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Um mês para o Enem 2026: o que ainda vale a pena estudar e revisar

2º dia de aplicação do Enem 2025.

G1 — Brasil · 2026-10-08T06:00:00.000Z

2º dia de aplicação do Enem 2025.

Angelo Miguel/MEC e Bruna Araújo/MEC.

Falta exatamente um mês para o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. Para quem passou o ano estudando, este é o momento de consolidar o conteúdo e transformar conhecimento em desempenho. Para quem ainda não começou a preparação, o cenário é diferente: não há tempo para rever todo conteúdo de ensino médio que pode cair no exame, mas ainda é possível fazer escolhas que otimizem o esforço nesta etapa final de estudos.

Os professores ouvidos pelo g1 são unânimes em um ponto: a reta final não deve ser usada para tentar aprender tudo de uma vez. A recomendação é priorizar conteúdos recorrentes, resolver questões de provas anteriores e usar os erros como um mapa para decidir o que ainda precisa ser revisado.

“Pensando que agora estamos há um mês da prova, é impossível estudar todo o conteúdo programático do Enem. Mas há alguns temas que estão sempre presentes, que são de fato muito incidentes”, afirma Rodrigo Magalhães, professor da Plataforma AZ.

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Para quem já estudou durante o ano, a orientação é diferente. Em vez de aumentar indiscriminadamente a quantidade de conteúdo, o estudante deve concentrar esforços em exercícios, simulados e revisão das dificuldades identificadas ao longo da preparação.

Yuri Vieira, coordenador de ensino médio do colégio Sigma, resume a estratégia como uma fase de consolidação: é hora de revisar, resolver questões e entender por que os erros continuam acontecendo.

Marcelo Almeida, professor de Matemática do Colégio Sigma, também destaca que o último mês exige uma mudança de estratégia. Segundo ele, a preparação precisa ser seletiva: para quem começou tarde, vale buscar conteúdos fundamentais e recorrentes; para quem já estudou, o foco deve estar em consolidar o conhecimento e analisar os erros.

👉🏾 O que fazer nas próximas semanas

Não tente estudar todo o conteúdo: para quem começou agora, a recomendação é identificar assuntos fundamentais e recorrentes e concentrar neles o tempo disponível.

Resolva questões do Enem: provas anteriores ajudam a reconhecer a linguagem e o formato das questões e a descobrir quais conteúdos ainda são pontos fracos.

Use os erros para decidir o que revisar: em vez de apenas contabilizar acertos, observe por que errou — por falta de conteúdo, interpretação, cálculo, distração ou dificuldade para administrar o tempo.

Faça simulados com tempo controlado: o treinamento deve reproduzir, sempre que possível, as condições de uma prova longa, incluindo o gerenciamento do tempo.

Treine a redação: mesmo quem já estudou ao longo do ano não deve deixar a produção de textos para a última semana.

Priorize conhecimentos fundamentais: especialmente em Matemática, os professores recomendam segurança nos conteúdos básicos antes de dedicar muito tempo a questões de alta dificuldade.

Não abandone sono e descanso: aumentar drasticamente a carga horária de estudos nas últimas semanas pode levar o estudante a chegar cansado à prova.

Primeiro domingo: interpretação, redação e conteúdos de Humanas

No primeiro dia do Enem, os participantes fazem as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias; além da redação. Em vez de tentar memorizar uma grande quantidade de informações, os professores recomendam treinar principalmente a capacidade de interpretar diferentes tipos de texto e relacionar informações.

Yuri Vieira afirma que a interpretação é uma habilidade que atravessa praticamente toda a prova do primeiro domingo. A recomendação é praticar a leitura de textos, imagens, charges, gráficos e outras formas de linguagem, além de aprender a relacionar os contextos apresentados nas questões.

Em Humanas, mais do que sair decorando uma quantidade enorme de datas e informações, é importante conseguir interpretar contextos, estabelecer relações e compreender os fenômenos históricos, sociais, políticos, filosóficos e geográficos apresentados nas questões.

