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País tem 30 milhões de crianças sob risco climático e El Niño forte pode agravar cenário, alerta Unicef

Calor intenso coloca crianças sob risco

G1 — Brasil · 2026-10-08T11:36:38.000Z

Calor intenso coloca crianças sob risco

Luiz Costa/Hoje em Dia/Estadão Conteúdo

Mais de 30 milhões de crianças estão expostas a dois ou mais riscos climáticos no Brasil, segundo análise inédita do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgada nesta quinta-feira (8). O cenário se agrava com o avanço do El Niño, apontado como um dos mais fortes desde 1950.

O estudo, feito pelo centro do Unicef especializado em crianças e resiliência climática, com sede em Bangcoc, na Tailândia, mostra por quais caminhos a seca, o calor extremo, as queimadas, os temporais e as enchentes atingem a vida das crianças: da saúde à alimentação, do acesso à água à escola e à proteção.

O mundo enfrenta um El Niño, sob risco de ser muito forte, com risco de atingir intensidade histórica. O fenômeno, que aquece as águas do Pacífico e afeta o clima no país, cria um cenário de seca no Norte e de chuvas mais intensas no Sul.

O Brasil viveu um El Niño intenso em 2024, com consequências de norte a sul. A análise do Unicef mostra os impactos à época para as crianças:

As enchentes no Rio Grande do Sul afetaram a educação de 741 mil estudantes.

No outro extremo do mapa, a seca na Amazônia atingiu outros 436 mil, com comunidades sem acesso à água ou à comida.

Ao todo, 1,17 milhão de crianças e adolescentes tiveram as aulas interrompidas.

Estudantes empurram barco na lama para ir à escola durante seca no Bailique

O crnário no país faz parte de um padrão global. Segundo o relatório de riscos climáticos para crianças do Unicef, 1,1 bilhão de crianças, quase metade das crianças do mundo, estão expostas a três ou mais riscos climáticos sobrepostos.

Ainda não é possível prever se o evento deste ano será tão impactante quanto o de 2024. Segundo meteorologistas, mesmo que o fenômeno seja muito forte, tudo depende do comportamento da atmosfera.

No entanto, os dados de 2024 mostram, segundo o Unicef, como os serviços dos quais as crianças dependem ficam vulneráveis quando seca, calor, fumaça ou chuva extrema chegam.

"Uma seca pode significar falta de água segura, fumaça, dificuldade para chegar à escola ou ao posto de saúde. Uma enchente pode significar escola fechada, vacinação interrompida ou perda da renda da família", afirma Danilo Moura, especialista em clima e meio ambiente do Unicef no Brasil.

Por estarem em desenvolvimento, as crianças são mais sensíveis ao calor extremo, à desidratação, à fumaça, à má nutrição e às doenças que se espalham com as mudanças de temperatura e de chuva, aponta a análise.

"Nós já sabemos que há um El Niño forte em curso e conhecemos os tipos de impacto que podem atingir diferentes regiões. Preparar os serviços agora custa menos, permite responder mais rápido e, principalmente, evita que a emergência climática se transforme em uma emergência para as crianças", diz Danilo.

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