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Alunos medalhistas: como olimpíadas do conhecimento podem levar à universidade sem vestibular

Estudantes acumulam conquistas e aprendizados em olimpíadas do conhecimento

G1 — Campinas e Região · 2026-10-11T09:00:00.000Z

Estudantes acumulam conquistas e aprendizados em olimpíadas do conhecimento

Medalhas que abrem portas. Acumular conquistas nas olimpíadas de conhecimento — competições acadêmicas que desafiam estudantes em diferentes disciplinas — é uma forma de ingressar nas universidades públicas sem passar pelo vestibular.

Mas as competições vão além do aprofundamento técnico em matemática, língua portuguesa, geografia, química ou física, por exemplo. Elas também contribuem para o desenvolvimento de habilidades interpessoais e para o futuro dos alunos.

O g1 conversou com uma turma de estudantes olímpicos que somam medalhas para as universidades e experiências para a vida. Eles contam como é a rotina de quem participa de competições, o que levam para além da sala de aula e como abrem caminhos.

📚 Esta reportagem compõe o projeto Vestibulou, uma iniciativa do g1 Campinas para divulgar informações relacionadas aos principais vestibulares e ajudar na preparação dos estudantes.

Nesta matéria você vai ver:

O que são olimpíadas do conhecimento

Relatos e experiências dos estudantes olímpicos

Como as olimpíadas acadêmicas ajudam a entrar na universidade

Como funciona na Unicamp

Quais as olimpíadas mais aceitas pelas universidades

O que são olimpíadas do conhecimento

As olimpíadas do conhecimento são competições acadêmicas, voltadas, principalmente, para estudantes, que testam conhecimentos e habilidades em diferentes áreas. Os participantes são desafiados a resolver questões, problemas ou atividades relacionadas a disciplinas como matemática, física, química, biologia, história, geografia, língua portuguesa, astronomia e informática, entre outras.

🏅 Assim como nas competições esportivas, as olimpíadas do conhecimento podem ter diferentes etapas e níveis de dificuldade. Dependendo da competição, os estudantes podem:

participar individualmente ou em equipes;

avançar por fases até chegar às disputas finais;

ser premiados com medalhas de ouro, prata e bronze, menções honrosas e certificados.

Mais do que testar o conteúdo aprendido em sala de aula, algumas competições exigem dos participantes raciocínio, interpretação, criatividade e capacidade de encontrar soluções para problemas. Por isso, a preparação para uma olimpíada pode envolver estudos que vão além do currículo tradicional do ensino médio.

Unicamp: entenda quais as formas de ingresso na instituição além do vestibular tradicional

Estudantes acumulam conquistas e aprendizados em olimpíadas do conhecimento

Estudos, medalhas e planos para o futuro

Na prática, a experiência de participar de olimpíadas começa muito antes da medalha. Para os estudantes, a preparação envolve rotina de estudos, desafios, descobertas e, em alguns casos, a oportunidade de conhecer pessoas e realidades diferentes. É uma trajetória que pode começar ainda nos primeiros anos da vida escolar e acompanhá-los até a escolha da carreira e da universidade.

Medalhista de ouro em geografia, a estudante Vivian Blumer, 18 anos, do colégio Oficina do Estudante, em Campinas (SP), mira uma vaga em relações internacionais na Unesp. Para ela, que fez todo ensino fundamental na escola pública, as olimpíadas sempre foram uma possibilidade de aprofundar o conhecimento e viver novas experiências.

“Eu vim de escola pública e comecei minha trajetória nas olimpíadas com a Matemática Sem Fronteiras, e algumas de química, que a escola mesmo incentivava. Agora, desde que entrei para a Oficina, me interesso por geografia e já ganhei duas medalhas de ouro, que pretendo usar na Unesp para cursar relações internacionais".

Mariana Alves Micheletti, de 17 anos, também começou cedo a participar das competições. Com ao menos nove medalhas conquistadas desde o ensino fundamental, a estudante da terceira série do ensino médio pleiteia uma vaga no curso de economia na Unesp. “Participar das olimpíadas é uma forma de ampliar o conhecimento, colocar em prática e desenvolver um pensamento crítico".

Chayenne Alves Rodrigues, de 17 anos, que acumula medalhas olímpicas em diversas áreas desde o ensino fundamental. A estudante recomenda a participação nas olimpíadas durante a trajetória acadêmica como uma oportunidade de aprofundar seu conhecimento, ter autonomia, aprender sobre resiliência e encarar desafios que vão ajudar durante toda a sua vida.

“Participar das olimpíadas é uma forma de extrapolar a grade curricular e discutir temas em grupo, especialmente nas olimpíadas de humanas, o que ajuda a ter diferentes ideias e pontos de vista", destaca a estudante da terceira série do ensino médio da Oficina do Estudante, Sofia Madsen, de 17 anos.

