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Maior doador da eleição financiou 13 candidatos que se elegeram; 14 foram derrotados

Plenário da Câmara dos Deputados

G1 — Política · 2026-10-08T03:00:00.000Z

Plenário da Câmara dos Deputados

Bruno Spada / Câmara dos Deputados

A pessoa física com o maior volume de doações feitas a campanhas eleitorais até agora é Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração da Cosan, holding brasileira de investimentos em negócios e infraestrutura. Com o resultado do primeiro turno, Mello financiou a candidatura de 13 nomes eleitos em assembleias legislativas e na Câmara dos Deputados.

Ao todo, o empresário enviou R$ 6,6 milhões a 38 destinatários diferentes. Levantamento feito pelo g1 mostra que os beneficiários estão divididos entre:

Não eleitos: 14 (10 eram candidatos à Câmara dos Deputados, e 4 a assembleias legislativas). Total de doações: R$ 1,95 milhão.

Eleitos: 13 (9 foram eleitos deputados federais e 4 deputados estaduais). Total de doações: R$ 1,70 milhão.

Suplentes: 3 (todos ficaram como suplentes de seus partidos nas assembleias legislativas estaduais). Total de doações: R$ 450 mil.

Diretórios partidários: 8 (1 diretório nacional e 7 diretórios estaduais). Total de doações: R$ 2,5 milhões.

Mello fez doações diretas somente a candidatos do Legislativo. Não enviou repasses a candidatos à Presidência, a governador e nem ao Senado.

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O principal partido atendido pelo empresário foi o PSD, destino de 5 doações diferentes. Outras siglas reincidentes são o PL e o Republicanos, com 4 candidatos atendidos cada um. Também aparecem PT, PP, MDB, Podemos, PSDB, PSB e Novo. O PP foi o partido que recebeu a maior quantia de dinheiro entre as siglas.

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Além disso, Mello priorizou candidatos que concorreram pelo estado de São Paulo: eles representam mais de um terço dos destinatários dos seus recursos. Mato Grosso, Paraná e Sergipe também aparecem com frequência. O estado nordestino concentra R$ 1 milhão das suas doações, divididos entre 3 candidaturas diferentes.

Veja mais detalhes sobre as candidaturas que receberam repasses de Mello:

Pedro Lupion, candidato a deputado federal pelo Republicanos no Paraná. Foi eleito com 1,76% dos votos. Recebeu R$ 300 mil.

Gustinho Ribeiro, candidato a deputado federal pelo PP em Sergipe. Foi eleito com 4,5% dos votos. Recebeu R$ 300 mil.

Carlos Alberto Zarattini, candidato a deputado federal pelo PT em São Paulo. Foi eleito com 0,5% dos votos. Recebeu R$ 200 mil.

Luciano Pimentel, candidato a deputado estadual pelo PL em Sergipe. Foi eleito com 2,22% dos votos válidos. Recebeu R$ 200 mil.

Silvio Costa Filho, candidato a deputado federal pelo Republicanos em Pernambuco. Foi eleito com 3,24% dos votos válidos. Recebeu R$ 100 mil.

Carla Morando, candidata a deputada estadual pelo PSD em São Paulo. Foi eleita com 0,41% dos votos válidos. Recebeu R$ 100 mil.

João Bacelar Filho, candidato a deputado federal pelo PL na Bahia. Foi eleito com 1,29% dos votos válidos. Recebeu R$ 100 mil.

Sergio Souza, candidato a deputado federal pelo MDB no Paraná. Foi eleito com 1,12% dos votos válidos. Recebeu R$ 100 mil.

Arlindo Chinaglia, candidato a deputado federal pelo PT em São Paulo. Foi eleito com 0,52% dos votos. Recebeu R$ 100 mil.

Carlos Avallone, candidato a deputado estadual pelo PSDB em Mato Grosso. Foi eleito com 1,61% dos votos válidos. Recebeu R$ 50 mil.

Capitão Alden, candidato a deputado federal pelo PL na Bahia. Foi eleito com 1,27% dos votos. Recebeu R$ 50 mil.

Coronel Roveri, candidato a deputado federal pelo Podemos em Mato Grosso. Foi eleito com 2,48% dos votos válidos. Recebeu R$ 50 mil.

Franco Sardelli, candidato a deputado estadual pelo PL em São Paulo. Foi eleito com 0,42% dos votos válidos. Recebeu R$ 50 mil.

João Junior, candidato a deputado estadual pelo Democratas em Minas Gerais. Ficou como suplente do partido, com 0,27% dos votos válidos. Recebeu R$ 200 mil.

