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Betelgeuse, uma das estrelas mais famosas do céu, aparece com possível companheira em nova imagem; VEJA

Betelgeuse, uma das estrelas mais famosas do céu, aparece com possível companheira

G1 — Brasil · 2026-07-28T18:16:55.000Z

Betelgeuse, uma das estrelas mais famosas do céu, aparece com possível companheira

Astrônomos obtiveram a imagem mais nítida já feita da provável estrela companheira de Betelgeuse, uma das estrelas mais famosas e brilhantes do céu noturno.

O registro é considerado a evidência mais forte até agora de que a supergigante vermelha não está sozinha.

A possível parceira, chamada Betelgeuse B, aparece como um pequeno ponto de luz muito próximo da estrela principal (veja no VÍDEO acima).

A descoberta foi feita com o Very Large Telescope, instalado no deserto do Atacama, no Chile, e apresentada nesta terça-feira (28) em estudo publicado na revista “Astronomy & Astrophysics”.

“Trata-se da conclusão de uma busca que durou um século”, afirmou Miguel Montargès, astrônomo do Observatório de Paris e principal autor da pesquisa.

Betelgeuse, ao centro da imagem, e sua possível companheira, marcada pela cruz, à esquerda.

ESO/M. Montargès et al./N. Risinger

Betelgeuse é uma estrela supergigante vermelha localizada na constelação de Órion, a cerca de 640 anos-luz da Terra. Mesmo com apenas 10 milhões de anos (jovem para padrões cósmicos) ela já está em seus estágios finais de vida.

Com um raio 700 vezes maior que o do Sol, é uma estrela que chama a atenção não só pelo tamanho, mas também pelo comportamento incomum: seu brilho oscila com ciclos que duram cerca de 400 dias e também em um padrão mais longo, de aproximadamente seis anos.

Desde a antiguidade, observadores do céu notam essas variações, mas a causa exata nunca havia sido comprovada.

A hipótese de uma estrela companheira só ganhou força nos últimos anos, principalmente após o chamado “Grande Escurecimento” de 2019 e 2020, quando Betelgeuse perdeu brilho de forma drástica e repentina.

Na época, chegou-se a especular que ela estaria prestes a explodir como supernova, mas o fenômeno foi atribuído à ejeção de uma grande nuvem de poeira.

Possível companheira de Betelgeuse aparece como ponto de luz marcado pela cruz, à esquerda. Círculo indica o tamanho da estrela principal, retirada da imagem.

ESO/M. Montargès et al.

Agora, a nova descoberta mostra que Betelgeuse B é maior do que se imaginava. A estimativa inicial era de que tivesse massa parecida com a do Sol, mas os dados apontam que ela pode ser de duas a três vezes mais massiva.

Em dezembro de 2024, quando a possível companheira estaria em uma posição mais favorável para ser observada da Terra, a equipe apontou o telescópio para Betelgeuse. Os pesquisadores passaram meses trabalhando nas imagens até conseguirem separar o pequeno ponto de luz do brilho intenso da estrela principal.

“Dei um salto da cadeira quando vi as imagens processadas”, contou Montargès.

Uma possível detecção da companheira já havia sido divulgada em 2025, após observações feitas pelo telescópio Gemini North, no Havaí.

O novo trabalho, porém, apresenta uma imagem mais clara e é considerado pelos pesquisadores a prova mais forte obtida até agora.

Mesmo assim, a equipe evita tratar a descoberta como totalmente confirmada. Os astrônomos pretendem observar novamente o sistema dentro de cerca de um ano, quando a possível companheira deverá aparecer do outro lado de Betelgeuse.

“Já não há praticamente margem para dúvidas”, disse Montargès.

Um futuro trágico

Apesar de estar atualmente em órbita, a companheira não deve sobreviver por muito tempo, pelo menos em termos astronômicos.

Segundo os cálculos da equipe, a interação entre as duas estrelas fará com que a companheira espiralize para dentro de Betelgeuse, sendo engolida em cerca de 10 mil anos.

Esse tipo de interação entre estrelas gigantes e suas companheiras é raro de ser observado diretamente e a melhor chance de observar novamente a estrela companheira será em novembro de 2027, quando ela atingirá o ponto mais distante de sua órbita, tornando-se mais visível.

Imagem mostra a localização de Betelgeuse, uma das estrelas mais brilhantes do céu noturno, na constelação de Órion.

International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA Image Processing: M. Zamani (NSF NOIRLab)

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