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Coletor flutuante criado pela UFRJ ajuda pescadores a retirar lixo da Baía de Guanabara
G1 — Brasil · 2026-07-28T16:33:28.000Z
Coletor flutuante criado pela UFRJ ajuda pescadores a retirar lixo da Baía de Guanabara
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveram um coletor flutuante de lixo que pode ser acoplado às embarcações dos pescadores para retirar resíduos da água enquanto eles trabalham na Baía de Guanabara. A iniciativa faz parte do projeto Orla Sem Lixo e está em fase de testes na Enseada do Fundão.
Na região, o lixo acumulado na superfície e nas margens interfere diretamente na atividade pesqueira. Redes frequentemente voltam carregadas de resíduos, o que dificulta o trabalho e afeta a renda dos pescadores.
“Na pescaria artesanal que a gente faz atrapalha muito. Quando a gente solta uma rede, vem 90% de lixo”, relata o pescador Sergio Carvalho.
Como funciona o coletor
Coletor flutuante é acoplado à lateral da embarcação para recolher resíduos durante a pesca
O equipamento funciona como um catamarã-coletor. A estrutura tem uma espécie de gaiola presa a dois compartimentos flutuantes, que mantêm parte do equipamento submersa. Uma rampa direciona o lixo que boia na água para dentro do compartimento, onde os resíduos ficam armazenados até serem retirados.
A proposta é que o coletor seja utilizado principalmente nas áreas próximas às praias e às barreiras de contenção instaladas na Enseada do Fundão. O projeto foi desenvolvido pela Petrobras em parceria com o curso de Engenharia Naval da UFRJ.
Segundo Susana Vinson, professora de Engenharia Costeira da UFRJ, a proposta é impedir que os resíduos avancem para a orla e criar um modelo de baixo custo que possa ser replicado em outras comunidades pesqueiras.
A gerente de projetos ambientais da Petrobras, Michele Gomes Cardoso, afirma que o objetivo é reduzir a quantidade de resíduos sólidos na Baía de Guanabara e minimizar os impactos causados à biodiversidade e à população.
Além da retirada do lixo, o equipamento também busca tornar o trabalho dos pescadores mais seguro.
“Vai dar mais segurança. Não tem que botar a mão no lixo. Já passa coletando”, afirma Renato de Reis de Oliveira, presidente da Associação de Pescadores da Prainha.
Do lixo à matéria-prima
Após a triagem, parte do plástico recolhido será transformada novamente em matéria-prima
Depois de recolhidos, os resíduos passam por pesagem e triagem. Parte do plástico é encaminhada para um processo de reciclagem química, no qual o material é aquecido e transformado novamente em matéria-prima para a fabricação de novos produtos.
De acordo com a Petrobras, a expectativa é ampliar o projeto para outras áreas da Baía de Guanabara. A iniciativa também prevê remunerar os pescadores pelo serviço de coleta, unindo preservação ambiental e geração de renda. O coletor deve atuar em conjunto com outras ações de contenção de resíduos, como as ecobarreiras.
Para Sergio Carvalho, a recuperação ambiental já apresenta reflexos na atividade pesqueira.
“A vida marinha melhorou muito. Hoje a gente voltou a encontrar espécies que antes não apareciam mais por aqui. Eu me sinto um felizardo”, diz.
O pescador Sergio Carvalho relata os impactos da poluição na pesca artesanal na Baía de Guanabara
Em nota, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que a gestão dos resíduos sólidos é de responsabilidade dos municípios. Ainda assim, o órgão afirmou que mantém 17 ecobarreiras em rios que deságuam na Baía de Guanabara para conter o avanço do lixo flutuante.
Segundo o instituto, as estruturas impediram que mais de 3,3 mil toneladas de resíduos chegassem à baía no primeiro semestre de 2026.
Pescadores participam dos testes do coletor flutuante na Enseada do Fundão
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