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Velocidade e inclinação: como mureta de pedágio virou rampa e lançou carro contra cobertura no interior de SP

Câmera flagra momento em que carro derruba teto de pedágio; motorista morreu

G1 — Brasil · 2026-07-28T07:00:18.000Z

Câmera flagra momento em que carro derruba teto de pedágio; motorista morreu

O carro que atingiu uma praça de pedágio, em Campinas (SP), foi arremessado contra a cobertura após bater em uma mureta de contenção que acabou funcionando como uma rampa, segundo especialistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ouvidos pelo g1.

Para os especialistas, a combinação da alta velocidade do veículo com o formato inclinado da estrutura lançaram o carro para o alto, atingindo a parte superior da praça e derrubando parte do teto - leia mais abaixo.

Segundo os professores, a dinâmica incomum da colisão ajuda a explicar como o veículo ganhou altura após o impacto. Eles avaliaram que a prevenção de acidentes semelhantes passa pelo debate sobre soluções de engenharia e pelo respeito aos limites de velocidade.

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Em nota, a Renovias, concessionária que adminsitra o trecho, informou que a área de Engenharia faz o monitoramento e a avaliação da integridade da estrutura desde o momento do acidente, além de estudos técnicos relacionados ao cronograma de reconstrução da área afetada.

Ao longo desta segunda-feira (27), a concessionária disse que trabalhou para reativar as cabines manuais e automáticas afetadas com o acidente

Como o carro foi lançado?

Câmera flagra momento em que carro derruba teto de pedágio em Campinas; motorista morreu

De acordo com o professor do Departamento de Física Aplicada da Unicamp, Leandro Tessler, o veículo atingiu a extremidade da contenção, que possui formato afunilado e inclinado. "O que causou essa decolagem foi a ponta em cunha", disse.

Ele explicou que a combinação entre o ângulo da mureta e a velocidade do carro fizeram com que a contenção atuasse como uma "rampa".

"Foi um monte de coincidências infelizes. Se não fosse aquela forma de rampa, o carro não decolaria", afirmou.

Tessler explicou que, em situações como essa, a trajetória após o contato com a rampa depende principalmente da velocidade. Por isso, um veículo mais leve ou mais pesado teria comportamento semelhante se atingisse a estrutura nas mesmas condições.

O professor da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, Creso de Franco Peixoto, afirmou que a própria dinâmica da batidade sugere uma grande quantidade de energia envolvida.

Para ele, o fato de o veículo atingir a mureta, "alçar voo" e ainda provocar danos na cobertura indica uma velocidade muito elevada.

E se a mureta tivesse outro formato?

Inclinação e velocidade: como mureta de pedágio virou rampa e lançou carro contra cobertura no interior de SP

Segundo Tessler, sem a ponta inclinada, o carro provavelmente não teria sido arremessado contra a cobertura. Isso não significa, porém, que o resultado seria necessariamente menos grave.

Tessler explicou que uma barreira com outro desenho poderia fazer o veículo atingir diretamente uma pilastra da estrutura do pedágio. "Uma colisão direta com uma viga seria mais forte, mais energética do que o que aconteceu com o carro", avaliou.

O especialista afirmou que existem outros modelos de contenção utilizados em rodovias, mas ressaltou que a estrutura da praça de pedágio foi projetada para situações normais de circulação.

Já o professor de Engenharia de Transportes da Unicamp, Luiz Vicente Figueira de Mello Filho, disse que não há legislação específica sobre os tipos de barreira em praças de pedágio. Para ele, casos como esse podem servir para discutir a adoção de dispositivos complementares, capazes de reduzir os efeitos de impactos extremos.

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Embora classifiquem o caso como algo raro e sem precedentes, os especialistas avaliam que o episódio pode servir de base para discutir novas medidas de segurança em praças de pedágio.

Mello Filho apontou como uma possível alternativa a instalação de terminais de absorção de energia. Segundo ele, o equipamento já é utilizado em alguns pontos das rodovias, especialmente em áreas de bifurcação, para reduzir a força de colisões frontais. "Ele funciona como se fosse uma mola, só que ao invés de voltar, ele só vai", explicou.

Segundo o especialista, o sistema absorve parte da energia do impacto e reduz a transferência dessa força para o veículo: "Ele absorve bem essa energia e não faz com que o veículo, por exemplo, decole."

O professor ressaltou, porém, que a velocidade observada no acidente estava muito acima do esperado para a aproximação de um pedágio. Por isso, mesmo equipamentos desse tipo teriam capacidade de minimizar as consequências da colisão, mas não de eliminar completamente os danos.

Já Peixoto destacou que as praças de pedágio contam com mecanismos projetados para reduzir riscos. Entre eles estão as muretas de concreto, feitas para absorver parte da energia das batidas, e os múltiplos pilares de sustentação das cabines.

"Tem a muretinha de concreto que é um concreto frágil. Bateu, desmonta. Logo depois tem os pilares, e não é um só. Têm dois, três pilares para distribuir a energia", afirmou.

O especialista também destacou que as rodovias possuem faixas de indução de velocidade antes dos pedágios, que produzem ruído e vibração para alertar os motoristas sobre a necessidade de reduzir a velocidade.

"A faixa não é alta, mas ela tem altura suficiente para bater no pneu. [...] Bate na mão do motorista, ele sente além do ruído", explicou.

Para Creso, além das soluções de engenharia, a prevenção passa pelo respeito aos limites de velocidade e por políticas voltadas à segurança viária. Ele citou o excesso de velocidade, a combinação entre álcool e direção e o uso do celular ao volante como os principais fatores de risco no trânsito brasileiro.

Ele também defendeu a adoção da fiscalização por velocidade média em trechos de rodovias como forma de aumentar a segurança.

Infográfico mostra mapa onde carro bateu em teto de pedágio em Campinas; motorista morreu

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