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Outubro Rosa Pet: saiba sinais, prevenção e tratamento do câncer de mama em cães e gatos

Câncer de mama também afeta cães e gatos e pode ser fatal

G1 — Brasil · 2026-10-08T12:25:34.000Z

Câncer de mama também afeta cães e gatos e pode ser fatal

Assim como os humanos, cães e gatos também desenvolvem câncer de mama. A doença é mais comum entre as fêmeas das espécies, mas os machos não estão livres do risco, embora os casos sejam raros.

Ao g1, a médica veterinária Viviane de Almeida, que atende em Sorocaba (SP), disse que embora não exista uma idade mínima para o surgimento da doença, o risco aumenta conforme o animal envelhece.

"Em cadelas, os tumores mamários são mais frequentes em animais de meia-idade e idosos, geralmente a partir dos 7, 8 anos. Nas gatas, a ocorrência também aumenta com a idade, sendo comum em animais mais velhos. Um detalhe importante: os tumores mamários felinos apresentam uma proporção muito maior de malignidade do que os caninos", explica a veterinária.

Como apontou a veterinária, a principal diferença é o comportamento da doença entre as espécies: enquanto nos cães há uma variedade maior de tumores, nos gatos entre 80% e 90% dos tumores mamários são malignos, predominantemente carcinomas.

"'Câncer de mama'" é um termo geral. Existem diferentes tipos de tumores mamários, que podem ser benignos ou malignos. Um nódulo pequeno e aparentemente inofensivo também precisa ser investigado”, pontua.

O principal sinal de alerta é o aparecimento de um ou mais nódulos na cadeia mamária do animal. Eles podem ser percebidos durante um carinho ou ao passar a mão na região.

Os responsáveis devem ficar atentos a:

nódulos ou áreas endurecidas nas mamas;

aumento de volume ou mudança no formato da mama;

nódulos que crescem;

vermelhidão ou alterações na pele;

feridas ou ulcerações;

secreção ou sangramento pelo mamilo;

dor ou sensibilidade na região;

aumento dos linfonodos, especialmente em casos mais avançados.

"Por isso, não é possível determinar apenas pelo tamanho ou pela aparência do nódulo se ele é benigno ou maligno. O diagnóstico definitivo depende da avaliação histopatológica", ressalta Viviane.

Viviane de Almeida, médica veterinária de Sorocaba (SP), fala sobre o câncer de mama em cães e gatos

Quais exames podem ser feitos?

Ainda não existe um exame de sangue capaz de indicar, de forma geral, que um animal não tem câncer de mama. Por isso, a prevenção começa com a observação frequente e com avaliações periódicas das cadeias mamárias por um veterinário.

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Quando uma "bolinha" é identificada, o profissional pode solicitar exames para investigar a lesão. Entre eles estão a citologia por punção aspirativa, exames de sangue para avaliação pré-operatória, radiografias do tórax para investigar possíveis metástases pulmonares e, dependendo do caso, ultrassonografia abdominal.

"A histopatologia do tumor é considerada fundamental para confirmar o diagnóstico e fornecer informações importantes sobre o prognóstico", compartilha a especialista.

Ultrassom pode ajudar a identificar mais características dos tumores

Cirurgia é sempre necessária?

Diagnóstico fechado, é momento de partir para o tratamento, que depende de diversos fatores, como o tipo de tumor, tamanho, localização, quantidade de mamas envolvidas, presença ou não de metástases e as condições gerais de saúde do animal.

"Quando o tumor é operável e não há contraindicação, a cirurgia geralmente é o principal tratamento, especialmente quando realizada antes de uma disseminação importante da doença. Mas não existe uma cirurgia única para todos os casos. O planejamento é individualizado", explica a médica.

A extensão da cirurgia também varia de acordo com cada caso. Pode ser retirada apenas a formação, uma ou mais glândulas mamárias ou uma cadeia mamária inteira. Em algumas situações, também é necessária a remoção de linfonodos próximos.

"Depois da cirurgia, o material deve ser encaminhado para histopatologia. O resultado pode indicar a necessidade de tratamentos complementares, como quimioterapia, principalmente quando há características de maior agressividade ou risco de metástase", cita.

Castrar antes do primeiro cio causa câncer?

Um dos mitos relacionados à castração de fêmeas é a ideia de que o procedimento aumentaria o risco de câncer de mama ou de útero. No entanto, segundo a veterinária, a castração precoce pode reduzir significativamente o risco de desenvolvimento de tumores mamários em cadelas.

"O efeito protetor é maior quando a castração é realizada antes do primeiro cio e vai diminuindo conforme o número de ciclos estrais aumenta."

A especialista ressalta, porém, que atualmente a decisão sobre o melhor momento para castrar deve ser individualizada, levando em conta fatores como raça, porte, idade, estilo de vida e outros possíveis benefícios e riscos do procedimento.

A castração traz benefícios à saúde da fêmea, como a erradicação do risco de infecção do útero, além de prevenir a gravidez. Anticoncepcionais para cadelas e gatas podem falhar e causar doenças graves.

Prefeitura de Sorocaba/Divulgação

E as injeções anticoncepcionais?

