ITATIBA1
Igor Húngaro, Cadu e Mayara Oliveira testaram seus nomes nas urnas, mas os resultados em Itatiba mostram que transformar votação proporcional em força para disputar a Prefeitura ainda está longe de ser uma tarefa simples
Itatiba Hoje · 2026-10-09T15:15:48.000Z
Igor Húngaro, Cadu e Mayara Oliveira testaram seus nomes nas urnas, mas os resultados em Itatiba mostram que transformar votação proporcional em força para disputar a Prefeitura ainda está longe de ser uma tarefa simples
As eleições de 2026 poderiam ter funcionado como uma espécie de vitrine para quem pretende disputar a Prefeitura de Itatiba em 2028. Dois anos antes da próxima eleição municipal, três nomes ligados à política local decidiram colocar seus nomes à prova em disputas para deputado: Igor Húngaro, Cadu e Mayara Oliveira. O resultado, porém, deixou uma leitura menos confortável para pelo menos dois deles.
A votação obtida em Itatiba mostra que a eleição estadual e federal não foi suficiente para transformar os candidatos em forças eleitorais de primeira grandeza no município. Cadu conseguiu ampliar sua votação e aparece como o caso de maior crescimento entre os três. Já Igor e Mayara, embora tenham conquistado milhares de votos, ficaram distantes de uma demonstração de força que pudesse colocá-los, neste momento, em posição privilegiada para uma eventual corrida à Prefeitura.
Participe da COMUNIDADE do WhatsApp do Jornal Itatiba Hoje!!!
Igor Húngaro (PDT), vereador de primeiro mandato, recebeu 5.314 votos em Itatiba na disputa por uma vaga de deputado estadual. Cadu (PRD), também vereador, teve 4.516 votos para deputado federal. Mayara Oliveira (PSDB), mulher do ex-prefeito Douglas Oliveira, somou 3.758 votos no município na disputa para deputada federal. Nenhum dos três foi eleito.
Os números precisam ser lidos em perspectiva. Igor havia conquistado 1.092 votos para vereador em 2024 e Cadu, 1.370. Ou seja, ambos conseguiram ampliar suas votações. Mas, para quem pretendia utilizar uma eleição proporcional como teste de popularidade e preparação para uma possível disputa majoritária, a pergunta que fica é outra: o tamanho dessa ampliação foi suficiente?
A régua de Thomás pesa sobre os números
A comparação mais evidente é com Thomás Capeletto, justamente porque sua trajetória oferece um exemplo recente de alguém que utilizou uma candidatura a deputado como plataforma antes de chegar à Prefeitura.
Thomás foi eleito vereador pela primeira vez em 2012, com 1.919 votos, e reeleito em 2016 com 2.646. Em 2018, ainda vereador, disputou uma vaga de deputado estadual. Recebeu 22.621 votos em todo o Estado, sendo impressionantes 18.470 somente em Itatiba. Ficou como suplente.
Dois anos depois, em 2020, chegou à Prefeitura com 20.503 votos, equivalentes a 37,46% dos votos válidos.
A diferença de escala é difícil de ignorar
Em 2018, Thomás multiplicou por quase sete sua votação municipal anterior dentro de Itatiba: passou dos 2.646 votos obtidos para vereador para 18.470 na candidatura a deputado estadual. Igor, por sua vez, passou de 1.092 votos em 2024 para 5.314 em 2026, enquanto Cadu saiu de 1.370 para 4.516.
São crescimentos expressivos, mas ainda muito distantes do patamar alcançado por Thomás quando testou seu nome nas urnas estaduais. E é justamente essa comparação que torna 2026 uma régua menos confortável para quem pretendia enxergar na eleição deste ano um ensaio para 2028.
Igor: crescimento, mas sem salto de patamar
Para Igor Húngaro, o resultado de 2026 tem duas leituras possíveis. A primeira é a de que ele multiplicou sua votação em relação à eleição de vereador. A segunda, mais importante quando o assunto é Prefeitura, é que 5.314 votos ainda representam uma base relativamente pequena diante do eleitorado necessário para vencer uma eleição majoritária em Itatiba.
O vereador conseguiu ampliar seu alcance, mas não produziu nas urnas um salto semelhante ao que seria esperado de uma liderança que já estivesse se consolidando como nome competitivo para o Executivo municipal.
Se a intenção era medir a temperatura de uma possível candidatura à Prefeitura, o termômetro não marcou uma liderança consolidada.
Mayara e o peso de um sobrenome conhecido
O resultado de Mayara Oliveira também merece atenção por uma razão diferente. Com 3.758 votos em Itatiba, a candidata ficou abaixo dos dois vereadores que disputaram as eleições proporcionais e não conseguiu transformar o capital político associado ao grupo do ex-prefeito Douglas Oliveira em uma votação municipal que, por si só, a colocasse como uma das principais forças para 2028.
Isso não significa que Mayara esteja fora de uma futura disputa. A política municipal está sujeita a mudanças, alianças e movimentos que podem alterar completamente o cenário em dois anos. Mas, como teste eleitoral, o resultado ficou aquém do que seria necessário para sustentar a ideia de que seu nome já chega fortalecido à corrida pela Prefeitura.
Cadu é a exceção do trio
Se a eleição deixou uma sinalização positiva mais clara, ela está no desempenho de Cadu. O vereador passou de 1.370 votos em 2024 para 4.516 em 2026, mais do que triplicando sua votação municipal em dois anos. O resultado não o transforma automaticamente em candidato competitivo à Prefeitura, mas demonstra uma capacidade de expansão eleitoral que merece ser acompanhada.
O tiro saiu pela culatra?
A resposta depende do que se esperava testar. Se o objetivo era simplesmente ampliar a exposição política e conquistar novos eleitores, os três candidatos têm motivos para se contentar com algum grau de crescimento. Mas, se a eleição de 2026 foi usada como uma espécie de prévia informal para medir força rumo à Prefeitura, o resultado foi bem menos animador.
Os números não mostraram uma nova liderança municipal despontando com clareza. Também não produziram, especialmente nos casos de Igor e Mayara, uma votação capaz de colocá-los próximos do patamar histórico apresentado por Thomás antes de sua eleição para prefeito.
Seria exagerado afirmar que os resultados de 2026 determinam o cenário de 2028. Mas seria igualmente exagerado ignorá-los. A fotografia das urnas mostra que, neste momento, nenhum dos três possui uma demonstração eleitoral que permita tratar a Prefeitura como consequência natural do resultado de 2026.
Para Igor e Mayara, a mensagem parece ainda mais clara: a tentativa de transformar a eleição deste ano em uma vitrine para 2028 não produziu o efeito de consagração que uma votação muito alta poderia proporcionar.
A eleição de 2026 deixou uma régua
Thomás chegou à eleição de 2020 depois de demonstrar, na eleição estadual de 2018, uma força municipal muito acima daquela que havia apresentado como vereador. Em 2026, os atuais postulantes à Prefeitura não repetiram esse movimento na mesma escala.
Por enquanto, portanto, a principal conclusão das urnas não é que Igor Húngaro, Cadu ou Mayara Oliveira estejam fora da disputa de 2028. É outra: se algum deles pretende chegar à Prefeitura, ainda há uma distância considerável entre o tamanho da votação obtida em 2026 e o tamanho da força política necessária para vencer uma eleição municipal. E essa distância terá de ser percorrida nos próximos dois anos.
Da Redação/Fotos: Divulgação
O post Da urna estadual à Prefeitura: 2026 deixou uma régua incômoda para 2028 apareceu primeiro em Itatiba Hoje .