João Barroso Filho, candidato a deputado estadual pelo PSDB no Ceará. Ficou como suplente do partido, com 0,18% dos votos válidos. Recebeu R$ 150 mil.

Eduardo Botelho, candidato a deputado estadual pelo MDB em Mato Grosso. Ficou como suplente do partido, com 3,88% dos votos válidos. Recebeu R$ 100 mil.

Levi Oliveira, candidato a deputado federal pelo PP em Sergipe. Não foi eleito. Recebeu 3,09% dos votos. Recebeu R$ 500 mil.

Marcel Rangel Cruz de Oliveira, candidato a deputado federal pelo PSD no Paraná. Não foi eleito. Recebeu 1% dos votos. Recebeu R$ 300 mil.

Antonio Carlos Rodrigues, candidato a deputado federal pelo Podemos em São Paulo. Não foi eleito. Recebeu 0,28% dos votos. Recebeu R$ 200 mil.

Mateus Simões, candidato a governador de Minas Gerais pelo PSD. Não foi eleito. Recebeu 4,65% dos votos. Recebeu R$ 150 mil.

José Dirceu, candidato a deputado federal pelo PT em São Paulo. Não foi eleito. Recebeu 0,33% dos votos válidos. Recebeu R$ 100 mil.

Jéssica Riva, candidata a deputada estadual pelo MDB em Mato Grosso. Não foi eleita. Recebeu 1,35% dos votos válidos. Recebeu R$ 100 mil.

Hugo Leal, candidato a deputado federal pelo PSD no Rio de Janeiro. Não foi eleito. Recebeu 0,65% dos votos. Recebeu R$ 100 mil.

Onyx Lorenzoni, candidato a deputado federal pelo PP no Rio Grande do Sul. Não foi eleito. Recebeu 0,67% dos votos válidos. Recebeu R$ 100 mil.

Marco Vinholi, candidato a deputado federal pelo Republicanos em São Paulo. Não foi eleito. Recebeu 0,34% dos votos válidos. Recebeu R$ 100 mil.

Thiago Virgílio, candidato a deputado estadual pelo Republicanos no Rio de Janeiro. Não foi eleito. Recebeu 0,28% dos votos. Recebeu R$ 100 mil.

Alex Lacerda, candidato a deputado federal pelo PSB em São Paulo. Não foi eleito. Recebeu 0,04% dos votos válidos. Recebeu R$ 50 mil.

George Hato, candidato a deputado estadual pelo MDB em São Paulo. Não foi eleito. Recebeu 0,25% dos votos válidos. Recebeu R$ 50 mil.

Rodini, candidato a deputado estadual pelo Novo em São Paulo. Não foi eleito. Recebeu 0,07% dos votos válidos. Recebeu R$ 50 mil.

Luiz Dalben, candidato a deputado federal pelo PSD em São Paulo. Não foi eleito. Recebeu 0,06% dos votos válidos. Recebeu R$ 50 mil.

Direção Nacional do MDB: R$ 1 milhão

Direção estadual do Republicanos em Mato Grosso: R$ 600 mil

Direção estadual do PL em Tocantins: R$ 300 mil

Direção estadual do PP no Mato Grosso do Sul: R$ 200 mil

Direção estadual do PSD em Minas Gerais: R$ 150 mil

Direção estadual do PL em Pernambuco: R$ 100 mil

Direção estadual do Republicanos no Paraná: R$ 100 mil

Direção estadual do Podemos em Mato Grosso: R$ 50 mil

Como funcionam as doações para as campanhas?

Qualquer pessoa física pode apoiar financeiramente candidatas, candidatos ou partidos políticos. As doações devem ser feitas de forma identificada e rastreável.

Márcio Nogueira, especialista em Direito Eleitoral e Digital e presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RO), explica que candidatos e partidos podem arrecadar recursos até o dia da eleição. Depois disso, a arrecadação só pode continuar em uma situação específica: para quitar despesas de campanha já realizadas, mas ainda não pagas.

Nem toda doação eleitoral precisa ser feita em dinheiro. Pessoas físicas também podem ceder bens ou prestar serviços gratuitamente à campanha, contribuições registradas como “doações estimáveis em dinheiro”.

Segundo Nogueira, doações em dinheiro são limitadas a 10% dos rendimentos brutos do doador no ano anterior à eleição. Já bens e serviços podem ser doados até o valor estimado de R$ 40 mil por doador; acima disso, aplica-se o limite de 10%.

A legislação também determina que os bens pertençam ao doador e que os serviços sejam prestados por ele próprio. O valor declarado deve ser compatível com os preços praticados no mercado.

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