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'Frango não tem partido': por que o agro defende equilíbrio entre China e EUA após eleição

Post do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China sobre o Brasil

G1 — Economia · 2026-10-08T07:00:00.000Z

Post do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China sobre o Brasil

X / Reprodução

"A China tem olhado para a América Latina com muita cautela, buscando observar onde o seu investimento é bem-vindo, onde as suas relações comerciais são bem-vindas e onde não são."

A análise é da especialista em China Larissa Wachholz, que foi assessora especial do Ministério da Agricultura entre 2019 e 2021. A especialista participou de um evento no Insper, em São Paulo, sobre o futuro da segurança alimentar no país e os impactos para o agronegócio brasileiro.

Questionada pelo g1, ela analisou como Pequim vê o resultado do primeiro turno da eleição presidencial, que terminou com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A cautela chinesa está ligada à possibilidade de o Brasil e outros países da América Latina se alinharem mais aos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump. Ela afirma que essa preocupação começou no primeiro mandato do republicano e se intensificou no segundo.

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"Os Estados Unidos têm deixado cada vez mais claro em seus documentos internos que eles veem a América Latina como uma região de influência norte-americana", disse ela.

"Eles [os chineses] não querem se estabelecer em locais de confronto porque isso impõe um risco muito grande. Os investimentos precisam fazer sentido econômico e eles só vão fazer se houver estabilidade jurídica", destacou Wachholz, que coordena o Programa Ásia, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

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O que isso implica para o agro

Para o agronegócio brasileiro, os investimentos chineses têm ajudado a superar gargalos de infraestrutura e a tornar os produtos nacionais mais competitivos no exterior. Um exemplo está na estrutura necessária para exportar carnes: a carga precisa ser mantida refrigerada durante o transporte, o que exige contêineres especiais e portos preparados para operá-los.

"Hoje, nós temos investimentos importantes da China nessa área, que é o que acaba viabilizando a nossa exportação tão competitiva", ressalta.

"Por isso, se é de interesse do Brasil continuar atraindo investimentos chineses, é importante fazer uma sinalização positiva para a China e não sinalizar confronto. Mesmo que a gente tenha, eventualmente, um governo mais alinhado com os Estados Unidos, ", afirma.

Um exemplo é a participação da chinesa Cofco no terminal STS11, no Porto de Santos (SP), usado para a exportação de produtos agrícolas.

Já em Paranaguá (PR), a TCP, controlada pela chinesa China Merchants Port, ampliou a estrutura de tomadas para contêineres refrigerados, usados no transporte de carnes e outros alimentos congelados. Concluída em 2024, a expansão aumentou a capacidade de armazenar essas cargas e mantê-las na temperatura adequada até o embarque.

'Frango não tem partido'

A avaliação de Wachholz é compartilhada por Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, e Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que também participaram do debate.

"Vou dar a mesma resposta que eu dei quando o [Jair] Bolsonaro saiu do governo. Frango não tem partido nem ideologia. Não dá para misturar isso. Isso é muito importante. O agronegócio trabalha para a segurança alimentar brasileira e de 170 países. Então não tem não tem governo que vai atrapalhar um negócio que representa 35% do PIB brasileiro", afirmou o presidente da ABPA.

Para ele, o peso do Brasil no abastecimento mundial exige que qualquer governante preserve as relações comerciais com os países compradores. Santin afirmou ainda que não espera mudanças nas exportações de carnes para a China por causa do resultado eleitoral.

Já Marcos Jank destacou que a política comercial de Trump, marcada pela imposição de tarifas a outros países, tornou o ambiente internacional mais complexo para os negócios nos últimos anos.

Para ele, esse cenário exige que o Brasil preserve as relações com as duas potências: uma maior afinidade política com Washington ou Pequim não deveria significar o afastamento do outro parceiro.

“Nós temos que nos dar bem com os Estados Unidos e com a China, ou seja, isso é obrigatório”, afirmou.

A China é a maior compradora de produtos agropecuários do Brasil, seguida da União Europeia e dos Estados Unidos, segundo dados do Ministério da Agricultura.

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