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'Eu devia ter te falado te amo mais vezes', diz irmã de jovem morto com 27 tiros disparados pela PM em homenagem nas redes sociais

Irmã de jovem morto com 27 tiros disparados pela PM faz homenagem nas redes sociais

G1 — Brasil · 2026-10-12T19:03:00.000Z

Irmã de jovem morto com 27 tiros disparados pela PM faz homenagem nas redes sociais

“Eu devia ter te falado te amo mais vezes ❤️”. Foi com essa frase que a irmã de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, prestou uma homenagem ao jovem nas redes sociais nesta segunda-feira (12), dia em que o corpo dele foi sepultado em um cemitério da capital paulista.

A publicação traz fotos de Gustavo ao lado da irmã em diferentes momentos. Em uma das imagens, os dois aparecem abraçados; em outras, posam juntos para a câmera. A homenagem é acompanhada de um coração e expressa a saudade da irmã após a morte do jovem.

Gustavo foi morto na madrugada de sábado (10), durante uma abordagem policial em Moema, na Zona Sul de São Paulo. Segundo o boletim de ocorrência, quatro policiais militares dispararam 45 vezes contra ele. Gustavo foi atingido por pelo menos 27 tiros. O objeto que os agentes confundiram com uma arma de fogo era, na verdade, um celular.

Os quatro policiais envolvidos na ocorrência foram afastados das atividades no domingo (11), após a Polícia Militar analisar as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos agentes. Apesar disso, quase 60 horas depois da morte, a Polícia Civil ainda não havia recebido a íntegra das gravações, consideradas fundamentais para esclarecer as circunstâncias da abordagem.

Jovem morto em Moema com 27 tiros é velado em SP

Nesta segunda-feira (12), familiares e amigos se reuniram para se despedir do jovem, descrito por pessoas próximas como alguém querido, que gostava de ajudar os outros. Gustavo trabalhava em um hospital, cuidava de cachorros e tinha planos de cursar medicina veterinária ou engenharia mecânica.

A morte do jovem é investigada pela Polícia Civil, por meio do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), e pela Polícia Militar.

Família contesta versão apresentada pelos policiais

Gustavo Munis de Santana foi morto com 27 tiros disparado por policiais militares em SP.

Segundo o boletim de ocorrência, a PM foi acionada por volta das 2h35 de sábado para atender a um chamado sobre um homem que estaria transtornado e ameaçando tirar a própria vida.

A família de Gustavo contesta essa versão. Os parentes afirmam que, embora ele fizesse tratamento psiquiátrico e utilizasse medicamentos antidepressivos, o jovem nunca havia tentado suicídio nem apresentado episódios de surto psicótico.

A família também relatou que Gustavo, que era negro, já havia sido abordado por policiais outras vezes nas ruas de Moema, onde morava. Segundo a advogada que representa os parentes, eles acreditam que as abordagens anteriores estavam relacionadas ao fato de ele ser um jovem negro que vivia na região.

De acordo com a Polícia Civil, Gustavo não tinha antecedentes criminais. A investigação busca esclarecer a dinâmica dos disparos e as circunstâncias da abordagem.

Além das imagens das câmeras corporais, os investigadores procuram gravações de câmeras de segurança instaladas nas proximidades do local da morte.

Jovem é morto com 27 tiros em abordagem policial em Moema, na Zona Sul de SP

Policiais fizeram 45 disparos

De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais foram até a Avenida Moreira Guimarães após receberem o chamado. Ao avistar a equipe, Gustavo correu por uma passarela em direção à Alameda dos Guaramomis e tentou se esconder no recuo de um imóvel comercial.

Ainda segundo a versão dos agentes, o jovem saiu de uma área escura e estendeu os braços na direção dos policiais enquanto segurava um objeto escuro. Os PMs afirmaram ter interpretado o movimento como uma ameaça com arma de fogo e abriram fogo.

O objeto encontrado ao lado do corpo, no entanto, era um telefone celular. Ao todo, os quatro policiais efetuaram 45 disparos com pistolas calibre .40, segundo o boletim de ocorrência:

Soldado Gomes: 14 disparos;

Soldado Sales: 13 disparos;

Soldado França: 12 disparos;

Sargento Macedo: 6 disparos.

A perícia recolheu 44 cápsulas de munição e identificou pelo menos 27 ferimentos provocados por disparos no corpo de Gustavo, incluindo lesões na cabeça, no tórax, no abdômen, nos braços e nas pernas.

Também foram encontradas marcas de disparos na fachada de um imóvel próximo ao local da morte.

A investigação deverá esclarecer a trajetória dos projéteis e as posições dos policiais e da vítima no momento dos tiros. Uma das questões a serem analisadas é se houve disparos quando Gustavo já estava caído.

Quem era Gustavo Munis

Gustavo Munis de Santana tinha 20 anos, morava com a mãe e as irmãs, trabalhava em um hospital, cuidava de cachorros e era conhecido por ajudar pessoas próximas, segundo relatos de um vizinho que o conhecia desde criança.

“É um moleque bom, gente boa, sempre que precisava ele arrumava bicicleta da minha filha”, disse o técnico de refrigeração Eguinaldo Ferreira à TV Globo.

Eguinaldo Ferreira afirmou à TV Globo que conhecia Gustavo desde a infância. Ele também contou que o jovem costumava ajudá-lo com pequenos consertos. Segundo ele, Gustavo também cuidava de cachorros e trabalhava em um hospital.

O que diz a SSP

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) afirmou que não tolera desvios de conduta de seus agentes e que as circunstâncias da morte são investigadas com rigor.

A pasta informou que eventuais irregularidades serão punidas. O caso é investigado pela Polícia Civil, por meio do DHPP, e pela Polícia Militar, que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes envolvidos.

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