Em Ciências Humanas, Rodrigo Magalhães chama atenção especialmente para Filosofia e Sociologia. Na avaliação dele, são áreas que podem acabar recebendo menos atenção durante a preparação escolar do que História e Geografia.

Ou seja, a orientação não é abandonar as disciplinas mais tradicionais, mas usar o último mês para identificar lacunas e reforçar áreas que receberam menos atenção durante o ano.

📝 Na redação, é importante manter o treino

Folha de rascunho da Redação do Enem.

A redação merece um espaço específico na reta final. Rodrigo Magalhães recomenda que o estudante pratique diferentes temas, revise a estrutura do texto e identifique em quais competências costuma perder mais pontos.

Yuri Vieira também reforça a orientação para que a redação continue fazendo parte da rotina até a prova. Para ele, é importante escrever, receber uma devolutiva quando possível e revisar aspectos como estrutura, argumentação, repertório, coesão e proposta de intervenção.

“É muito mais importante saber trabalhar bem com aquilo que você realmente domina”, afirma Vieira, ao alertar para o risco de tentar decorar dezenas de repertórios ou modelos prontos nas últimas semanas.

A orientação é especialmente importante para quem começou a estudar tarde: em vez de tentar memorizar modelos inteiros, o estudante pode usar os exercícios e as correções para identificar quais aspectos da produção textual ainda precisam ser trabalhados.

🗣️ E a prova de língua estrangeira?

No primeiro domingo, o participante responde às questões de inglês ou espanhol escolhidas na inscrição.

Rosemberg Lucas de Andrade, professor de Inglês da Maple Bear Brasília, recomenda abandonar, neste momento, uma preparação baseada principalmente em regras gramaticais e listas de palavras.

Segundo ele, o estudante deve priorizar a leitura contextualizada, prestando atenção ao significado de palavras e expressões dentro do texto, aos falsos cognatos, às gírias e aos conectivos.

Outra dica deixada pelo professor é observar a função social do texto e a intenção de quem o produziu.

“Na prática, mais de 90% da prova consiste em interpretação de texto pura, o que significa que o seu maior aliado na hora do exame será o domínio da leitura crítica e contextualizada”, afirma Andrade.

Ele recomenda ainda que, até a prova, o estudante tenha contato frequente com diferentes gêneros textuais em no idioma escolhido, como notícias, postagens de redes sociais, poemas, tirinhas, cartuns, infográficos e campanhas publicitárias.

Para ganhar tempo durante a prova, Andrade sugere começar pelo enunciado e pelas alternativas em português, verificar a fonte do texto para identificar seu gênero e, depois, fazer a leitura da passagem na língua estrangeira, procurando as informações necessárias para responder à questão.

Segundo domingo: Matemática e Ciências da Natureza

No segundo dia, entram em cena Matemática e Ciências da Natureza, que reúne Biologia, Física e Química. Como a quantidade de conteúdos possíveis é muito grande, a orientação dos professores é priorizar fundamentos e resolver questões contextualizadas.

Em Matemática, Rodrigo Magalhães recomenda atenção especial à disciplina e cita entre os conteúdos que podem entrar na revisão temas como funções, análise combinatória, probabilidade, estatística, juros e porcentagem. Em Geometria, ele destaca triângulos, áreas de polígonos, prismas, pirâmides e cilindros.

Marcelo Almeida amplia essa lista e recomenda revisar razão e proporção, porcentagem, regra de três, gráficos e tabelas, estatística, probabilidade, geometria, grandezas e medidas e matemática financeira.

“Antes de se preocupar com problemas de alta complexidade, o aluno precisa ter segurança nas questões que envolvem conhecimentos fundamentais”, afirma Almeida.

A ideia é evitar que o estudante gaste uma parcela excessiva do último mês tentando dominar questões muito difíceis enquanto ainda perde pontos em problemas que envolvem conhecimentos básicos ou erros de interpretação.