O coordenador olímpico do Oficina do Estudante, Luccas Zillig, defende que o aprendizado adquirido nas competições acadêmicas extrapola o currículo do ensino médio, fazendo com que o aluno desenvolva habilidades que levará por toda a vida, mesmo fora da universidade, como resiliência, trabalho em equipe, empatia e autonomia.

“Para realizar algumas atividades, os alunos precisam viajar, ficar longe de casa, conhecer e trabalhar com pessoas novas. Esse contato com o mundo, com realidades diferentes, ajuda muito no desenvolvimento do senso crítico, da capacidade de trabalho em equipe e de adaptação. Ou seja, as olimpíadas também ajudam na formação do aluno enquanto pessoa".

Estratégia e medalhas para vagas no exterior

Cursando a segunda série do ensino médio, o estudante Júlio César Garcia Tirabassi, 16 anos, é apaixonado pelas competições e participa de olimpíadas de língua portuguesa, geografia, matemática e astronomia. Para ele, este é o momento de investir toda energia nas competições e acumular medalhas para ter mais chances de ingressar na universidade no próximo ano.

“Transito por todas essas áreas e, para mim, é muito enriquecedor. Transcende o conteúdo básico do ensino médio. Além disso, eu vejo que esse momento é muito estratégico para acumular cada vez mais medalhas para aplicar como forma de entrada para USP, Unicamp e Unesp", explica.

Os gêmeos Ethan e Levi Soucouroglou Cabral, 16 anos, estudantes da segunda série do ensino médio, também já estão com a cabeça no futuro. Os dois participam ativamente de olimpíadas e somam mais de 30 medalhas juntos. Para eles, que sonham com uma vaga em universidades do exterior, as competições são uma importante porta de acesso e ajudam na expansão do currículo escolar.

Como as olimpíadas acadêmicas ajudam a entrar na universidade

Atualmente, Unicamp, USP e Unesp já contam com essa possibilidade de ingresso que avalia o desempenho e a premiação dos candidatos em olimpíadas do conhecimento. A entrada pelas chamadas vagas olímpicas ocorre de forma separada do vestibular tradicional e o processo pode variar de acordo com os regulamentos de classificação de cada universidade.

A recomendação é que o aluno acesse o edital de cada instituição para entender as regras e critérios estabelecidos, como explica Zillig.

“O aluno olímpico tem esse caminho para entrar na universidade, mas, se ele quiser, ele também pode prestar o vestibular convencional. No entanto, são dois processos distintos e ele precisa se informar muito bem para entender se o curso que ele quer, na universidade que ele deseja, é compatível com suas medalhas e conquistas".

Como funciona na Unicamp

A Unicamp, pioneira em oferecer vagas para medalhistas, conta, este ano, com 10% das vagas regulares para essa modalidade, o que corresponde a 133 vagas em 37 cursos. Nesta edição, houve a inclusão do curso de nutrição em período integral, com duas vagas. Na instituição, as vagas olímpicas têm métodos de classificação específicos para cada curso. Entenda:

o ingresso pelas vagas olímpicas é destinado a estudantes do ensino médio que tiveram destaque em competições de conhecimento listadas no edital da universidade;

podem participar alunos de escolas públicas e privadas que tenham conquistado medalhas ou obtido desempenho previsto nos critérios da edição.

Diferentemente do vestibular tradicional, os candidatos não precisam realizar uma prova. No momento da inscrição, que é on-line e gratuita, eles apresentam documentos que comprovem a premiação ou o desempenho na olimpíada correspondente.

Cada candidato pode escolher até dois cursos como primeira e segunda opção. As pontuações exigidas variam de acordo com o curso e as competições aceitas, e o estudante pode enviar até dois documentos comprobatórios, um para cada opção escolhida.

Acesse a página de inscrições das Vagas Olímpicas no site da Comvest clicando AQUI.

Na Unesp, em 2026, são 451 vagas em olimpíadas científicas destinadas para cursos de 23 cidades. A universidade também conta com um edital detalhado com os critérios e informações sobre quais medalhas são aceitas e em quais cursos.

Já na USP, este ano, são 234 vagas para estudantes premiados em olimpíadas do conhecimento nacionais e internacionais. As oportunidades contemplam mais de 100 cursos de graduação, distribuídos pelos sete campi da instituição — São Paulo, Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto e São Carlos.

Quais as principais olimpíadas aceitas nas universidades

As olimpíadas aceitas como forma de ingresso podem variar de acordo com a instituição de ensino, mas, entre as mais aceitas, estão:

Olimpíada Brasileira de Matemática

Olimpíada Brasileira de Física de Escola Pública

Olimpíada Nacional de Astronomia e Astronáutica

Olimpíada Brasileira de Biologia

Olimpíada Nacional de História do Brasil

Olimpíada Ibero-americana de Biologia

International Chemistry Olympiad

International Olympiad in Informatics

Olimpíada Brasileira de Ciências

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