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Caso Benício: Justiça mantém médica e técnica como rés por morte de menino após superdosagem de adrenalina em Manaus

Caso Benício: polícia conclui que menino de 6 anos foi vítima de erro médico e morreu após overdose de adrenalina

G1 — Brasil · 2026-07-28T01:41:09.000Z

Caso Benício: polícia conclui que menino de 6 anos foi vítima de erro médico e morreu após overdose de adrenalina

A Justiça do Amazonas manteve a médica Juliana Brasil e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia como rés no processo que investiga a morte de Benício Xavier, de 6 anos, após uma superdosagem de adrenalina durante atendimento no Hospital Santa Júlia, em Manaus.

Em decisão publicada na sexta-feira (24), o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Rafael Rodrigo da Silva Raposo, negou os pedidos das defesas para anular a denúncia e encerrar o processo. Com isso, Juliana e Raiza seguem respondendo por homicídio qualificado com dolo eventual, quando o investigado assume o risco de matar.

Na decisão, o magistrado afirmou que a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) descreve de forma clara e individualizada a conduta atribuída a cada acusada, atendendo aos requisitos legais para a continuação da ação penal.

Caso Benício: Justiça torna rés médica e técnica de enfermagem por morte de criança

A defesa da médica também havia solicitado um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), mas o pedido foi negado. Segundo o juiz, o benefício não pode ser aplicado em casos de homicídio doloso.

O magistrado ainda determinou que a defesa tenha acesso integral às provas digitais reunidas na investigação, incluindo registros do sistema hospitalar e vídeos em formato original. Além disso, o Ministério Público deverá se manifestar sobre a relação de mais de 50 testemunhas apresentadas pela defesa da médica.

O g1 questionou a defesa da médica Juliana Brasil sobre a decisão, mas até a publicação desta reportagem não houve resposta. A defesa de Raiza Praia não foi localizada.

Relembre o caso

Benício Xavier de Freitas morreu no dia 23 de novembro de 2025, em um hospital particular de Manaus, após ser levado à unidade com tosse seca e suspeita de laringite.

De acordo com a investigação da Polícia Civil, a médica Juliana Brasil prescreveu adrenalina por via intravenosa, embora o tratamento indicado para o quadro clínico fosse a administração do medicamento por inalação. A técnica de enfermagem Raiza Bentes aplicou a medicação na veia, mesmo após a mãe da criança questionar o procedimento.

Logo após receber o medicamento, Benício sofreu múltiplas paradas cardíacas e morreu.

A investigação concluiu que houve um "erro médico grosseiro" e apontou que a criança recebeu uma superdosagem de adrenalina.

Durante o inquérito, a polícia também informou que a médica trocava mensagens sobre venda de maquiagem pelo celular enquanto o menino era atendido. Os investigadores ainda apontaram que ela se apresentava como pediatra, apesar de não possuir Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área.

Em outra frente do caso, o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) instaurou processos ético-profissionais para apurar possíveis irregularidades na assistência prestada à criança.

Além disso, a Justiça determinou que o advogado da médica retirasse das redes sociais fotografias de Benício e publicações com a frase "eu não matei Benício". A decisão considerou o conteúdo sensacionalista e ofensivo à honra dos pais da criança. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 2 mil.

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