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Simulação de venda de semijoias e ida a supermercado: como policial resgatou mulher mantida em cárcere em menos de 12 horas

Mulher de Santa Vitória relata cárcere privado após resgate em Goiás

G1 — Brasil · 2026-10-08T08:00:00.000Z

Mulher de Santa Vitória relata cárcere privado após resgate em Goiás

Uma conversa que parecia ser sobre a venda de semijoias, uma ida ao banheiro sob o pretexto de estar com dor de barriga e, horas depois, uma localização enviada de dentro de um supermercado fizeram parte do plano de uma mulher de Santa Vitória, no Triângulo Mineiro, para ajudar a Polícia Civil a prender em flagrante o namorado que a mantinha em cárcere privado, em Quirinópolis (GO).

Entre a denúncia anônima que levou o caso à polícia e a prisão do suspeito, passaram-se menos de 12 horas, segundo a escrivã que fingiu ser uma vendedora de semijoias para ajudar a vítima, de 28 anos.

A estratégia foi desenvolvida de forma discreta porque a vítima estava em uma propriedade rural e o companheiro poderia estar por perto durante os contatos com a polícia.

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Resgate começa com denúncia anônima

O caso chegou à Polícia Civil após uma denúncia anônima. Diante da suspeita de que a mulher era mantida em cárcere, a escrivã conseguiu fazer contato com ela.

Para evitar que o companheiro percebesse que se tratava de uma investigação, a escrivã fingiu ser uma vendedora de semijoias.

A policial apresentou produtos durante a conversa e, ao mesmo tempo, fez perguntas que poderiam ser respondidas apenas com “sim” ou “não”. Assim, confirmou de forma discreta que a mulher estava em situação de cárcere e que o companheiro estava por perto.

A conversa funcionou como uma forma de comunicação segura entre as duas. Sem precisar dizer abertamente que estava sendo mantida presa, a vítima conseguiu transmitir informações que ajudaram a policial a entender a situação.

Imagens de semijoias também foram enviadas durante o contato. O material ajudou a dar aparência de normalidade à conversa caso o companheiro visse o celular da mulher. Veja abaixo.

Conversa entre escrivã da PC e vítima de violência doméstica

Mulher finge dor de barriga para conversa reservada

Com o crime confirmado, a policial precisou conversar diretamente com a vítima sobre o resgate, sem que o homem percebesse.

Segundo o relato feito à polícia, a mulher simulou estar com dor de barriga e se afastou do companheiro. No banheiro, ela trocou mais mensagens com a escrivã.

A vítima contou que estava com medo de que o homem percebesse a conversa e informou que estava em uma fazenda. Nas mensagens, explicou que iria até a cidade e avisaria a policial assim que tivesse oportunidade.

A escrivã orientou que uma equipe da Polícia Militar seria acionada assim que a vítima enviasse a localização.

Vítima foi ao supermercado e enviou localização

Já na área urbana de Quirinópolis, a mulher convenceu o companheiro a levá-la até um supermercado. Ela estava acompanhada da filha, de 2 anos.

No estabelecimento, a vítima se escondeu no banheiro com a criança e enviou a localização à escrivã.

Segundo a Polícia Civil, a policial acionou a Polícia Militar de Goiás, que foi até o supermercado e abordou o homem. Inicialmente, ele negou as acusações, conforme a PM.

A mulher, porém, confirmou aos policiais que foi mantida em cárcere e manifestou interesse em prosseguir com a denúncia. Ela também solicitou medidas protetivas de urgência.

Os dois foram levados para a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher. O homem foi autuado em flagrante por violência doméstica. Segundo a PMGO, ele já tinha passagem criminal por homicídio.

A mulher e a filha estão com a familiares.

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Relato de agressões e ameaças

Durante o atendimento policial, a vítima contou que conheceu o homem há dois meses. Segundo ela, os dois se conheceram pelas redes sociais e, depois de algumas visitas, passaram a morar juntos na zona rural de Goiás.

Segundo a vítima, o relacionamento era marcado por brigas constantes. Ela manifestou o desejo de voltar para Santa Vitória, em Minas Gerais, e o companheiro inicialmente concordou em levá-la de volta.

No dia combinado para o retorno, porém, houve uma nova discussão. Segundo a vítima, ela foi trancada em um quarto com a filha.

Ela também afirmou ter sido agredida e ameaçada de morte. Durante o episódio, segundo a vítima, o homem teria espalhado os pertences dela pelo chão.

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