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Nos grupos de endometriose nas redes sociais, uma mesma história vem se repetindo: mulheres que começaram a usar a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, indicado para diabetes tipo 2 e obesidade, dizem sentir menos dor pélvica e menos inchaço abdominal.
G1 — Brasil · 2026-10-09T14:00:02.000Z
Nos grupos de endometriose nas redes sociais, uma mesma história vem se repetindo: mulheres que começaram a usar a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, indicado para diabetes tipo 2 e obesidade, dizem sentir menos dor pélvica e menos inchaço abdominal.
Isso despertou esperança em quem convive com as dores fortes da endometriose, doença que afeta cerca de 10% das mulheres no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Mas sentir alívio é uma coisa. Provar que o remédio trata a doença é outra, e é aí que entra o cuidado.
O que ligam o peso, a inflamação e o hormônio
Para entender por que algumas mulheres sentem alívio, é preciso entender como a endometriose funciona. Ela acontece quando um tecido parecido com o que reveste o útero por dentro passa a crescer fora dele. Esse tecido causa uma inflamação constante, e essa inflamação precisa do hormônio estrogênio para continuar acontecendo.
A gordura do corpo não serve só para guardar energia. Ela também funciona como uma pequena fábrica de hormônios: produz substâncias que aumentam a inflamação e consegue fabricar mais estrogênio, o que alimenta ainda mais a endometriose.
Quando alguém emagrece com a ajuda do Mounjaro, o corpo passa a ter menos dessa gordura, e, com isso, menos inflamação e menos estrogênio circulando. É por isso que a dor e o inchaço podem melhorar. Mas esse é um efeito indireto: o remédio não chega perto do verdadeiro foco da doença, que é o tecido crescendo fora do útero.
O que já foi provado, e o que ainda é só esperança
Essa explicação até faz sentido, mas pensar e provar são coisas diferentes. Até hoje, não existe nenhuma prova de que o Mounjaro trate a endometriose. "Até o momento, a tirzepatida não é considerada um tratamento específico para endometriose", afirma Tiago Castilho, cirurgião oncológico com atuação em cirurgia ginecológica e cirurgia de endometriose profunda.
Para a medicina confirmar que um remédio funciona de verdade, é preciso fazer um teste chamado estudo clínico controlado, o jeito mais confiável que existe para provar se um tratamento funciona. Até agora, nenhum estudo assim mostrou que o Mounjaro diminui os focos da doença, evita que os órgãos colem uns nos outros ou cura a endometriose.
Sentir menos dor não é o mesmo que ter a doença controlada. "Melhora dos sintomas não é necessariamente sinônimo de regressão da endometriose", destaca o cirurgião. Por isso, trocar um tratamento já indicado por uma esperança ainda não comprovada é arriscado: a doença pode continuar avançando por dentro, sem dar nenhum sinal, e isso atrasa o tratamento certo.
Por que cada caso precisa de um plano diferente
Tratar a endometriose não é igual para todo mundo. Cada plano precisa levar em conta o tamanho das lesões, como a doença afeta a vida da paciente e se ela quer engravidar. Remédios novos como o Mounjaro ajudam a entender melhor como a inflamação funciona no corpo, mas o diagnóstico e o tratamento continuam dependendo de uma avaliação médica cuidadosa e de exames de imagem feitos por quem entende da doença.
Para entender melhor essa relação, veja o artigo completo sobre endometriose, adenomiose e Mounjaro.
Remédios novos sempre despertam esperança, mas é preciso separar o que já foi provado do que ainda é só uma expectativa. Há mais de 10 anos cuidando e operando mulheres com endometriose, Tiago Castilho atua com tratamento individualizado e multidisciplinar . Quando a cirurgia é necessária, ele usa técnicas minimamente invasivas e conta com o apoio do Cuidado 360º para acompanhar a paciente antes e depois.
Para mais informações ou agendamento de consulta, entre em contato pelo telefone (44) 99169-8161.
Tiago Castilho é Cirurgião Oncológico com atuação em Cirurgia Ginecológica e Cirurgia de Endometriose Profunda, mestre e doutor na área, com mais de 10 anos de experiência no tratamento cirúrgico da doença. CRM-PR 22590 | RQE 2911 | RQE 844.