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Terremoto no Japão: por que novos tremores podem ser sentidos nos próximos dias?

Veja o momento que terremoto de magnitude 7,1 atinge o Japão

G1 — Mundo · 2026-07-28T13:24:21.000Z

Veja o momento que terremoto de magnitude 7,1 atinge o Japão

Após um terremoto de magnitude 7,1 atingir o sul do Japão nesta terça-feira (28), autoridades do país alertam que novos tremores podem ser sentidos por até uma semana.

Minoru Kihara, chefe de gabinete do governo japonês, alertou a população para novos eventos semelhantes nos próximos dias.

"Pedimos a todos que permaneçam alertas para a possibilidade de novos terremotos de intensidade sísmica de até 7. Em particular, os moradores das áreas que sofreram os tremores mais fortes são aconselhados a manter a calma e acompanhar atentamente as informações de evacuação", afirmou.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), os tremores secundários que se seguem a um grande terremoto são chamados de réplicas.

⚠️As réplicas são abalos menores que ocorrem na mesma área em que foi registrado o chamado choque principal. Elas podem acontecer durante dias ou até anos após um terremoto mais significativo.

"De modo geral, as réplicas representam pequenos reajustes ao longo da porção da falha que deslizou no momento do choque principal. A frequência dessas réplicas diminui com o tempo", define o USGS.

Historicamente, terremotos profundos, com mais de 30 quilômetros, têm menos probabilidade de serem seguidos por réplicas do que terremotos mais rasos.

Como o tremor registrado no Japão foi de forte magnitude e baixa profundidade, a tendência é que seja seguido por novos abalos.

🚨Autoridades japonesas alertam que há a possibilidade de outro grande terremoto atingir o país nos próximos três dias.

Imagem aérea mostra chaminé desabada em fábrica de papel em Yatsushiro, na ilha de Kyushu, após terremoto de magnitude 7,1 no sul do Japão em 28 de julho de 2026.

Kyodo via Reuters

Região de grande instabilidade

O Japão registra terremotos como este com certa frequência porque está situado em uma das áreas mais instáveis do planeta: o Círculo de Fogo do Pacífico, um cinturão geológico responsável por cerca de 90% dos terremotos registrados no mundo.

A região também já esteve por trás de outros grandes tremores recentes, como o abalo de magnitude 8,8 que atingiu a Rússia em 2025 e formou um tsunami que avançou sobre o Japão e o Havaí. A lógica por trás desses eventos é sempre a mesma: o movimento intenso das placas tectônicas que contornam o Pacífico.

Mapa identifica a região do Círculo de Fogo do Pacífico

Estados Unidos e Canadá

México e América Central

Nova Zelândia e Oceania

A região é marcada por forte atividade sísmica e vulcânica. Estima-se que existam pelo menos 450 vulcões ativos ao longo da faixa — muitos deles entre os mais monitorados do mundo —, além de uma frequência muito alta de tremores: em média, um abalo é registrado a cada cinco minutos dentro do Círculo.

Por isso, terremotos de grande magnitude não são considerados raros nessa área.

Por que tantos terremotos acontecem ali

Segundo a Agência Americana Oceânica e Atmosférica (NOAA), o Círculo de Fogo é resultado do encontro de diversas placas tectônicas. No limite onde essas placas se tocam, ocorrem três tipos de movimentos:

Afastamento, que abre espaço e gera atividade geológica.

Atrito, que libera energia em forma de abalos.

Subducção, quando uma placa desliza sob a outra.

É justamente a subducção que explica muitos dos grandes terremotos e tsunamis do Pacífico. Ao ser empurrada para baixo, a placa afunda em direção ao interior da Terra, pressiona o magma e cria instabilidade suficiente para provocar vulcões e tremores de alta magnitude.

O Japão está exatamente sobre um desses limites — por isso, registra um terremoto pelo menos a cada cinco minutos, segundo autoridades locais.

Qual a relação com os tsunamis

Quando o deslocamento das placas ocorre próximo ao fundo do oceano, a liberação brusca de energia pode empurrar grandes volumes de água, criando ondas que se propagam por longas distâncias. Foi o que aconteceu:

no terremoto de 8,8 na Rússia (2025), cujo tsunami atingiu Japão e Havaí;

no terremoto de Fukushima (2011), em que ondas de até 15 metros devastaram cidades japonesas;

O risco é maior para áreas costeiras próximas ao epicentro — especialmente aquelas situadas na fronteira entre placas tectônicas.

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