ITATIBA1

MP revela suspeita de extorsões e falsos flagrantes cometidos por policiais em prisões e mortes em Piracicaba

Polícia Militar de Piracicaba

G1 — Brasil · 2026-07-28T21:43:13.000Z

Polícia Militar de Piracicaba

Polícia Militar de Piracicaba/ Reprodução

Um relatório produzido pelo Ministério Público (MP) e obtido pelo g1 revela uma série de supostas irregularidades cometidas por policiais militares durante ações em Piracicaba (SP). O documento cita suspeitas de extorsões, simulação de flagrantes e fragilidades de provas em casos de prisões e mortes decorrentes de intervenção policial.

De acordo com o MP, o relatório foi elaborado a partir do aumento desses episódios, principalmente em 2025. Com isso, a Promotoria avaliou a dinâmica de casos relacionados a esses contextos e elaborou recomendações para diferentes órgãos.

A análise constatou que a taxa de letalidade policial em Piracicaba era menor do que a do estado em 2024, mas passou a estar acima em 2025. Especialistas ouvidos pelo g1 no início de 2026 consideraram "fora da normalidade" esse crescimento.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp

Simultaneamente a isso, no último dia 13 de janeiro deste ano, o MP encaminhou à Corregedoria da Polícia Militar um suposto crime de extorsão e de simulação de flagrante cometido por policiais militares contra uma determinada pessoa.

Agora no g1

O caso motivou, em 11 de fevereiro, o cumprimento de dez mandados de busca e apreensão contra policiais militares. Após esse primeiro atendimento, a Promotoria recebeu informações de pelo menos outros três casos de supostas extorsões cometidas por policiais militares, em circunstâncias similares à anterior.

O nome dos agentes envolvidos nas ações não foi divulgado.

Padrões que fragilizam provas

Ao analisar casos envolvendo mortes causadas por intervenção policial, o Ministério Público afirmou que provas evidenciaram "como a combinação entre ausência de registro objetivo, demora documental e manejo indevido de vestígios produz um cenário de fragilidade probatória".

No relatório, são apontadas divergências entre depoimentos dos agentes com as provas obtidas durantes investigações.

Ainda segundo o MP, documentos vinculados a prisões em flagrante revelaram padrões com chance de fragilizar provas judiciais. Entre esses padrões, destacam-se:

Indícios consistentes de irregularidade, em ao menos um dos casos, na entrada da polícia na casa de alguém;

A recorrência de alegações de "plantio/forjamento" de objetos como armas e drogas;

A crescente dependência de prova audiovisual, como câmeras de terceiros e registros externos;

A presença de imputações graves com indicação de apuração da Corregedoria.

O relatório do MP foi encaminhado para os seguintes órgãos:

Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo

Comando-Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo

Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo

Comando de Policiamento do Interior (CPI-9);

10º Batalhão de Polícia Militar do Interior

Delegacia Seccional de Polícia de Piracicaba (Polícia Civil);

Polícia Técnico-Científica – Instituto de Criminalística/IML;

Direção do Foro da Comarca de Piracicaba

Secretaria Executiva da Promotoria de Justiça Militar.

O documento lista uma série de recomendações a serem adotadas por esses órgãos. Entre os destaques estão:

Registro cronológico padronizado dos horários relevantes relacionados aos casos

Reforço expresso do dever de preservação do local e de não alteração do estado de coisas até a chegada da autoridade policial e da perícia;

Vedação de circulação não essencial em cena sensível, com identificação mínima dos agentes que ingressaram no local antes da perícia;

Rotina de preservação e requisição célere de mídias externas pela Policia Civil (câmeras particulares/comerciais/vizinhança), com registro formal da diligência;

Auditoria periódica, em ocorrências selecionadas, para aferição de aderência aos protocolos.

O que dizem os responsáveis

O g1 pediu um posicionamento à Secretaria de Segurança Pública (SSP), que responde pela Polícia Civil, e à Polícia Militar, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Veja mais notícias sobre a região em g1 Piracicaba

Leia no Itatiba1 →