pelas autoridades em 2021, Lai foi preso sob acusações relacionadas à lei de segurança nacional de Hong Kong. Ele está detido desde 2020 e foi condenado em um processo criticado por organizações de direitos humanos e governos ocidentais.

Em 2026, Lai recebeu o Prêmio Kettering de Democracia por sua atuação em defesa da liberdade de expressão. Parlamentares americanos voltaram a indicá-lo ao Nobel da Paz neste ano, junto com outros dissidentes chineses.

O intelectual uigur Ilham Tohti, condenado por separatismo na China, em foto de fevereiro de 2013

O economista e professor uigur - um grupo étnico de origem turcomena que habita majoritariamente Xinjiang, no noroeste chinês - que defende os direitos da população e o diálogo entre uigures e chineses da etnia han.

Ele criou o site Uyghur Online, dedicado a discutir as relações entre os grupos étnicos e as políticas do governo chinês. Em 2014, foi preso e condenado à prisão perpétua por separatismo. Organizações de direitos humanos e governos estrangeiros criticaram o processo. Tohti já recebeu o Prêmio Martin Ennals de Direitos Humanos e o Prêmio Sakharov, do Parlamento Europeu. Em 2026, parlamentares americanos voltaram a indicá-lo ao Nobel ao lado de Jimmy Lai e outros dissidentes chineses.

Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os direitos humanos nos territórios palestinos, participa de uma coletiva de imprensa durante uma sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

Denis Balibouse / Reuters

Francesca Albanese é relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados e se tornou uma das vozes internacionais mais críticas à condução da guerra em Gaza e à ocupação israelense. Seu trabalho inclui relatórios sobre violações do direito internacional e a situação dos civis palestinos.

Albanese também é uma figura controversa. Israel e os Estados Unidos já criticaram duramente suas declarações e seu trabalho. Para analistas ouvidos pela Reuters, seu nome ganhou força justamente em um contexto de disputa sobre o papel do direito internacional nas guerras de Gaza e da Ucrânia.

Primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, agradece após discurso no Parlamento europeu em Strasburgo, na França, em 17 de setembro de 2026.

O primeiro-ministro do Canadá ganhou projeção internacional em 2026 por sua postura diante do governo de Donald Trump. A relação entre os dois países foi marcada por disputas comerciais e pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Carney passou a defender uma maior cooperação entre países de médio porte e buscou estreitar relações do Canadá com a Europa e a Ásia. Ele também se posicionou em favor de uma transição negociada na Venezuela e manteve contatos com María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025.

Mykola Kuleba é fundador e diretor da organização Save Ukraine, que atua no resgate e na reunificação de crianças ucranianas afetadas pela guerra com a Rússia. Ele criou a organização em 2014, no início do conflito no leste da Ucrânia, e ampliou sua atuação após a invasão russa em 2022. O grupo trabalha para localizar crianças levadas para áreas sob controle russo, facilitar seu retorno à Ucrânia e oferecer apoio às famílias deslocadas.

Tribunal Penal Internacional

Criado em 2002 e sediado em Haia, o Tribunal Penal Internacional (TPI) julga indivíduos acusados de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. A corte atua em investigações relacionadas a conflitos como os da Ucrânia, Sudão, República Democrática do Congo e Venezuela.

Em 2026, o tribunal passou a enfrentar uma pressão ainda maior do governo Trump, que ampliou sanções contra integrantes da instituição. Em agosto, a Assembleia dos Estados Partes denunciou novas sanções americanas contra a presidente do tribunal e um integrante do gabinete do procurador.

Estação Espacial Internacional

A Estação Espacial Internacional (ISS) é um projeto científico conjunto de Estados Unidos, Rússia, Europa, Japão e Canadá. A estação é considerada uma das principais iniciativas de cooperação internacional mantidas apesar das tensões geopolíticas. Em julho, um astronauta americano viajou à ISS ao lado de dois cosmonautas russos, em uma missão que manteve a cooperação entre NASA e Roscosmos mesmo com a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Corte Internacional de Justiça

A Corte Internacional de Justiça (CIJ) é o principal tribunal da ONU para disputas entre Estados. Criada em 1945, a corte também emite pareceres sobre questões de direito internacional. Nos últimos anos, ganhou destaque por processos relacionados às guerras em Gaza e na Ucrânia.

Salas de Resposta de Emergência do Sudão

As Salas de Resposta de Emergência, conhecidas pela sigla ERRs, são redes comunitárias criadas por voluntários sudaneses para prestar assistência à população durante a guerra iniciada em 2023. Elas organizam distribuição de alimentos, atendimento médico, abrigos e evacuações em áreas onde o Estado e organizações humanitárias tradicionais têm dificuldade de chegar.

Segundo o Chatham House, existem mais de 700 salas nos 18 estados do Sudão, mobilizando mais de 26 mil voluntários. O movimento ganhou destaque internacional por manter serviços básicos durante o colapso provocado pela guerra.

Save the Children

A Save the Children é uma organização humanitária internacional criada em 1919 e dedicada à proteção de crianças. No Sudão, atua em áreas como saúde, nutrição, educação, água e proteção infantil em meio à guerra. Em 2025, a organização destacou que as Salas de Resposta de Emergência se tornaram mecanismos importantes de assistência no país.

Em 2026, a Save the Children continuou relatando o impacto da guerra sobre crianças sudanesas. Em agosto, informou que quase 39 mil crianças deslocadas haviam chegado a El Obeid em seis meses, enquanto milhares de outras foram deslocadas pela escalada da violência. A organização aparece na lista do PRIO ao lado do ucraniano Mykola Kuleba, em uma possível premiação voltada à proteção de crianças em guerras.

Comitê para a Proteção dos Jornalistas

Fundado em 1981, em Nova York, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) atua na defesa da liberdade de imprensa e na proteção de jornalistas ameaçados, especialmente em zonas de conflito. A organização documenta assassinatos, prisões e outras violações contra profissionais da imprensa e pressiona governos para investigar crimes e garantir condições de trabalho.

Em 2026, o CPJ participou de um relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o colapso da liberdade de imprensa no Sudão. A indicação também ocorre após anos de aumento da violência contra jornalistas em diferentes guerras, incluindo Gaza, Ucrânia e Sudão.

Multilateralismo no foco

Segundo Kristian Berg Harpviken, secretário-geral do Comitê Nobel Norueguês, o órgão acompanha atentamente as mudanças na ordem internacional.

Questionado sobre a possibilidade de o comitê, em algum momento, escolher um laureado preocupado com a forma que essa nova ordem mundial deveria assumir, Harpviken confirmou.

Ainda segundo as mudanças na ordem internacional, Harpviken afirmou que "algumas das tendências que estamos observando internacionalmente ameaçam muitos dos valores que o Prêmio Nobel da Paz defendeu ao longo de sua história."

Já Haakon Gjerløw, diretor do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo - e tido como um dos melhores palpiteiros sobre o prêmio - afirmou que instituições tidas como colaborativas e que se destaquem por reunir grupos diferentes são as preferidas.

Para ele, a Estação Espacial Internacional é um raro símbolo de cooperação entre países em uma missão conjunta para explorar o espaço. Isso ocorre em um momento de enfraquecimento do multilateralismo, segundo Gjerløw, enquanto vários países adotam políticas mais voltadas para seus próprios interesses.

Com informações de AFP e Reuters

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