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Petra Costa, Wagner Moura e Fernando Meirelles estão entre nomes que assinaram carta aberta
G1 — Brasil · 2026-10-10T16:40:14.000Z
Petra Costa, Wagner Moura e Fernando Meirelles estão entre nomes que assinaram carta aberta
Wagner Moura, Fernando Meirelles, Petra Costa e outros membros brasileiros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas publicaram uma carta aberta pedindo "atenção internacional rigorosa" para o segundo turno da eleição presidencial no Brasil. A informação é da "Variety".
No texto, os artistas relatam que há "sinais preocupantes de desrespeito às normas democráticas, incluindo alegações de possível interferência estrangeira no Brasil que exigem investigação transparente e escrutínio internacional".
"Proteger a liberdade de expressão e garantir a sustentabilidade a longo prazo da indústria audiovisual brasileira são ações indissociáveis da defesa da democracia", diz a carta.
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Entre os nomes do cinema nacional que assinam a carta, estão Sônia Braga, Rodrigo Teixeira, produtor de "Ainda Estou Aqui", Anna Muylaert ("Que Horas Ela Volta"), Gabriel Mascaro e Karim Ainouz.
Leia, abaixo, a carta completa:
Nós, profissionais brasileiros do cinema e membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, desejamos expressar nossa preocupação com o atual clima político no Brasil e pedir atenção internacional rigorosa para o segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro.
A diferença entre os dois candidatos no primeiro turno foi de apenas 1,87 ponto percentual. O Brasil é, portanto, um país profundamente dividido. No entanto, testemunhamos sinais preocupantes de desrespeito às normas democráticas, incluindo alegações de possível interferência estrangeira no Brasil que exigem investigação transparente e escrutínio internacional.
O jornal The Guardian noticiou que o governo dos Estados Unidos destinou cerca de US$ 1 milhão, provenientes de um fundo de direitos humanos do Departamento de Estado, a um programa chamado "Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil".
Paralelamente, observadores da mídia levantaram preocupações sobre possíveis distorções no alcance de conteúdo político nas plataformas da Meta e pediram uma investigação. Entre os casos citados estão as contas no Instagram do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teriam sofrido quedas de alcance, dificuldades de acesso e visibilidade nos resultados de busca, além da impossibilidade de promover postagens por meio de publicidade paga.
Outro caso envolve um site sediado nos EUA que promovia a compra de anúncios em apoio ao candidato Flávio Bolsonaro em troca de tokens de criptomoedas, sob a promessa de ajudar crianças carentes em Uganda. A Polícia Federal brasileira também investiga suspeitas de pagamentos em dinheiro a eleitores em áreas rurais.
Várias propostas de Flávio Bolsonaro também exigem escrutínio rigoroso, incluindo sua promessa de reescrever a Constituição brasileira de 1988, que marcou o fim da ditadura militar e a restauração da democracia no país. Segundo o candidato, uma nova constituição seria redigida por um Congresso dominado por uma maioria de extrema-direita. Essa declaração é particularmente preocupante à luz da tentativa de golpe atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato. A trama incluía planos para assassinar o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu vice-presidente, Geraldo Alckmin. Jair Bolsonaro está preso em conexão com esse caso, enquanto seu filho prometeu conceder-lhe anistia como seu primeiro ato no cargo.
Nossa preocupação é agravada pela forma como grande parte da mídia tradicional brasileira normalizou esses acontecimentos, deixando de tratar com a seriedade devida as acusações contra Flávio Bolsonaro e os crimes atribuídos a seu pai. Além da tentativa de golpe, Jair Bolsonaro foi alvo de uma denúncia apresentada ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, em razão das mais de 600 mil mortes por COVID-19 registradas no Brasil durante a pandemia, decorrentes de ações e omissões de sua gestão. A denúncia sustenta que mais da metade dessas mortes poderia ter sido evitada.
Seu governo também esteve associado ao retorno do Brasil ao Mapa da Fome das Nações Unidas. Agora, seu filho promete cortes nos gastos com seguridade social, inspirados nas políticas de austeridade do governo de Javier Milei, na Argentina. A omissão ou a minimização desses fatos contribui para a desinformação pública e enfraquece a defesa da democracia.
Como profissionais da cultura, compreendemos o custo que essas políticas de austeridade podem impor ao nosso setor. Durante a gestão anterior, a indústria audiovisual brasileira sofreu com o fechamento do Ministério da Cultura, a suspensão do Fundo Setorial do Audiovisual, o enfraquecimento de instituições culturais e denúncias de censura. Tememos um retorno a esse cenário. Proteger a liberdade de expressão e garantir a sustentabilidade a longo prazo da indústria audiovisual brasileira são ações indissociáveis da defesa da democracia.
Encaramos os acontecimentos no Brasil como parte de um padrão mais amplo de suposta interferência eleitoral em toda a América Latina. Portanto, a defesa da democracia brasileira deve contar não apenas com o povo brasileiro, por meio de eleições livres, justas e transparentes, mas também com a vigilância e o engajamento da comunidade internacional.
Convocamos a imprensa internacional a cobrir esse processo eleitoral com rigor, a comunidade audiovisual internacional a ampliar o debate e as instituições competentes a investigar essas denúncias de forma independente.
Andrea Barata Ribeiro
Anita Rocha da Silveira
Anna Van Steen
Flávia de Souza
Kleber Mendonça Filho
Maria Augusta Ramos
Renata Almeida Magalhães