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MP denuncia 17 pessoas por esquema de R$ 27 milhões que usou saúde de MS como moeda de troca

Conheça o 'Clã Jafar', a família suspeita em esquema de R$ 27 milhões em MS

G1 — Brasil · 2026-07-28T22:57:14.000Z

Conheça o 'Clã Jafar', a família suspeita em esquema de R$ 27 milhões em MS

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) denunciou à Justiça 17 pessoas investigadas por integrar um suposto esquema de R$ 27 milhões que, segundo a investigação, usava a estrutura da saúde pública como moeda de troca para fraudar licitações de venda de livros paradidáticos a prefeituras de Mato Grosso do Sul.

A investigação faz parte da Operação Gutenberg, deflagrada no início de julho, e apura suspeitas de fraude em licitações, corrupção e organização criminosa. Agora, caberá à Justiça decidir se recebe a denúncia. Se isso ocorrer, os investigados passarão à condição de réus e responderão a uma ação penal.

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Segundo o MPMS, a empresária Rossana Jafar é apontada como uma das chefes do esquema e a verdadeira proprietária da Editora Avante, empresa que, segundo a investigação, foi beneficiada pelas supostas fraudes. Ela foi presa durante a operação junto com os três filhos, Olívia, Felipe e Giovanni.

As investigações são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo o órgão, a Coordenadoria de Regulação do Sistema Único de Saúde (SUS) teria sido usada para pressionar prefeitos a fechar contratos com a editora.

De acordo com a denúncia, vagas em hospitais e exames eram oferecidos como forma de pressionar prefeitos a assinar contratos para a compra de livros paradidáticos. Outro investigado apontado pelo MPMS como um dos chefes do esquema é Heyder Bartz. Ele teve a prisão decretada pela Justiça e continua foragido.

As defesas dos envolvidos negam qualquer irregularidade e afirmam que não houve fraude nas contratações investigadas.

Crimes que os denunciados devem responder:

Rossana Paroschi Jafar — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;

Rhayane Souza Fanaia — organização criminosa e lavagem de dinheiro;

Giovanni Paroschi Jafar — organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Olívia Paroschi Jafar — organização criminosa e lavagem de dinheiro;

Felipe Paroschi Jafar — organização criminosa e lavagem de dinheiro;

Heyder Bartz — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;

Francisco Anízio dos Santos — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;

Ed Carlo Britto Burgatt — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;

Jessyca Duarte Burgatt — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;

Gabriel Taquino de Paula — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;

Paulo Rogério de Melo — organização criminosa e lavagem de dinheiro;

Douglas Henrique Melo — organização criminosa e lavagem de dinheiro;

Matheus Oliveira Peixoto — organização criminosa e lavagem de dinheiro;

Joatan Gomes Peixoto — organização criminosa e lavagem de dinheiro;

Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior — organização criminosa e lavagem de dinheiro;

Valesca Thais Albuquerque Teixeira — organização criminosa e lavagem de dinheiro.

RELEMBRE - Durante a operação realizada na terça-feira em 7 de julho, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) foi às ruas para cumprir 16 mandados de prisão e 43 mandados de busca e apreensão. Ao todo, 15 pessoas foram presas em Campo Grande, Dourados e em uma cidade de Goiás. Um investigado continua foragido. Os agentes também apreenderam mais de R$ 70 mil em dinheiro vivo e cheques já preenchidos.

Presos, soltos e foragido

Heyder Bartz é o único foragido entre os alvos de mandados de prisão.

FORAGIDO - Heyder Bartz

Ele é o único entre os alvos de mandado de prisão que está foragido. Heyder Bartz é apontado pelo Gaeco como um dos chefes da suposta organização. Segundo o Ministério Público, ele integrava, ao lado da dentista Rossana Paroschi Jafar e do empresário Francisco Anizio dos Santos, o núcleo responsável pelas decisões administrativas e financeiras da Editora Avante.

Proprietário da empresa Superconteúdo Marketing Digital, Heyder é descrito pelos investigadores como responsável pela gestão estratégica do grupo, incluindo a definição de pagamentos e a divisão dos valores obtidos com o esquema.

O Ministério Público afirma que a atuação de Heyder e de Anizio foi decisiva para todo o esquema criminoso" A investigação aponta que a participação direta de Heyder aparece em mensagens obtidas após a quebra do sigilo telemático dos investigados.

A defesa Heyder Bartz esclarece que, "até o presente momento, não teve acesso formal à decisão que supostamente determinou a expedição do mandado de prisão, razão pela qual não foi possível tomar ciência de seus exatos fundamentos. Contudo, ressalta-se que a defesa já estabeleceu contato voluntário com os agentes e autoridades responsáveis pela condução do caso, colocando o cliente integralmente à disposição da Justica para cooperar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos necessários, sendo informados que eventual intimação chegaria posteriormente em outro momento".

