ITATIBA1

Menina com paralisia cerebral 'luta' contra o próprio crescimento por cirurgia que contém rigidez muscular

Garota de Sorocaba com paralisia cerebral precisa de cirurgia para conter rigidez muscular

G1 — Brasil · 2026-10-11T21:05:54.000Z

Garota de Sorocaba com paralisia cerebral precisa de cirurgia para conter rigidez muscular

Com dores constantes e risco de perder movimentos, a pequena Bella Cruz Grande Rodrigues, de oito anos, natural de Sorocaba (SP), vive uma corrida contra o tempo. Diagnosticada com paralisia cerebral, a garota passou por um estirão de crescimento recente que encurtou sua musculatura, anulou os efeitos do tratamento anterior e provocou o deslocamento de 25% do fêmur no quadril.

Diante do agravamento do quadro e de impasses com a rede pública e o convênio médico, a família precisa realizar com urgência uma cirurgia neurológica de alta tecnologia em Teresina (PI). O procedimento, chamado Rizotomia Dorsal Seletiva (RDS), atua nos nervos das pernas para reduzir a rigidez muscular e evitar deformidades definitivas antes que a menina passe por um novo pico de crescimento.

A luta pela vida desde o nascimento

Ao g1, Vanessa Cruz Grande Rodrigues, de 39 anos, mãe de Bella, compartilhou que a trajetória da filha começou com um grande susto em novembro de 2017. Durante a gestação, a paranaense radicada em Sorocaba desenvolveu a síndrome Hellp. Bella nasceu de forma prematura extrema, com apenas 27 semanas, medindo 32 centímetros e pesando 680 gramas.

🔍 A síndrome Hellp é uma complicação rara e grave da gravidez que afeta principalmente o sangue e o fígado. Relacionada à pré-eclâmpsia, apresenta sintomas semelhantes e também pode se desenvolver nos primeiros sete dias após o parto.

Na época, os médicos indicavam um cenário crítico para mãe e filha. Após o parto de emergência, Bella passou quatro meses internada na UTI neonatal para ganhar peso.

"Foi muito desafiador. Para o meu esposo, desesperador. Como eu não tive sintomas, quando a notícia veio, veio também uma adrenalina muito grande. Fui ter noção de tudo o que aconteceu depois do parto. Porém, em todo momento sentia a presença do Senhor cuidando de nós, então, mesmo no caos, pude sentir paz", relembra Vanessa.

Criança de Sorocaba (SP) com paralisia cerebral precisa de cirurgia para conter rigidez muscular

A garotinha recebeu alta em março de 2018, mas a calmaria durou pouco. Em maio do mesmo ano, Bella precisou ser reinternada por complicações respiratórias. Durante a internação, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória e precisou de 45 minutos de procedimentos de reanimação.

"Naquele momento senti a dor do luto. Por um instante, achei que a nossa menina fosse morar com Jesus. Bateu o desespero e muita dor. Entretanto, o Senhor estava cuidando dela", declara a mãe.

Até novembro de 2018, a rotina da família transcorreu em leitos hospitalares devido a pneumonias de repetição causadas por disfagia e laringomalácia, problemas que faziam a bebê aspirar o leite.

O diagnóstico e o brilho da infância

As frequentes internações e a falta de oxigenação no período inicial resultaram no diagnóstico de paralisia cerebral do tipo diparesia espástica, condição que afeta o desenvolvimento motor.

Vanessa afirma que, no início, o processo foi desafiador, pois nem ela nem a família tinham dimensão do significado do diagnóstico. Com o passar do tempo, contudo, a rotina de terapias e os desafios diários motivaram a família a lutar para proporcionar à filha uma vida o mais próxima possível da de uma criança típica, um caminho encarado com força, foco e fé.

Apesar das limitações físicas, a personalidade alegre de Bella logo se destacou. Muito comunicativa e afetuosa, a menina mantém uma rotina ativa em Sorocaba.

"A Bella é uma criança muito comunicativa, doce e carinhosa. Ela ama brincar, ir a parques de diversões, parques aquáticos e gosta até dos brinquedos radicais", conta Vanessa.

À direita, Bella está com a mãe, Vanessa; à esquerda, com o pai

O estirão de crescimento e as novas dores

Ao completar sete anos, Bella passou por um estirão de crescimento que trouxe novos desafios clínicos. Na paralisia espástica, os ossos crescem, mas a musculatura rígida não acompanha no mesmo ritmo, gerando encurtamentos graves e desalinhamento articular.

As aplicações de toxina botulínica (Botox), que antes ajudavam a relaxar os músculos, deixaram de fazer efeito.

A rotina de cuidados exige dedicação integral. Bella realiza oito terapias por semana, incluindo fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, equoterapia e hidroterapia, além de atividades de estudo em casa e encontros comunitários.

"Temos muita dificuldade em posicionar ela na cadeira de rodas, no carro, para dar banho e trocar fraldas. Eu tenho 39 anos e já sinto dor na coluna, porque com a espasticidade ela fica mais pesada. Quanto menos posicionada, maior a facilidade de deformidades nos membros", explica a mãe.

Morador de Sorocaba desenvolve plataforma gratuita para auxiliar famílias atípicas

Muito além dos sons: musicoterapia vira ponte para comunicação e regulação emocional em Sorocaba

Com ordem judicial travada, pais criam campanha para transferir bebê de 1 ano internado em Sorocaba

A cirurgia e o impasse com o sistema de saúde

Na busca por alternativas, a família descartou o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) devido ao tempo de espera incompatível com a urgência do crescimento da menina e à ausência de protocolo de reabilitação intensiva pós-cirúrgica na rede pública. Pelo convênio médico, os pais enfrentaram insegurança técnica, falta de avaliação presencial detalhada por parte dos profissionais credenciados e ausência de cobertura para o pós-operatório essencial.

A alternativa encontrada foi agendar a Rizotomia Dorsal Seletiva com um neurocirurgião pediátrico especialista na área em Teresina. A expectativa é de que o procedimento proporcione um futuro com mais autonomia e alívio para a garota.

“Compreendemos que teríamos que lutar de outra forma, pois não podemos esperar muito. Cada dia conta e ela vai passar por mais um pico de crescimento em breve. Além disso, no SUS não há o acompanhamento de reabilitação intensiva pós-cirúrgica, que é indispensável. Pelo convênio, não tivemos uma avaliação médica adequada e nem a garantia da reabilitação. Tudo isso nos deu força para buscar um médico especialista por fora”, afirma.

A família espera que a cirurgia proporcione mais autonomia a Bella, relaxando sua musculatura para permitir o desfraldamento, a evolução na caminhada e uma melhor qualidade de vida.

A história de Bella é marcada por milagres desde o primeiro dia de vida

Mobilização e solidariedade

Para custear todo o processo, que inclui a equipe cirúrgica, um mês de reabilitação intensiva pós-operatória em Teresina, passagens aéreas, hospedagem e transporte, a família lançou a campanha “Pela cirurgia da Bella”. A meta financeira total é de R$ 200 mil.

Informações sobre a história da garota e sobre como colaborar com a mobilização familiar estão disponíveis no perfil oficial mantido pelos pais nas redes sociais.

*Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida

Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí

Initial plugin text

VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

Leia no Itatiba1 →