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Como conseguir parar de fumar sozinho? Veja estratégias

Como conseguir parar de fumar sozinho - Crédito: Divulgação.

G1 — Campinas e Região · 2026-07-28T18:09:55.000Z

Como conseguir parar de fumar sozinho - Crédito: Divulgação.

Como conseguir parar de fumar sozinho: o que funciona, o que dificulta e por que a maioria das pessoas desiste antes de conseguir.

O Brasil registrou aumento no percentual de fumantes adultos entre 2023 e 2024, passando de 9,3% para 11,6% da população adulta. Entre os jovens, segundo dados do Ministério da Saúde, o país está em segundo lugar no ranking de drogas mais experimentadas. O dado revela outro número ainda mais preocupante: a idade média de experimentação de tabaco entre meninos e meninas é 16 anos, sendo os meninos os que mais tendem a fumar em idade precoce.

É o primeiro crescimento em quase duas décadas. Por trás desse número estão milhões de pessoas que sabem que o cigarro faz mal e, muitas vezes, já tentaram parar mais de uma vez.

Quem está nesse grupo não falhou por falta de força de vontade. Falhou porque o cigarro cria uma dependência química real, que precisa ser entendida e trabalhada com estratégia.

Para quem já quer conhecer os produtos disponíveis para apoiar esse processo, a Fumagum é uma das opções de reposição de nicotina em goma de mascar disponíveis na Drogal, com formulação nacional específica para esse processo. Essa goma de mascar é indicada caso a pessoa sinta vontade de fumar. Basta mastigar sem parar por pelo menos 30 minutos. Por outro lado, o tratamento deve ser acompanhado por um médico e o número de gomas mastigadas não deve exceder as 24, de acordo com a própria bula.

Por que parar de fumar é tão difícil: o papel da nicotina no cérebro

A nicotina não é apenas um hábito. É uma substância que age diretamente no cérebro, estimulando a liberação de dopamina, a mesma substância associada ao prazer e ao bem-estar. Com o tempo, o cérebro passa a depender desse estímulo externo para regular emoções como estresse, ansiedade e concentração.

Com o entendimento de que o fumante é um dependente químico da nicotina, que é uma droga que atua no cérebro estimulando de forma desordenada a liberação de substâncias responsáveis pela sensação de bem-estar e prazer, é possível compreender que ao parar de fumar haverá uma menor concentração dessas substâncias no organismo. Essa mudança provocará a síndrome de abstinência.

Por isso, parar abruptamente sem nenhum suporte tem uma taxa de sucesso baixa. Nesses casos, dizer que a pessoa seja fraca não é o melhor caminho, já que o corpo do fumante entra em modo de alarme quando a nicotina para de chegar.

Quando a força de vontade não é suficiente: o papel da Terapia de Reposição de Nicotina

A Terapia de Reposição de Nicotina (TRN) não é trapaça. Adesivos, gomas ou pastilhas fornecem nicotina de forma controlada, sem as toxinas da fumaça do cigarro, aliviando os sintomas de abstinência e aumentando as chances de sucesso.

No Brasil, os principais produtos de TRN disponíveis sem prescrição são:

Gomas de mascar com nicotina, disponíveis em concentrações de 2mg e 4mg. São usadas quando a fissura aparece e oferecem alívio rápido. Tabagistas muito dependentes de nicotina podem se beneficiar do uso combinado de adesivos e gomas de nicotina, obtendo maior alívio dos sintomas de abstinência, particularmente nos momentos de maior fissura.

A Nicorette é uma das marcas disponíveis nessa categoria, com sabor Icemint e formulação em goma mastigável. No geral, a indicação de quantas gomas de mascar devem ser usadas diariamente é feita por um médico.

Adesivos transdérmicos de nicotina, que liberam a substância de forma contínua pela pele ao longo do dia. O tratamento com adesivos habitualmente se inicia com a concentração mais alta e vai sendo substituído por adesivos com concentração menor a cada quatro semanas, com duração média de doze semanas. É uma das opções encontradas na linha antitabagismo da Drogal, que também inclui pastilhas e outros formatos.

