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Caso Yara Paulino: Ex-marido e outros três devem ir a júri popular mais de 1 ano após crime no Acre

Ismael Bezerra Freire (ex-marido), Patrícia de Castro da Silva, Leiliane Alves da Silva e Francisco Gleidson de Souza Nunes vão a júri por envolvimento na morte de Yara Paulino da Silva em Rio Branco, em 2025

G1 — Brasil · 2026-10-08T18:27:52.000Z

Ismael Bezerra Freire (ex-marido), Patrícia de Castro da Silva, Leiliane Alves da Silva e Francisco Gleidson de Souza Nunes vão a júri por envolvimento na morte de Yara Paulino da Silva em Rio Branco, em 2025

Quatro dos nove suspeitos envolvidos no assassinato de Yara Paulino da Silva, de 28 anos, em Rio Branco, foram pronunciados a júri popular referente ao caso no Acre. Entre os réus está Ismael Bezerra Freire, ex-marido da vítima. A previsão é de que o julgamento ocorra entre novembro e dezembro deste ano.

Os suspeitos Francisco Gleidson de Souza Nunes, Leiliane Alves da Silva e Patrícia de Castro da Silva também devem ir ao banco dos réus juntamente com Ismael. Inclusive, os dois últimos entraram com recurso contra a decisão judicial. O g1 não conseguiu contato com a defesa dos pronunciados até a última atualização desta reportagem.

“A Patrícia de Castro da Silva e o Ismael Bezerra Freire recorreram dessa decisão de pronúncia, pedindo para não serem pronunciados. Mas é possível que eles sejam pronunciados também. Então, hoje tem dois para ir para o júri e outros dois estão aguardando esse recurso [...] para verificar se eles irão a júri ou não”, disse o promotor Teotônio Rodrigues, do Ministério Público do Acre (MP-AC).

👉Contexto: Yara Paulino da Silva, de 28 anos, foi retirada de dentro de casa e assassinada no dia 24 de março do ano passado, na frente de outros dois filhos dela, sob a acusação de ter matado a filha de 2 meses e jogado o corpo em uma área de mata. Segundo as investigações da Polícia Civil, o crime foi cometido por integrantes de uma facção criminosa e tratado como uma espécie de 'disciplina'. À época, circulou o boato de que a mulher teria matado a própria filha e escondido os restos mortais em um saco de ração. A informação, no entanto, foi descartada após análise do Instituto Médico Legal (IML), que confirmou que a ossada encontrada em uma área de mata era de um animal.

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Além destes quatro acusados, Maria Liberdade da Silva Siqueira Chaves, José Gabriel Lima do Nascimento, Janderson Duque de Barros, Gabriel Sales Souza e Mizael Bezerra Freire também são suspeitos de participarem do crime.

Ainda de acordo com o promotor, a partir da morte de Yara, a Polícia Civil instaurou uma investigação e, na fase do inquérito, concluiu que nove pessoas foram responsáveis pelo crime.

“A Yara morreu a partir de um boato de que teria matado sua filha. Em razão disso, o crime organizado ali daquela região deliberou pela morte dela. Durante a investigação, a polícia concluiu que nove pessoas estavam envolvidas naquele homicídio”, afirmou.

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O promotor acrescenta ainda que o Ministério Público ofereceu denúncia contra os nove suspeitos e o processo seguiu para a instrução processual, onde quatro pessoas foram pronunciadas e outros cinco impronunciados. Segundo ele, um conjunto de provas e relatos de testemunhas levaram à decisão.

“Depoimento das pessoas envolvidas ali, os próprios réus indicaram nesse sentido [que o crime ocorreu devido ao boato de que Yara havia matado a filha]. Então, são provas testemunhais que nos levaram a esse indício”, detalhou.

Conforme o promotor, após o surgimento do boato, uma pessoa encontrou, em um terreno baldio, um saco de lixo com restos mortais e afirmaram que seria a filha de Yara. A criança nunca foi encontrada.

“Falaram que a criança estava no saco e surgiu esse boato. Quando se fez a perícia naqueles restos mortais, que estavam naquele saco, descobriu-se que era de um animal. E, por conta disso [do boato], Yara foi morta”, acrescentou.

Yara Paulino da Silva foi assassinada em 24 de março desse ano, após boato de ter matado própria filha

Denúncia do MP

O MP ofereceu denúncia contra os nove suspeitos envolvidos na morte de Yara por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, mediante ferimentos causados por instrumento contundente que causou a morte dela.

De acordo com o órgão, após a vítima informar a algumas pessoas da Cidade do Povo sobre o desaparecimento da filha, os acusados, que integram a facção criminosa 'Bonde dos 13', invadiram a casa de Yara e a agrediram, exigindo que ela confessasse que fosse a responsável pelo desaparecimento da filha.

A ordem para matar Yara, conforme a denúncia, foi emitida por Francisco Gleidson de Souza Nunes, liderança da facção na região.

“De acordo com a investigação, a vítima conseguiu se desvencilhar dos seus agressores e tentou fugir do local, mas foi rapidamente alcançada pelos denunciados, que, em plena via pública, desferiram sucessivos golpes contra ela até dilacerar seu cérebro, matando-a”, detalha a denúncia.

Yara Paulino da Silva, assassinada em Rio Branco

O corpo da vítima, segundo o laudo do exame cadavérico, apresentava feridas extensas na região da cabeça, tórax, braços e pernas. “Isso revela que, na execução do homicídio, foi infligido à vítima processo de sofrimento prolongado, intenso e desnecessário, caracterizando o meio cruel”, acrescenta o processo.

Ainda de acordo com a denúncia, sete testemunhas, incluindo o filho de Yara que presenciou a morte da mãe, devem ser ouvidas.

Veja abaixo por quais crimes cada um foi denunciado:

Francisco Gleidson de Souza Nunes, vulgo "Neném ou Pai": por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;

Leiliane Alves da Silva, vulgo "Comadre": por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;

Patrícia de Castro da Silva, vulgo "Neguinha": por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;

Maria Liberdade da Silva Siqueira Chaves: por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;

José Gabriel Lima do Nascimento, vulgo Metralha" ou "Lacoste": por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;

Janderson Duque de Barros, vulgo "Chosen": por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;

Gabriel Sales Souza, vulgo "Falcão" ou "Limão": por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;

Ismael Bezerra Freire: por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas;

Mizael Bezerra Freire: por homicídio qualificado por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima além de uso de arma, liderança e participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas.

A denúncia requer ainda a fixação de multa aos acusados, no valor mínimo de R$ 100 mil à família da vítima por danos morais causados pela morte de Yara Paulino.

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