🧬 Em Natureza, entenda o conceito antes de decorar fórmulas

Química | Enem

Em Biologia, Física e Química, Yuri Vieira recomenda revisar os conceitos estruturantes, mas sempre relacionando o conteúdo a situações concretas.

A lógica é especialmente útil para o formato do Enem: em vez de estudar apenas definições ou fórmulas isoladas, o estudante deve praticar questões que apresentem um contexto e exijam a aplicação daquele conhecimento.

“Mais do que tentar decorar uma quantidade enorme de fórmulas, é importante entender o que aquela fórmula representa, quando utilizá-la e quais informações da questão realmente são necessárias”, diz Vieira.

Na prática, uma boa sessão de revisão pode combinar três etapas: resolver algumas questões de determinado assunto, identificar os erros e voltar ao conteúdo apenas no ponto em que surgiu a dificuldade. Depois, o estudante pode refazer a questão para verificar se conseguiu corrigir o problema.

Treinar o conteúdo fazendo a prova

Além das disciplinas, existe outro elemento que precisa entrar no planejamento deste último mês: a própria estratégia de prova.

O Enem é uma avaliação longa, e os professores recomendam que o estudante pratique não apenas a resolução de questões, mas também a administração do tempo, a concentração e a tomada de decisão diante de questões difíceis.

Rodrigo Magalhães sugere reservar uma manhã ou uma tarde para realizar um dia completo de uma prova anterior, respeitando o limite de tempo. A ideia é reproduzir, tanto quanto possível, a experiência de permanecer várias horas resolvendo questões.

“Uma boa estratégia é pular as questões mais difíceis, para ter tempo de fazer e garantir o acerto nas questões fáceis e médias”, afirma.

Marcelo Almeida faz uma ressalva importante sobre a relação entre essa estratégia e a Teoria de Resposta ao Item (TRI), usada na correção das provas objetivas. Segundo ele, é simplificação dizer que uma questão fácil necessariamente “vale mais” que uma difícil. A TRI considera o padrão de respostas do participante e a coerência entre os acertos.

Por isso, a orientação não é simplesmente procurar as questões mais fáceis, mas evitar gastar muitos minutos em um único item difícil enquanto outras questões que o estudante teria condições de resolver ficam para trás.

Último mês não precisa ser sinônimo de desespero

Para quem ainda não começou a estudar, os professores não prometem uma recuperação completa do conteúdo do ensino médio em quatro semanas. A recomendação é mais objetiva: escolher o que estudar, resolver questões e corrigir rapidamente as principais lacunas.

Yuri Vieira resume essa diferença entre uma rotina possível e uma preparação irreal ao defender que o estudante considere o tempo que realmente tem disponível.

É melhor estudar duas ou três horas com qualidade e constância do que planejar oito horas por dia e abandonar tudo depois de uma semana. Nesse último mês, organização e estratégia fazem muita diferença.

Para quem já vem estudando, a orientação é não desmontar a preparação construída ao longo do ano. A prioridade passa a ser revisar, fazer provas anteriores, analisar erros, treinar redação e simular a prova com controle de tempo.

E, segundo os professores, o descanso também precisa entrar no planejamento. Marcelo Almeida também recomenda combinar revisão, questões, simulados, análise dos erros e descanso. Já Yuri Vieira reforça que sono, alimentação e pausas fazem parte da preparação.

“Não adianta estudar de maneira exagerada nas últimas semanas e chegar à prova física e emocionalmente esgotado”, afirma Vieira.

A lógica para os dois perfis — quem começou tarde e quem estudou durante o ano — é semelhante: usar as próximas semanas para transformar o tempo disponível em uma preparação mais eficiente, sem tentar recuperar tudo de uma vez.

Horários da prova

O Enem 2026 será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro.

8 de novembro

45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol);

45 questões de ciências humanas; e

15 de novembro

45 questões de matemática; e

45 questões de ciências da natureza.

⌚ Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília):

Abertura dos portões: 12h.

Fechamento dos portões: 13h.

Início das provas: 13h30.

Término das provas no 1º dia: 19h.

Término das provas no 2º dia: 18h30.

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