Qualquer produto de reposição de nicotina, mesmo os de venda livre, deve ter o uso orientado por um farmacêutico ou médico para que a dosagem seja adequada ao nível de dependência de cada pessoa.

Como conseguir de parar de fumar sozinho - Crédito: Divulgação.

O que acontece com o corpo quando você para de fumar

Os sintomas da abstinência podem ser tanto físicos quanto emocionais. Os primeiros 3 dias costumam ser o pico dos sintomas físicos de abstinência. Nesses dias, os fortes desejos, irritabilidade e dores de cabeça podem ser os que mais preocupam o fumante. É quando a nicotina já saiu completamente da corrente sanguínea.

Os sintomas mais comuns no período de abstinência incluem:

Fissura intensa (vontade súbita e urgente de fumar)

Irritabilidade e ansiedade

Dificuldade de concentração

Alterações no sono

Dor de cabeça

Tosse (o pulmão começa a se limpar)

Aumento do apetite

Por outro lado, essas reações são passageiras e tendem a desaparecer em uma ou duas semanas, no máximo um mês.

Sobre a fissura em particular, vale saber que ela é mais curta do que parece. O sintoma mais difícil de controlar é a chamada “fissura”, a forte vontade de fumar. Geralmente ela não dura mais que 5 minutos e vai reduzindo gradativamente em intensidade, com o intervalo entre um episódio e outro aumentando ao longo do tempo. Passar por ela uma vez ajuda a entender que é possível passar pela próxima.

Estratégias que ajudam a parar de fumar

Não existe uma fórmula única. O que funciona é uma combinação de estratégias comportamentais e, quando necessário, suporte farmacológico.

Identifique e enfrente os gatilhos

Fumar raramente é só um hábito isolado. Ele está associado a situações específicas: o café da manhã, o intervalo do trabalho, depois das refeições, em situações de estresse. Eliminar os gatilhos, ou seja, as coisas que disparam a vontade de fumar, e dificultar o acesso ao cigarro são estratégias importantes no processo.

Mude temporariamente a rotina nos momentos de risco: troque o café por chá nas primeiras semanas, saia do ambiente onde costumava fumar, dê uma caminhada rápida quando a fissura aparecer.

Defina uma data e prepare o ambiente

Escolha um dia para parar, comunique pessoas próximas e retire cigarros, isqueiros e cinzeiros de casa e do carro. A dificuldade de acesso é uma das ferramentas mais simples e mais eficazes.

Envolva a família e as pessoas ao redor

Contar a alguém de confiança sobre a decisão de parar cria um compromisso externo e abre espaço para apoio nos momentos difíceis. Quem tenta parar com suporte social tende a ter mais sucesso do que quem enfrenta o processo em silêncio.

Cuide do estresse de outras formas

Como a nicotina é usada para regular a ansiedade, parar de fumar sem nenhuma outra saída para o estresse tende a ser mais difícil. Atividade física, técnicas de respiração e apoio psicológico ajudam a criar novos caminhos para lidar com as emoções que o cigarro vinha gerenciando.

Ter recaídas no processo de parar de fumar não é sinônimo de fracasso

A maioria das pessoas que para de fumar definitivamente tentou mais de uma vez antes de conseguir. A recaída é parte do processo para muita gente, não uma sentença final.

O mais importante é entender o que levou à recaída, ajustar a estratégia e recomeçar. Cada tentativa gera aprendizado. Cada dia sem cigarro faz diferença no organismo, mesmo antes de parar definitivamente.

Existe um arsenal terapêutico que pode ajudar o paciente a diminuir e acabar com o vício. É possível incluir a Terapia de Reposição de Nicotina até medicamentos prescritos por médicos, como ansiolíticos e antidepressivos para tratar a compulsão. Outro grande aliado é a terapia cognitivo-comportamental e grupos de apoio.

Para quem sente que precisa de mais suporte, buscar um profissional de saúde é sempre uma opção válida.

Eliane Messias Rodrigues, farmacêutica responsável Drogal. CRF/SP 43.895

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