SOLTOS - Jessyca, Joatan e Geancarlo

Jessyca Duarte Burgatt, filha de Ed Carlo Britto Burgatt, foi a primeira investigada a deixar a prisão. Em 11 de julho, a Justiça substituiu a prisão preventiva por prisão domiciliar após a defesa alegar que ela é lactante. Segundo o MPMS, parte dos valores ligados ao suposto esquema teria sido repassada ao pai dela por meio de pessoas próximas, entre elas a própria Jessyca;

Joatan Gomes Peixoto deixou a prisão nessa quinta-feira (16), com monitoramento por tornozeleira eletrônica. A medida cautelar valerá por, no mínimo, 180 dias. Conforme a defesa, representada pelo advogado André Stuart, a decisão considerou a necessidade de cuidados com a família do investigado;

Geancarlo Leal de Freitas. O servidor público foi solto pela Justiça nesta sexta-feira (17). Ao g1, o advogado dele, Thiago Bunning, afirmou que os fatos foram esclarecidos, comprovando que o cliente não teve participação em nenhum crime investigado. “Ele foi preso apenas por ser servidor público municipal em Dourados (MS). O cargo ocupado por ele é de fiscal de obras particulares, não tem nenhuma relação com os fatos investigados. Geancarlo é servidor há 26 anos, nunca foi investigado ou processado. Não conhece nenhum dos investigados e nem as empresas investigadas”, disse a defesa por meio de nota.

Da direita para a esquerda Gabriel Taquino de Paula , Paulo e Douglas de Melo, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, na fileira de cima. Ed Carlo Britto Burgatt, Olívia Jafar e Rossana Paroschi Jafar na fileira de baixo.

PRESOS - Rossana, Olívia, Felipe, Giovanni, Rhayane, Eronivaldo, Ed Carlo, Francisco, Matheus, Douglas e Gabriel

Rossana Paroschi Jafar, empresária;

Olívia Paroschi Jafar, médica e filha de Rossana;

Felipe Paroschi Jafar, ex-comissionado na Agesul e filho de Rossana;

Giovanni Paroschi Jafar, filho de Rossana;

Rhayane Souza Fanaia, ex-nora de Rossana;

Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar;

Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador de regulação de MS;

Francisco Anizio dos Santos;

Matheus Oliveira Peixoto;

Paulo Rogério de Melo, empresário;

Douglas Henrique de Melo, empresário e filho de Paulo;

Gabriel Taquino de Paula.

A defesa de Francisco Anizio dos Santos, Ed Carlo Britto Burgatt, Gabriel Taquino de Paula e Matheus Oliveira Peixoto disse que ainda não teve acesso aos autos. O g1 não conseguiu localizar as defesas de Rossana, Olívia, Felipe, Giovanni e Rhayane. As defesas de Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo não se manifestaram.

A defesa de Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior disse que ainda não teve acesso à íntegra do processo e "tampouco aos fundamentos da decisão, motivo pelo qual qualquer manifestação seria prematura. Tão logo tenha conhecimento dos autos, a defesa se pronunciará pelas vias adequadas".

Saúde de MS como 'moeda de troca'

Família Paroschi Jafar, suspeita de esquema em Campo Grande.

A Operação Gutenberg, deflagrada em 7 de julho de 2026 pelo Gaeco, investiga uma organização criminosa que utilizava a regulação de vagas do SUS como "moeda de troca" para forçar prefeituras a comprar livros paradidáticos.

O esquema, classificado pelo MP como "repugnante", é suspeito de condicionar o acesso da população a exames, cirurgias e leitos hospitalares à assinatura de contratos com a Editora Avante, movimentando cerca de R$ 27 milhões em recursos públicos entre 2022 e 2024.

As investigações revelaram que o grupo interferia diretamente nos setores de compras das prefeituras, oferecendo um "manual" com o passo a passo para burlar licitações. Esse material incluía orientações desde a elaboração de estudos técnicos preliminares até a emissão de pareceres jurídicos e notas fiscais, permitindo que a empresa direcionasse as contratações por inexigibilidade de licitação.

🔎 O grupo é apontado como uma sucessão familiar do esquema investigado anteriormente na Operação Lama Asfáltica, mantendo modelos similares de atuação sob o comando de Rossana Paroschi Jafar.

O núcleo do esquema contava com a participação decisiva de Ed Carlo Britto Burgatt, então coordenador de regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), que usava seu cargo para privilegiar ou punir municípios conforme o interesse da editora.

O núcleo do esquema contava com a participação decisiva de Ed Carlo Britto Burgatt, então coordenador de regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), que usava seu cargo para privilegiar ou punir municípios conforme o interesse da editora.

Mensagens interceptadas mostram Burgatt e o advogado Gabriel Taquino de Paula discutindo a suspensão de serviços de saúde, com frases como:

"Deixa o povo sem leito lá";

"Só opera se fechar", caso os prefeitos não aceitassem os contratos de livros;

Em contrapartida, prefeituras parceiras recebiam liberações rápidas de exames complexos e "vagas zero".

Financeiramente, a organização operava de forma estruturada para ocultar e pulverizar o dinheiro obtido ilegalmente. Segundo o MP, a Editora Avante era registrada em nome de "laranjas", e os recursos eram distribuídos por meio de saques fracionados e transferências para familiares dos líderes para dificultar o rastreamento.

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