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Processos por acidentes de trabalho disparam e batem recorde em Campinas; alta é de 63%, aponta TRT-15

Jucinalda Maria de Souza atuava como operadora de máquina quando perdeu as pontas dos dedos

G1 — Campinas e Região · 2026-07-28T16:13:49.000Z

Jucinalda Maria de Souza atuava como operadora de máquina quando perdeu as pontas dos dedos

O número de processos trabalhistas motivados por acidentes de trabalho e doenças ocupacionais atingiu uma marca histórica em Campinas (SP) no ano de 2025, segundo dados do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15).

A metrópole registrou 1.074 ações judiciais, o que representa um aumento de 63% em comparação com o ano anterior. Em toda a área de abrangência do tribunal, o salto foi ainda maior, chegando a 79%, com a marca de 13.803 registros oficiais.

O cenário regional reflete uma tendência nacional de alta nas ocorrências. Segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), o Brasil somou mais de 1,8 milhão de acidentes entre 2023 e maio de 2026, com o estado de São Paulo liderando o ranking nacional.

Apenas neste ano, cidades da região registraram casos graves, como:

Valinhos (abril): um trabalhador de 39 anos morreu após ser prensado por uma empilhadeira numa fábrica;

Santo Antônio de Posse (junho): o muro de uma obra desabou e uma barra de aço perfurou a perna de um funcionário;

Limeira (julho): um homem de 56 anos sofreu queimaduras no tórax e abdômen após um choque elétrico.

Marcas do acidente

A operadora de máquina Jucinalda Maria de Souza faz parte desta estatística após perder as pontas de três dedos de uma das mãos durante o expediente. Ela relata que o equipamento não contava com a proteção adequada no momento do ocorrido e detalha as dificuldades enfrentadas após passar por cirurgias reparadoras.

"Dia a dia mesmo, tem muitas coisas que a gente faz, muitas coisas que eu faço, muitas coisas que eu fazia antigamente, que eu faço hoje em dia, que já não é a mesma coisa, não faço mais com a mesma agilidade", afirma. O caso foi levado à Justiça e aguarda sentença.

A advogada especialista em direito do trabalho Caroline Furlan Gibson explica que a perícia comprovou os danos físicos sofridos pela trabalhadora. "Foi constatada realmente a redução da capacidade laborativa da Jucinalda de forma permanente, ou seja, ela nunca mais vai voltar a ter aquela capacidade de fazer as coisas do dia a dia, de trabalhar como ela tinha antes".

Além das lesões

As ações judiciais não se restringem aos acidentes com traumas físicos, mas também englobam problemas desenvolvidos ao longo do tempo, como lesões por esforço repetitivo (LER) e transtornos psicológicos.

A juíza federal do trabalho Amanda Barbosa, do TRT-15, ressalta que jornadas exaustivas e metas abusivas geram adoecimento. "Hoje o adoecimento psíquico, a ansiedade, a depressão, o burnout, também são reconhecidos como doenças laborais", pontua a magistrada.

Para reverter o cenário de alta nas estatísticas, especialistas apontam que o cumprimento das normas de segurança e a manutenção de equipamentos são essenciais. "A prevenção não pode ser vista apenas como custo, mas verdadeiro investimento".

"Assim como prevenção não é apenas a entrega de um equipamento de proteção individual e um treinamento, mas um acompanhamento contínuo", conclui a juíza Amanda Barbosa.

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