Já as chamadas injeções anticoncepcionais à base de hormônios para pets podem sim aumentar o risco de problemas mamários, dependendo do hormônio utilizado, da dose e da frequência.

De acordo com Viviane, os progestágenos podem favorecer alterações no tecido mamário e estão associados a um risco maior de tumores mamários. Eles também podem contribuir para outras doenças do sistema reprodutivo, como hiperplasia endometrial cística e piometra.

"Por isso, esse tipo de medicamento não é considerado uma alternativa segura à castração para o controle reprodutivo de cães e gatos".

Quais fatores aumentam o risco?

A exposição hormonal ao longo da vida é um dos principais fatores relacionados aos tumores mamários, mas não é o único.

A veterinária cita que também podem contribuir:

exposição a hormônios;

uso de anticoncepcionais hormonais;

obesidade, especialmente em determinados períodos da vida;

características individuais relacionadas à raça.

"E existe uma questão importante: nem todo tumor mamário pode ser prevenido. Mesmo animais castrados podem desenvolver a doença, embora o risco possa ser muito menor quando a castração é realizada adequadamente", ressalta a médica.

Câncer de mama pode matar cães e gatos?

Não existe uma única taxa de letalidade que possa ser aplicada a todos os animais diagnosticados com tumor mamário, conforme a veterinária.

"O prognóstico depende principalmente de ser benigno ou maligno, tipo histológico, tamanho do tumor, grau de agressividade e presença ou ausência de metástases."

Nos gatos, o prognóstico, ou seja, a forma como a doença vai evoluir no futuro, tende a ser mais difícil de determinar porque a maioria dos tumores mamários é maligna e apresenta maior potencial de disseminação.

Já entre as cadelas, há uma grande variação de tumores. Alguns apresentam comportamento relativamente favorável, enquanto outros podem ser bastante agressivos.

"Quanto mais cedo o tumor for identificado e tratado, maiores são as chances de controle da doença", destaca Viviane

Câncer de mama também afeta cães e gatos e pode ser fatal

O que fazer ao encontrar um nódulo?

A orientação da veterinária é que os responsáveis examinem regularmente as mamas dos animais e procurem atendimento profissional ao perceber qualquer alteração.

Assim como para os humanos, a melhor prevenção é simples e de fácil acesso: examinar regularmente as mamas do animal e procurar o veterinário ao perceber qualquer nódulo, mesmo pequeno. Não é necessário esperar o nódulo crescer, ulcerar ou causar dor.

"Não aperte, massageei ou tente 'estourar' o nódulo em casa. O ideal é fazer uma avaliação veterinária e definir rapidamente a melhor investigação e conduta", finaliza a médica.

🐶 'Muita vontade de viver'

Há quatro anos, a cadela Mary recebeu o diagnóstico de câncer de mama, quando estava com 13 anos. O tutor, Alan Porto Bernardo, morador de Sorocaba (SP) contou ao g1 que levou a pet até o veterinário após notar um pequeno nódulo em uma das mamas.

“É silencioso. O único sintoma que tem é ser uma ‘bolinha’ na mama. O nódulo apareceu e, depois dos exames, vi que era câncer de mama mesmo”, relembrou.

A cadela Mary foi diagnostica com câncer de mama aos 13 anos

Alan Porto Bernardo/Arquivo pessoal

Logo na primeira consulta, a veterinária responsável pelo caso constatou que a cadela já apresentava metástases em outros órgãos. Diante do quadro, o tutor optou por não seguir com a quimioterapia e manter apenas o tratamento cirúrgico para a retirada dos tumores.

Desde o diagnóstico, Mary passou por diferentes procedimentos. Na primeira cirurgia, foram retiradas duas mamas. Depois, ela também precisou passar pela remoção de tumores nas patas e na região íntima.

“Eu procuro me inspirar na força dela. Ela passou brilhantemente por todo o processo. É uma inspiração, ela tem muita vontade de viver”, comentou Alan.

Mary recebeu o diagnóstico de câncer de mama após o tutor notar um nódulo da mama dela

Alan Porto Bernardo/Arquivo pessoal

Ao g1, Alan contou que acredita que a falta de castração pode ter contribuído para o desenvolvimento do câncer de mama em Mary.

“Eu tinha dó de operar e aí desenvolveu o câncer. Ela é uma fortaleza, não tem explicação. Eu sou um cara confiante e tenho fé. Fiquei preocupado, mas na certeza que tudo daria certo."

Antes do diagnóstico da cadela, o tutor disse que conhecia pouco sobre a doença.

“Muito pouco. Eu não tinha noção. Agora, tento orientar todo mundo da forma que posso”, contou.

No procedimento mais recente, para a retirada de um tumor nas patas, Mary levou 32 pontos. Ao vê-la logo após a cirurgia, Alan ficou assustado com o estado da cadela, mas ela se recuperou gradualmente e chegou a ser elogiada pela veterinária.

“A Mary não parece que tem essa idade. Ela é uma cadela normal, brinca, come e sobe escada. Ela é diferenciada, é muito forte”, concluiu. o tutor de Mary.

Ao g1, o tutor disse que se inspira na força e na vontade de viver do seu pet

Alan Porto Bernardo/Arquivo pessoal

*Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori

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