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Governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB) (esquerda), e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro (direita)
G1 — Política · 2026-10-10T03:00:00.000Z
Governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB) (esquerda), e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro (direita)
Renato Alves/Agência Brasília e Banco Master/Divulgação
A tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) começou a ser discutida em uma reunião em Zurique, na Suíça, em janeiro de 2025, segundo novos relatórios enviados pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O encontro reuniu o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master até a liquidação do banco, e Paulo Henrique Costa, que presidia o BRB.
De acordo com os investigadores, as tratativas já vinham sendo preparadas desde outubro de 2024 – quando o BRB colocou ações no mercado para tentar captar até R$ 1 bilhão e ampliar o capital social.
Essa articulação funcionava como "etapas preparatórias para a consolidação futura" da aquisição do Banco Master.
Ao g1, o advogado de Ibaneis, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, disse que ainda está lendo o relatório antes de se manifestar. A TV Globo tenta contato com a defesa Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa.
Encontro foi marcado a pedido do governador
Segundo o relatório da PF, Paulo Henrique Costa informou a Daniel Vorcaro que Ibaneis havia pedido para marcar uma reunião.
🔍 O relatório se baseia em mensagens obtidas nos celulares de Paulo Henrique Costa e de Daniel Vorcaro, dono do Master. Atualmente, ambos estão presos.
Segundo a investigação, em:
20 de janeiro de 2025: Paulo Henrique Costa informou a Daniel Vorcaro que o governador Ibaneis Rocha havia pedido para marcar uma reunião (veja no PRINT acima).
23 de janeiro: Daniel Vorcaro, Ibaneis Rocha, Paulo Henrique Costa e um quarto interlocutor, identificado no relatório apenas como "Leonardo", se encontram em Zurique, capital da Suíça.
26 de janeiro: Vorcaro encaminha uma mensagem a Paulo Henrique perguntando sobre a negociação – e diz que a pergunta veio do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Na conversa, segundo a PF, Paulo Henrique demonstra preocupação com o vazamento da tratativa, e diz que eles não ampliaram "o escopo das pessoas envolvidas no deal [na negociação]".
De outubro de 2024 a fevereiro de 2025, segundo a PF, o BRB comprou R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito emitidas pelo Banco Master.
Atuação de Ibaneis
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Para a investigação, Ibaneis "não se limitou ao exercício regular de suas prerrogativas institucionais" e atuou de forma direta em quatro frentes:
articulação com agentes privados.
validação de "decisões operacionais críticas";
definição da estratégia de expansão do BRB;
autorização dos montantes do aumento de capital;
"As comunicações demonstram que decisões estratégicas relevantes eram submetidas previamente à sua apreciação, antes mesmo de deliberação pelos órgãos formais de governança, evidenciando centralização decisória e interferência política direta na condução da instituição financeira pública", diz a PF.
"Tal atuação é indicativa de captura institucional, na medida em que a estrutura de decisão do banco foi alinhada a interesses específicos, em detrimento dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público", seguem os investigadores.
A Polícia Federal conclui um dos relatórios afirmando que "o Banco Master passou a integrar, de forma indireta, a estrutura acionária do BRB".
Polícia Federal aponta gestão fraudulenta na compa de carteiras do Master pelo BRB
"[...] mediante utilização de fundos de investimento (notadamente Borneo, Verbier E Delta), estruturados com o propósito de ocultar o beneficiário final e evitar a caracterização formal de controle ou participação qualificada".
Ainda sobre a participação de Ibaneis, a PF conclui que decisões estratégicas da relação BRB-Master eram submetidas à apreciação do então governador "antes mesmo de deliberação pelos órgãos formais de governança, evidenciando centralização decisória e interferência política direta na condução da instituição financeira pública".
"Tal atuação é indicativa de captura institucional, na medida em que a estrutura de decisão do banco foi alinhada a interesses específicos, em detrimento dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público", conclui a PF.
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